Dan Stulbach

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

O que te guia na hora de escolher um personagem?
Basicamente, são três coisas: história, as pessoas envolvidas no projeto e o desafio particular do personagem. Também penso no impacto que aquele trabalho pode ter no público. A última coisa que penso é no desenho de carreira, foco mais no desafio pessoal trazido pelo personagem, aquela situação e as pessoas com as quais vou trabalhar.

Qual foi o desafio no caso de Mais Uma Vez Amor?
Sem ordem de importância, foi por ser uma comédia no cinema cujo roteiro gostei. O roteiro, escrito pelo Carlos Lombardi, já trazia um desafio particular, pois ele escreve de uma maneira muito interessante. Além disso, a Rosane (Svartman, diretora) foi agradável desde o início, o que me fez pensar que seria legal trabalhar com ela. Quando soube que seria com a Juliana (Paes, co-protagonista do filme), também achei ótimo, já que nunca havia trabalhado com ela. A Juliana praticamente se apaixonou por mim, apesar de eu não dar bola (risos). Sem brincadeiras, a gente se deu muito bem. A Ju é muito agradável, de cara nos demos bem. Quando fui chamado para este projeto, ainda estavam escolhendo a co-protagonista. Uma ou outra pessoa achou que eu teria preconceito pelo fato de ser o primeiro filme dela, que veio de televisão, mas não tenho. Alguns atores me encantam mais ou menos, independentemente disso. Mais do que isso, sempre achei que o fato de sermos nós dois dá a diferença e a estranheza que os personagens precisam ter. A principio, são pessoas de mundo diferentes e, se os atores combinassem muito, você não acreditaria na história.

Você é um ator que costuma fazer teatro, cinema e TV constantemente. Em qual você gosta mais de trabalhar?
Cada um tem um jeito. Sempre fui um ator de teatro, comecei nos palcos. Para mim, se eu fizer somente uma coisa, seja teatro, TV ou cinema, acho que o ciclo fica incompleto. Isso é o que penso para minha carreira, o que pode ser diferente com outros atores. Alguns se sentem felizes somente fazendo uma coisa, não é? Gosto de fazer tudo é isso que tenho tentado, assim pretendo continuar.

Como você vê a atuação no cinema?
É o intermediário entre TV e teatro. Como você ensaia mais e tem mais tempo de troca com seus companheiros de cena, concentração fica mais naquela cena filmada no dia por isso, há o risco do ator chegar todo preparativo e pouco natural. O ritmo da TV não deixa que isso aconteça, já que são muitas cenas novas por dia. Nesse sentido, a maior qualidade do cinema é também seu maior defeito. Ter muito tempo para a preparação pode fazer com que o ator fique pouco espontâneo. Mas, no filme, a gente sempre guardava umas surpresas para a hora da cena.

O que faz com que essas surpresas aconteçam?
O momento da filmagem, porque quanto a diretora grita "ação" é diferente do ensaio. É naquela hora que está valendo, é aquilo que o espectador vai ver. Vários atores dizem que sempre preferem a primeira, mas eu não acho. Das dez tomadas de uma mesma cena, cada uma tinha uma coisa diferente, eu sou muito assim.

Tem alguma cena improvisada que você destacaria?
Ah, são muitas, mas a cena com o Heitor Martinez foi a mais improvisada, a do surfe também.

Você já sabia surfar?
Então, quando eu era mais novo ia muito pro Guarujá (SP) com minha família, então eu já nadei muito na minha vida. Só que quando eu falava isso todo mundo achava que era mentira, afinal, sou branquinho, paulista... No dia da filmagem tinham oito salva-vidas. As cenas com a Bruninha (Bruna Marquezine) não foram ensaiadas porque eu pedi. Os dois estavam tão emocionados que ficou bonito, daquela forma que está no filme. Falei para a Bruna que deveríamos investir no silêncio porque há mais coisas não ditas e guardadas do que a gente vai conseguir falar.