Daniela Escobar

08/03/2010 17h40

Por Angélica Bito

Durante um fim de semana de filmagens de 400Contra1 - Uma História do Comando Vermelho em Curitiba, batemos um papo com a atriz Daniela Escobar. Com os cabelos completamente descoloridos – processo feito por ela mesma, no banheiro do hotel onde se hospedou na cidade -, figurino setentista espalhafatoso e descontração, a atriz falou sobre sua personagem, Teresa, mulher que se envolve com o protagonista da história, William da Silva Lima (Daniel de Oliveira). Ela falou não somente por essa mudança radical no visual, mas também como compor e definir sua personagem.

Confira: Texto e fotos por Angélica Bito

Como você define sua personagem?
Ela é uma psicopata. Estamos contando a história de uma psicopata, mostrando que uma mulher também é capaz de praticar atos de maldade com requinte. É uma pessoa que não tem consciência alguma: ela não sofre, não se comove, não se emociona, não se sente culpada em momento algum. É uma mulher de porta de cadeia que apanha do marido, que vem a ser um dos carcereiros do presídio de Ilha Grande. Mas, o que parece ser uma coitadinha se transforma nisso que vocês podem ver um pouquinho hoje: de coitada ela não tem nada, ela está só traçando uma estratégia de como sair dali, como chegar onde quer. Mata o marido sem a menor piedade, foge com um preso que já havia sido caso antigo, traça tudo direitinho; quando vê que o outro já chegou (o ex-amante preso), se livra daquele (o marido). Diria que é o comportamento de uma criança mal criada: eu quero e quero já. Assim é um psicopata, ele tira da frente, elimina os obstáculos e às vezes não precisa nem de muitos motivos, simplesmente tira da frente o que o incomoda. As pessoas também podem se dar conta que a Teresa pode ser como qualquer um: aquele que trabalha com você, seu vizinho, um amigo do grupo... É isso que procurei pensar. Os psicopatas também são sedutores, extremamente inteligente, têm senso de humor e, de repente, quando você vê, estão te manipulando. Ela é uma bandida com requinte de esperteza.

A ideia do cabelo loiro foi sua, né? Como você criou visualmente a Teresa?
Na verdade, a referência visual que a produção me passou eram as chacretes do Chacrinha, dos anos 70. Então, vimos a Rita Cadilac e o cabelo era exatamente este. Então, houve uma sugestão que eles acharam que eu não aceitaria, já que eu teria de destruir meu cabelo, literalmente, e destruí mesmo, achei fantástico. Se a referência era esta, por que não? Nunca tinha feito um trabalho loura descolorida. A referência não era somente a Rita, que se apresentava em cadeias, mas também as namoradas dos internos, as quais vimos por foto e 70% delas tinham o cabelo detonado, de verdade. Embarquei na proposta.

Como foi a preparação antes de começar a filmar?
Ficamos 15 dias fazendo laboratório dentro do Presídio do Ahu.

Você também chegou a dormir lá?
Não, não foi preciso. Bastou pra mim conversar com internos, ouvir de pessoas que mataram falar que mataram com a maior tranquilidade, foi bastante chocante. Também li o livro Mentes Perigosas, da médica psiquiatra Ana Beatriz B. Silva, sobre psicopatas. É uma médica falando do ponto de vista clínico. O livro foi fundamental pra construir a personagem. Até então, achava que era uma mulher que apanhava do marido e por isso fica com raiva da situação, vingando-se dele, mas não é isso: ela somente o tira do caminho, não teve motivo além. É a índole.

Psicologicamente, a personagem é inspirada em alguém real, como ocorre nos outros personagens do filme?
É uma mistura de várias porque não podemos dizer nomes verdadeiros por uma questão de segurança pessoal! É baseado em informações que o William da Silva Lima contou para o Caco sobre pessoas que passaram pela vida dele, na índole de algumas específicas.