Charlie Hunnam fala de futebol, novo projeto e Rei Arthur em entrevista

Ator esteve no Brasil para divulgar A Lenda da Espada

17/05/2017 16h14

Por Daniel Reininger

Charlie Hunnam veio ao Brasil promover Rei Arthur - A Lenda Da Espada, que estreia nesta quinta nos cinemas brasileiros. O ator interpreta uma versão modernizada da lenda no filme de Guy Ritchie, mas o longa não tem ido bem nas bilheterias mundiais. Mesmo assim o ator, com quem falamos no hotel Unique, em São Paulo, esbanja simpatia.

Futebol

Após elogiar o nosso pão de queijo e oferecer um cafezinho enquanto se servia, Hunnam, sempre simpático, comentou sua ida ao jogo entre Palmeiras e Vasco no último domingo. "Fiquei muito honrado de estar naquele gramado sagrado", conta.

Só que, para ele, futebol mesmo só nos videogames. "Cresci jogando games de futebol e sempre escolhia o Brasil, porque era o melhor time. Na verdade, como não sou muito fã de futebol, sempre que eu tinha 90 minutos livres preferia ir ao cinema", explica.

Fã de MMA, ele foi criado na cidade de Newcastle e entende bem a importância do futebol. "Lá tem um estádio do time local, o Newcastle United, chamado oficialmente de St. James Park, mas é conhecido entre os torcedores como 'The church' (A igreja). Então, existe esse sentido meio religioso. E eu percebi a mesma coisa quando cheguei lá (no estádio do Palmeiras)", revela.

E o ator ainda comentou a bastante criticada participação de David Beckham no filme. O jogador aparece como guarda que protege a espada Excalibur cravada na rocha. "Claro que eu sabia quem ele era. No começo, era mais um colega de filmagem, mas no final estava tão animado com a presença dele quanto os outros. Pra mim, ele fez um ótimo trabalho, levou tudo muito a sério. Até contratou um consultor de atuação", conta Hunnnam.

Cena de David Beckham em Rei Arthur

Ele ainda brincou sobre a participação do astro: "Na verdade, fiquei um pouco feliz que ele tinha cicatriz e aquela prótese no nariz. Pedi para colocarem até mais maquiagem nele porque eu costumava ser o cara mais bonito da tela e é complicado manter esse posto com o David Beckham ali".

Novo projeto

O ator britânico comentou ainda sua participação em Papillon, história de Henri Charrière na ilha do Diabo, colônia penal localizada na Guiana Francesa. Hunnam encarnará o papel que foi de Steve McQueen, em 1973, mas o ator prefere evitar comparações. "Quem gostaria de ser comparado a Steve McQueen? Então, me libertei disso. Quando o filme sair, certamente vamos ter que enfrentar isso e, só de pensar, fico aterrorizado. Mas no processo não colocamos energia nenhuma nessa questão. Estamos fazendo uma adaptação independente, não se trata de uma refilmagem", explica.

Rei Arthur

Apesar do fracasso nos EUA, Hunnam disse que tem contrato para três longas, algo padrão para os grandes estúdios, que já pensam em criar franquias a cada novo filme. "Gostaria muito de explorar o triângulo amoroso entre Arthur, Guinevere e Lancelot. Acho que essa é uma das histórias mais empolgantes de Arthur e algo que não conseguimos explorar nesse primeiro filme", revela.

Como esperado, o ator se diz fã das histórias arthurianas e gosta da ideia de poder atualizar o personagem. "Acho que você tem uma responsabilidade maior se vai contar uma história que já foi contada inúmeras vezes. Você precisa trazer algo único, transformá-la em algo original, novo, mas, ao mesmo tempo, fiel", explica.

Ele ainda mostra não se abalar com a recepção fria ao longa e sobre a incerteza das sequências. "Eu me liberei desse tipo de expectativa e, nesses mais de 20 anos de carreira, aprendi que não há vantagem em colocar a carroça na frente dos bois porque a gente acabada se machucando", diz.

Guy Ritchie

Hunnam disse ter visto Excalibur (1981), de John Boorman, pelo menos 15 vezes na infância e foi por isso que correu atrás do diretor Guy Ritchie para conseguir o papel. "Eu não estava na lista inicial de potenciais atores", revelou.

Charlie Hunnam é Rei Arthur

Sobre o relacionamento no set com o cineasta, Hunnam enfatiza que aprendeu e se divertiu muito com ele. "Foi muito divertido e ele me deu ótimas dicas, ele sempre dizia: 'Você tem que tentar se divertir. Vamos filmar por seis meses e temos que curtir o processo. Esta é a nossa vida. Passamos a nossa vida no set'. Não podemos encarar isso como um trabalho. Temos que tentar nos divertir todos os dias. Se a gente se divertir, pode ser que o público também se divirta quando assistir. Então, todos os dias eu ia trabalhar entre amigos", conta.

Para piorar, o diretor não se impressionou com o físico de Hunnam na época. "Quando encontrei Guy meu físico não estava como ele queria. Estive forte e em forma por muitos anos, mas perdi peso intencionalmente para as últimas cenas de Sons of Anarchy. Foram 13 quilos. Na primeira vez que falei com Guy ele disse: 'Você está horrível. Isso não é o que eu quero para esse personagem', mas eu disse para ele não se preocupar. Logo pensei: 'Vamos ter a briga de casting. Uma competição. Se eles se preocupam com o meu físico, eu posso vencer'", explica.

Releitura

Para o ator, a intenção do novo filme era aproximar a lenda dos novos públicos. "Queríamos criar um Arthur um pouco mais acessível. Guy usa muito a expressão cashmere caveman (homem da caverna de cashmere). Ele gosta de masculinidade e imoralidade, mas com um pouco de sofisticação. Espero que as pessoas se divirtam com isso", pondera.

Sobre o personagem, diz ter dado seu máximo. "A gente tenta colocar coração, verdade e densidade como possível e buscamos entreter as pessoas, proporcionar uma boa fuga da realidade, um momento para rir, para ver uma história já contada, mas de um jeito diferente. O que aconteceria se alguém descobrisse, amanhã, que é o rei da Inglaterra ou do Brasil?", finaliza.

No filme, Arthur é um jovem criado em um bordel, não conhece sua linhagem real e se torna influente nas ruas de Londres. E apesar de Hunnam considerar sua versão capaz de conversar com as novas gerações, os resultados das bilheterias mostram o contrário. O filme orçado em US$ 175 milhões teve uma modesta abertura de menos de US$ 15 milhões nos EUA. No mundo, o longa fez apenas US$ 46 milhões até o momento.

No Brasil, a estreia está marcada para quinta (18). Leia a crítica e veja o trailer: