Eliseu Ewald (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

O tributo a Nelson Gonçalves foi originalmente preparado como uma minissérie para a TV e depois virou filme. Como se deu essa mudança de rumo no projeto?
Pois é, essas coisas são até engraçadas. Você desenha um projeto, estabelece metas e elas mudam, às vezes, para melhor. A princípio, eu queria trabalhar com um tipo de produção voltada para uma área que me interessava muito, que era o de fazer o resgate de uma série de personalidades brasileiras. Aí eu propus ao Diler Trindade (produtor) que fizéssemos vídeos com um custo barato para veiculação em TV a cabo. Na época, a TV por assinatura ainda estava numa fase de implantação e canais como o Multishow e a GNT veiculavam e até co-produziam filmes sobre questões nacionais. O primeiro nome que surgiu e que havia condições favoráveis para que fosse feito era o de Nelson Gonçalves, que na época ainda estava vivo e, além disso, era contratado da BMG, que vivia um momento favorável financeiramente e tinha como participar do projeto. E havia ainda um viés que era o de lançar o trabalho em DVD, que naquele tempo ainda estava dando seus primeiros passos por aqui. Só que quando estávamos com o projeto pronto, um vídeo divido em três capítulos de 25 minutos cada, descobrimos que a realidade já era outra. A GNT e o Multishow receberam ordens superiores para não comprar mais produtos que não fossem originalmente produzidos por eles.


Por que você optou por fazer um docudrama em vez de um documentário?
Eu já pensava nesse feitio desde o início. Era uma experiência que achava interessante em levar para a TV. É claro que era um risco porque o formato meio que engana. Um fã de documentários pode questionar a parte dramática e, por outro lado, a pessoa que se envolve com a parte dramática de repente não gosta da parte documental. Mas era aí que morava o desafio. Eu queria fazer de um modo que as pessoas não notassem a passagem de um estilo para o outro.

O filme não omite nada. Mostra o lado glamouroso do cantor e também a parte decadente, quando ele se envolve com drogas e entra em declínio. A família do Nelson não criou obstáculos?
Pelo contrário, o próprio Nelson fazia questão, na época em que estávamos pensando em fazer o filme, que esse lado fosse abordado. Aliás, essa história do Nelson com as drogas mostra um lado positivo dele. Um lado, digamos, de machão. Machão porque, apesar dele ter tido o apoio da família e de médicos, ter vencido a dependência das drogas foi um mérito dele, do esforço dele, de não admitir ser vencido, dominado.

Por que o filme entrou em cartaz no Rio em julho do ano passado e só foi chegar a São Paulo agora?
O que aconteceu é que ano passado, a RCA, que estava contribuindo com o projeto, estava completando cem anos. Então, eles nos perguntaram se era possível que o filme marcasse a comemoração da data. Nós achávamos uma data precoce para o lançamento. Para você ter uma idéia, a primeira cópia do filme ficou pronta duas horas antes da exibição. E aí aconteceu que várias pessoas assistiram ao filme e ele foi bem-aceito pela crítica e público. Daí ficou em cartaz por várias semanas no Rio.

Quais foram os critérios utilizados para a escolha do elenco?
Como estávamos fazendo um docudrama, precisávamos contar com um elenco aberto a esse formato. No caso do Alexandre foi até fácil, porque ele conheceu e adorava o Nelson. Lembro que nós fomos conversar sobre o projeto e ele foi logo aceitando; não queria nem saber os detalhes. Estava tão empolgado que deu um jeito de filmar mesmo estando gravando para a Globo na época. As participações do Taumaturgo e da Julia também foram fundamentais.