Elysium: Confira entrevista com o astro Matt Damon

Astro interpreta personagem Max em ficção científica

20/09/2013 10h38

Por Paoula Abou-Jaoude, enviada especial do Cineclick

Elysium, uma das ficções científicas mais aguardadas de 2013, estreia nesta sexta-feira. O Cineclick conversou com o protagonista Matt Damon para saber mais sobre Max e, além disso, descobrimos mais detalhes sobre Behind the Candelabra, longa com première no Festival do Rio no qual Damon interpreta um personagem gay.

Confira:

Cineclick – O que te levou até Elysium?

Matt Damon – Bem, algumas coisas. Escolho meus papéis baseado em quem é o diretor do filme. Então, definitivamente, Neil Blomkamp e seu Distrito 9 me levaram até Elysium. Mas há também o benefício de ser um grande filme com uma ideia original, não fazer parte de uma franquia de filme de herói ou remake. Era uma ideia original e isso é extremamente difícil de encontrar. Estou torcendo para que o filme se saia bem o suficiente e que Neil Blomkamp seja recompensado por esse tipo de pensamento. Seria ótimo se mais longas desse tipo fossem realizados. Há muitos diretores criativos como Christopher Nolan por aí tendo boas ideias, mas com um pouco mais dificuldade para concretizá-las.

Cineclick – Seu papel neste filme exigiu muito da parte física. Como foi o processo de preparação?

Damon – Na primeira vez que me sentei com Neill, ele me mostrou uma espécie de graphic novel que havia feito no computador de sua casa, com várias imagens incríveis de Taurus flutuando pelo espaço, o exoesqueleto e todo o resto. E havia também imagens de Max, com sua cabeça raspada, tatuagens e músculos à mostra. Neil foi bastante específico sobre o que esperava para o personagem, o que tornou meu trabalho muito fácil. Recebi ordens de mudança muito específicas. Então, eles contrataram um grande personal trainer, para quem mostrei as imagens de como gostaria de ficar e ele apenas me ensinou como fazer. Passei quatro horas por dia levantando pesos na academia durante muitos meses. Acho que se eu tivesse 20 anos não teria levado tanto tempo mas, como tenho 40, demorou um pouco mais.

Cineclick – No filme, você trabalhou com dois atores brasileiros: Alice Braga e Wagner Moura. Você já conhecia o trabalho deles?

Damon- Acho que todo mundo conhece Wagner Moura por Tropa De Elite, o Brasil não é o único país onde assistiram aos filmes, eu os vi também (risos). Adoro o fato de Elysium ter um elenco tão internacional, você ouve todas essas línguas e todo mundo se entende. Umas das ideias por trás da história é que no ocidente as fronteiras tinham desaparecido porque simplesmente não importavam. O grande problema é a divisão econômica entre os que ficaram e os que foram para Elysium. Se estivesse em qualquer lugar na terra, você estava ferrado. Tenho de dizer que Wagner Moura, Alice Braga, Diego Luna, e Sharito Copley são quatro dos meus atores favoritos em todo o mundo e uma das coisas divertidas sobre fazer este filme era chegar no trabalho e me preparar para atuar com eles.

Cineclick – No filme, a divisão econômica é representada de uma maneira futurística. Mas, se observarmos o mundo como está agora, veremos a pobreza em vários lugares. Você acredita que a divisão social proposta é baseada nos dias de hoje?

Damon – Neil escolheu destacar a pobreza e a opulência e, como todo grande filme de fantasia futurística ou ficção científica, a história é retratada em outro momento mas, na verdade, está mesmo falando sobre os dias de hoje. A diferença que define as experiências entre viver com um dólar por dia e o que temos aqui sentados em Beverly Hills é equivalente à comparação entre as pessoas que vivem em uma estação espacial e as que permaneceram na Los Angeles descrita no filme. Neil se empenhou em fazer um filme sobre os dias de hoje e isso repercutiu mesmo em mim. É incrível assistir a um dos maiores filmes do ano, mas também é necessário refletir se alguém vai se lembrar sobre tudo isso.

Cineclick – Você é otimista ou pessimista em relação ao futuro?

Damon- Sou bem mais otimista sobre o futuro comparado com Neill. Mas isso é algo que eu e Luci (a esposa Luciana Barroso) conversamos muito antes de trazer nossos três filhos ao mundo, porque já tínhamos Alexia naquele momento (filha do primeiro casamento da Luciana). Ultimamente, acredito que a tecnologia terá um papel determinante na salvação do ser humano, mas vamos ter de esperar para ver. Não consigo imaginar outra maneira de responder a esta pergunta além de não ter muita certeza de como o mundo será no futuro, mas espero que não seja nada parecido com o que vimos no filme.

Cineclick – Behind The Candelabra, de Steven Soderbergh, terá première no Festival de Cinema do Rio. Você e Michael Douglas receberam indicações ao Emmy por suas atuações. Como foi a experiência de interpretar um personagem tão extravagante?

Damon- Foi divertido interpretar a vaidade. A parte divertida em interpretar personagens extravagantes durante um período tão longo é que você consegue mostrar seu progresso. Tivemos um grande time de figurino e maquiagem e o trabalho prostético foi incrível. Michael (Douglas) e eu tivemos quatro looks cada um, sentamos junto com as equipes de customização para chegar a este trabalho final, que ficou simplesmente maravilhoso. Espero que entre a cena de operação em Elysium e a da cirurgia plástica em Behind the Candelabra, tenhamos conseguido fazer as pessoas desistiram definitivamente dessas intervenções plásticas (risos).

Cineclick – Sua mãe te visitou no set de Behind the Candelabra no dia em que você filmava uma cena na qual saía da piscina com uma sunga muito pequena e dava um beijo em Michael Douglas. Como ela reagiu a esta situação?

Damon – Ela estava assistindo à cena por um monitor e me lembro de gritar do set "desculpe, mãe!" quando o diretor fez o corte (risos). Lembro também de ouvi-la dizer: "Foi lindo". Ela deu muito apoio e gostava muito da história do filme, então queria que tudo saísse da maneira certa. O maior medo de todos nós era que alguém se comprometesse só pela metade. Michael e eu sabíamos o que tinha de ser feito. Temos muitos amigos gays no mundo das artes e nos preocupamos muito em não cometer nenhum engano e ofendê-los. Conversamos muito para encontrar os detalhes importantes de uma relação amorosa, como as pequenas intimidades de quando eles estão juntos no quarto. Michael e eu passamos muito tempo para compor estes detalhes, porque são eles que fazem acreditar em quão real é aquele relacionamento.

Cineclick – Você guardou a sunga como lembrança?

Damon – (Risos) Bem, nos divertimos muito com ela. Na primeira vez que vesti a sunga, fiz questão de dizer à nossa incrível designer de figurinos, Ellen Mirojnick, que aquela era minha peça favorita. Até então, meu figurino favorito havia sido a sunga verde limão que Ann Roth bolou para mim em O Talentoso Ripley. Mas quando vesti a peça deste filme, fiz questão de dizer a Elle: "Depois de 15 anos, você conseguiu tirar o troféu de Ann Roth" (risos). Era a mesma ideia de peça, mas ela era toda decorada! Então, ela venceu.