Cavaleiros do Zodíaco: Produtor quer levar série a novo público, sem esquecer fãs antigos

Yosuke Asama é o responsável pelo retorno dos cavaleiros de Athena aos cinemas

04/09/2014 16h01

Por Daniel Reininger

Os Cavaleiros do Zodíaco comemora, este mês, 20 anos de sua primeira exibição no Brasil. A série chegou à finada TV Manchete em 1º de setembro de 1994 e conquistou rapidamente uma legião de fãs. Até hoje, aficionados colecionam bonecos dos personagens, assistem aos capítulos da série, leem mangás e compram videogames, cujo lançamento mais recente é de 2013 e se chama CDZ - Bravos Soldados – o que prova a longevidade do anime.

Entretanto, a nova geração de crianças não está familiarizada com a franquia, por isso a Toei Animation resolveu lançar Os Cavaleiros Do Zodíaco: A Lenda Do Santuário, filme que reimagina a história mais famosa da saga, a trama das 12 casas, totalmente em computação gráfica.

Para saber mais sobre esse retorno de Seiya, Shiryu, Hyoga, Ikki e Shun aos cinemas, conversamos com o divertido produtor Yosuke Asama, responsável pelo retorno dos cavaleiros de Athena. Confira:

Como foi trabalhar com uma franquia de peso como Cavaleiros do Zodíaco e com seu criador, Masami Kurumada?

Fiquei muito nervoso. Tem uma expressão japonesa que resume bem o que senti: “Se tiver um buraco, eu quero entrar” (risos). Trabalhei o tempo todo com essa sensação, mas foi uma alegria incrível também. Trabalhar com Kuramada foi ótimo, principalmente porque ele adora saquê. Então toda vez que a gente tinha reunião ou nos encontrávamos para conversar, tomávamos saquê juntos. Mas quando Kurumada falava sobre a visão dele sobre o filme, sempre voltava aos longas antigos e dizia: “era desse jeito, precisa ser assim”. Então tínhamos discussões acaloradas, mas graças a essas conversas pude ter uma boa visão sobre a série.


A série original é focada muito mais no drama, enquanto o filme dá preferência ao lado cômico. Qual foi o motivo dessa escolha?

Sou da primeira geração de fãs dos Cavaleiros, que viu e acompanhou a obra original, mas, com esse novo filme, queríamos apresentar a franquia para um novo público - crianças do Japão e do mundo. Para conquistá-las, tentamos mostrar que Seiya, Hyoga e os outros são personagens divertidos e ricos em emoção e, a partir desse humor, convidar os pequeninos a serem amigos dos personagens. Queríamos que eles vissem essa obra e pensassem: “olha, vamos entrar nessa batalha com eles”. Essa foi nossa intenção desde o início.

Os Cavaleiros do Zodíaco - A Lenda do Santuário



O filme dá uma pequena pista sobre uma continuação voltada para a adaptação da Saga de Hades. Isso vai mesmo acontecer?

Na minha cabeça já existe essa continuação quase pronta. Mas poder produzi-la são outros quinhentos. Vai depender muito do sucesso de A Lenda do Santuário nos cinemas mundiais. Então, leitores do Cineclick, por favor, me deem a força de seus cosmos para que eu possa produzir essa continuação para vocês (risos).


E será mesmo sobre a Saga de Hades?

Não posso revelar ainda (risos).


A trilha sonora de Saint Seiya sempre foi um dos pontos altos da série, em especial o tema de abertura Pegasus Fantasy. Por que essa canção não foi usada no filme?

Essa foi uma questão que nos assombrou até o último momento. Pensamos muito sobre o assunto, sabemos como a música é amada por fãs e até podíamos incluí-la para fazer um agrado, mas no final das contas preferimos mostrar esse universo como algo totalmente novo. A mensagem que queríamos passar é que esse Cavaleiros do Zodíaco é o início de uma nova fase e a mudança na trilha sonora é uma das maneiras de fazer isso.

Veja a abertura com a música Pegasus Fantasy, cantada por Edu Falaschi na versão brasileira:


O visual das armaduras mudou bastante, embora ainda capturem o conceito original. Como foi o processo de criação?

Queríamos repensar as armaduras como algo tridimensional e não bidimensional, como era na série de TV. Quem ajudou a desenhá-las foi o diretor do filme, Kei'ichi Sato, que também é desenhista. Desta vez, não foram só desenhos à mão, também consideramos a modelagem 3D desde o começo. Para isso, contamos com modeladores da Toei, que nos ajudaram a imaginar como elas seriam. Apesar desse detalhamento e beleza tridimensional, sempre pensamos em manter a imagem clássica das armaduras, principalmente as de Ouro, lembrando o visual clássico das 12 casas.

A questão é que a expressividade de uma imagem bidimensional e tridimensional diferem totalmente. Com a animação feita em CGI, o espectador pode ver a armadura de todos os ângulos imagináveis e elas precisam ser bonitas de qualquer forma. Esse aspecto foi nossa preocupação desde o início.


A Lenda do Santuário parece fazer homenagem a várias temporadas e versões da série. Desde a clássica, passando por Lost Canvas, Episódio G e Omega. Essas homenagens foram intencionais?

De fato existem pelo menos duas cenas feitas como homenagens à série clássica, mas se você viu mais do que isso pode ser imaginação sua (risos). Na verdade, é um bom sinal para mim que os fãs estejam detectando referências que não necessariamente foram intencionais. Gosto de saber disso (risos).


Qual a reação que você espera dos fãs, principalmente do Brasil, onde a série ainda é cultuada?

Imagino que os fãs antigos, que devem ter mais ou menos a minha idade, por volta dos 30 e poucos anos, são os cavaleiros de ouro. Para esses, não me resta nada além de queimar meu cosmo ao máximo e soltar meus Meteoros de Pegasus para tentar conquistá-los (risos). Para a nova geração, que provavelmente não conhece a série, quero mostrar uma obra interessante e criar a curiosidade para que eles busquem conhecer também as obras antigas, tanto anime quanto mangás, e mostrar para essas crianças como isso tudo é legal e como vale a pena conhecer mais.


Para finalizar, como você vê a situação do famoso Studio Ghibli, de A Viagem de Chihiro, que dará uma pausa em suas atividades? E como a Toei vê o mercado interno e externo de animações atualmente?

A animação mundial está entrando em uma bifurcação. No Japão, ela sempre se desenvolveu de forma independente do resto mundo, enquanto que agora, além das animações Disney, temos outras opções, como as animações em CGI da Coreia do Sul. Com essa multiplicidade de mercado, me parece que essas férias do estúdio Ghibli e de Hayao Miyazaki representam bem o atual momento. A geração antiga que fez desenho animado até agora está chegando em sua fase final. Pelo menos é o que sinto.

Agora, uma nova geração está surgindo e esse filme dos cavaleiros representa exatamente isso. Entretanto, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer, mas, mesmo sem saber, a Toei está arriscando, tentando fazer coisas novas para ver o que funciona. Precisamos encarar novos desafios e não podemos ficar acomodados no sistema antigo. E o Studio Ghibli percebeu isso e precisa repensar como prosseguir. Essa é a fase atual. E essa é a política que a Toei está assumindo.

Os fãs poderão descobrir se a aposta deu certo a partir de 11 de setembro, quando Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário estreia. Enquanto isso, veja o trailer dublado, com vozes originais da série animada: