Diego Luna

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

Por que você resolveu fazer parte deste remake?
Primeiro porque eu não havia visto Nove Rainhas antes de me mandarem o roteiro de 171. Resolvi fazer o filme porque gostei muito do roteiro, o achei muito inteligente. Preferi não ver a versão argentina antes de acabar as filmagens porque sabia que os atores tinham feito um ótimo trabalho e não queria me sentir pressionado. Além disso, queria tomar minhas próprias decisões em relação ao personagem.
Acho que 171 vai fazer com que, de alguma maneira, os americanos se interessem por filmes argentinos e saibam quais são as histórias que estão sendo contadas no país. Também acho que eles vão começar a se interessar, também, pelas figuras que compõem a América Latina. Saber que Gregory Jacobs escolheu refilmar um longa-metragem latino-americano me dá esperanças que esse interesse também aconteça por parte de outros americanos e, quem sabe, apareça um Presidente dos EUA interessado nessa cultura (risos).
Hoje, você não vê muitas histórias novas, os filmes sempre têm uma estrutura parecida. O diferencial fica nos atores e nos diretores. Este filme (171) tinha uma grande diferença: a cidade de Los Angeles é mais do que uma locação, é um personagem. É um retrato de uma cidade rara, com muitas culturas, parecida com São Paulo ou qualquer outra cidade grande. Acho que este filme é bem diferente do original: passa-se em outra cidade, outra época e numa língua diferente.

Você chegou a ver Nove Rainhas?
Vi três dias depois do final das filmagens, no meu quarto de hotel. Foi como ver um mundo paralelo ao que eu tinha acabado de sair. Foi uma sensação estranha, mas gostei muito do filme e achei que foi bom não tê-lo visto antes, pois é muito bem-feito e eu ficaria com o filme original na cabeça enquanto rodava a refilmagem.

Depois de ver Nove Rainhas, você pensou que poderia ter feito algo diferente em 171?
Não. São filmes diferentes. O fato de Nove Rainhas mostrar a situação econômica do país foi importante e isso só pode ter acontecido nesse filme, e não em 171.

Qual é a diferença de atuar em inglês, espanhol e, agora, em português?
O mais difícil é atuar em português. Apesar de São Paulo ser tão parecida com Cidade do México, sinto que a distância é muito grande. A língua espanhola, predominante na América Latina, faz com que nos sintamos mais perto de mais pessoas dessa região, o que não acontece coma língua de vocês. Esta e a primeira vez que trabalho em português, então essa língua exige mais concentração. Meu personagem nesse filme é um rapaz que passa seis meses por aqui. Por isso, não preciso falar tão bem quanto vocês. Mas, no final das contas, as diferenças não são tantas em um mundo onde cada um vive sua própria tragédia, independente do idioma falado.

Como está sendo trabalhar no Brasil?
Estou muito contente, está sendo genial. A primeira parte de Solo Dios Sabe foi rodada no México, depois o roteiro muda e se passa no Brasil. Aqui, temos somente quatro mexicanos na equipe, o resto é formado por brasileiros. É muito raro rodar um filme em dois países totalmente diferentes, com duas equipes. Mas, ao mesmo tempo, há semelhanças: são dois países onde a burocracia faz parte do dia-a-dia e fazer cinema, tanto aqui quanto no México, requer muitos esforços. Percebo que aqui as pessoas raramente conseguem viver do cinema. Apesar de aqui ter mais filmes do que no México, a sensação é a mesma: não há uma indústria cinematográfica, todos trabalham por amor ao que faz. As pessoas estão interessadas em contar suas histórias, não fazem filmes por dinheiro.
Por causa de Solo Dios Sabe, estou conhecendo as pessoas daqui, desse país que não conhecia e pelo qual estou me apaixonando. O mesmo aconteceu com Alice (Braga, colega de sets de Diego em Solo Dios Sabe), que não conhecia o México.

O que mudou em sua carreira depois que você começou a filmar nos EUA?
Se você quiser fazer muitos filmes, não dá para ficar somente no México. Em outros países, como nos EUA, posso me dedicar cinco ou seis meses a um projeto e passar o resto do ano em casa, por exemplo. Há muitas pessoas nos EUA com quem ainda quero trabalhar e não vou esperar que os irmãos Cohen aprendam espanhol (risos). Mas eu vivo no México, escolho meus projetos lá e quero fazer filmes no meu país, não fico esperando que produtores americanos me liguem, a não ser que surjam roteiros como este (171), inteligente, ao lado de bons atores e diretor, com produtores sérios por trás. Viajar trabalhando é a melhor coisa que pode acontecer. Com minha idade, conhecer o mundo trabalhando está sendo incrível.

Como você escolhe os filmes que faz?
O mais importante é o roteiro, mas também há alguns diretores com quais quero trabalhar. Mesmo sem ler o roteiro, aceito sabendo da experiência do diretor, como em O Terminal, no qual meu personagem seguiu indefinido até o último dia, mas eu queria trabalhar com Spielberg. Quem conta a história de um filme é o diretor, ele que coloca a câmera onde deve estar. Eu, como ator, não passo de uma ferramenta para que ele possa contá-la. Então, tenho de acreditar na história e em quem vai contá-la.

Com quais diretores você gostaria de trabalhar?
Ah, muitos! Como Paul Thomas Anderson, Alfonso Cuarón... Também há aqueles que ainda estão na escola e se mostrarão talentosos daqui a cinco anos, ainda há toda uma geração de cineastas que não conhecemos e que, talvez, eu queria trabalhar.