Dan Stulbach (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

Como você se envolveu com Viva Voz?
Fiz um teste com Paulo Morelli (diretor de Viva Voz) indicado pelo seu sócio (na produtora O2 filmes) Fernando Meirelles. Na época, fiz o casting (teste de atores) para Cidade de Deus e o Fernando me indicou para Viva Voz. Fui fazer uma leitura do roteiro com o Paulo e ele me chamou para fazer o filme.

Isso foi há quanto tempo?
Três anos.

Que tipo de público vai gostar desse filme na sua opinião?
Acho que todo mundo. É uma comédia bem escrita, para pessoas de todas as idades. Não vou dizer que é um filme família porque vai ficar parecendo que é careta, mas não é. É para quem quer se divertir.

Para fazer o Marcos de Mulheres Apaixonadas, você leu textos de psicologia e visitou ONGs para pesquisar. E para fazer Duda, qual foi o tipo de pesquisa?
O Duda foi um trabalho mais clássico do que o Marcos. Como era uma novela, o Marcos era uma obra mais aberta, já a composição do Duda era mais fechada porque seu perfil já estava pronto. Para o filme, pesquisei toda a história da vida dele, toda a gênese do personagem: como era o pai, a mãe, como era a relação dele com todo mundo para que ficasse do jeito que ele é e parecesse verossímil para quem assistisse ao filme. Na hora a gente também inventou bastante.

Você se inspirou em alguém?
Não. Pensei em mim mesmo, nas minhas indecisões e loucuras, e fui colocando tudo isso lá.

O Marcos e o Duda são dois personagens totalmente opostos. Com qual dos dois você mais se identifica?
Com nenhum. Os dois são parecidos somente na insegurança, mas, a partir daí, cada um partiu para um lado da vida. O Marcos é um louco violento e o Duda é um louco indeciso. Não sou nem uma coisa nem outra, mas, como todo ator, procurei despertar em mim mesmo essas emoções adormecidas e, no caso deles, muito fortes.

Como você acha que o público acostumado com seu papel na novela vai receber seu personagem de Viva Voz?
Vai levar um susto, pois é um personagem bem diferente do Marcos. Mas acho que é uma boa surpresa. Fico feliz em poder mostrar um trabalho diferente daquele e que assim seja, que eu continue mostrando trabalhos diferentes sempre.

Você faz teatro, cinema e televisão. Quais são as diferenças entre essas três artes e qual é sua preferida?
Eu fiz mais teatro do que qualquer outra coisa. É o veículo no qual posso dizer mais coisas pessoais e ter um controle maior sobre tudo que é feito. Enquanto esta é uma obra pessoal do ator, o cinema é do diretor. Filmes levam mais tempo para ficarem prontos, levando até quatro ou cinco anos para estrear. Eu gosto de cinema porque ele é muito bem cuidado, você pode se concentrar mais na interpretação. A televisão, em geral, é rápida e, em muitas vezes, não dá para trabalhar bem os personagens. Eu tive a sorte de fazer Mulheres Apaixonadas, que era muito bem cuidada e o personagem bem escrito. Então, adorei fazer TV. Dá para adorar fazer tudo isso, depende da maneira que é feita.

Viva Voz é produzido pela O2 Filmes e pela Globo Filmes. A primeira faz filmes publicitários e a segunda é da maior rede de TV do Brasil. Você acha que a entrada de produtoras publicitárias e de TV na produção de filmes é o caminho para que o cinema brasileiro melhore cada vez mais?
Claro que sim. É bom para a televisão também, para a imagem da Rede Globo ao investir em outras áreas. Para o cinema, é bom porque ganha uma outra mídia, uma parceira de trabalho. Espero também que o teatro ganhe com isso em breve para que a gente possa ter nessa área essas mesmas possibilidades que o cinema tem. A parceria é o segredo em um País onde a produção cultural é tão difícil, também por razões prioritárias do governo que não destina tanta verba para essa área.

Como você recebe essas comparações com Tom Hanks? Isso te incomoda?
Acho uma bobagem, na verdade. Para mim tanto faz. Eu brinco, imito, meus amigos já falavam isso antes, mas não dou muita importância para isso.

Seu papel em Mulheres Apaixonadas virou uma referência em sua carreira?
Sim, o que é natural, né? Foi quando o público em geral passou a me conhecer. No teatro o papel mais marcante foi na peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz, que me levou à televisão. Espero que tenha outros personagens que também virem referência em minha carreira.

E no futuro? Você pretende focar sua carreira mais para o cinema?
Eu espero poder fazer um trabalho bom como foi Mulheres Apaixonadas, pois foi uma oportunidade maravilhosa, seja em televisão, teatro ou cinema. Fazer filmes é o que está mais fácil dentro de minhas escolhas, mas não decidi ainda qual será o próximo trabalho.