Entrevista: "Estar entre os Guardiões foi incrível", diz Chris Hemsworth

O deus do Trovão falou com o Cineclick

26/04/2018 17h32

Por Daniel Reininger

Thor: Ragnarok apresentou uma nova versão do deus do Trovão que se aproxima muito dos Guardiões Da Galáxia, mais leve e divertida. Em Vingadores: Guerra Infinita, esses personagens se encontram pela primeira vez e garantem algumas das melhores cenas do novo filme do Marvel Studios. Conversamos com o deus do trovão Chris Hemsworth para saber mais do personagem no novo filme e entender como foi esse momento, analisar a jornada de Thor nesses 10 anos de MCU e falar de Thanos, claro.

Por sinal, o personagem começa sua jornada na Guerra Infinita exatamente de onde parou em Thor: Ragnarok e possui um dos arcos mais importantes do longa. Confira o bate-papo, mas cuidado com possíveis spoilers:

Como os irmãos Russo explicaram o papel de Thor nesse filme para você?

CHRIS HEMSWORTH: Anthony e Joe disseram que o Thor visto em Ragnarok provavelmente não caberia neste filme, afinal, você pode correr riscos maiores, reinventar um mundo inteiro e recriar a sua versão do personagem se for um filme solo. Mas se você entrar em um grupo, como em Guerra Infinita, precisará ajustar as coisas para encaixar o personagem no tom do filme. Mas aqui realmente temos Thor no seu auge, como Joe e Anthony descreveram. Essa é a versão mais heroica, vingativa, apaixonada, dirigida e comprometida do deus do trovão que já vimos. Então, foi divertido explorar novamente algo bem diferente, mas sem perder elementos vistos nos três filmes do herói.

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Você e Tom Hiddleston já pararam para refletir sobre a jornada de vocês na Marvel?

CHRIS HEMSWORTH: Sim! Tom e eu conversamos o tempo todo sobre a jornada louca da qual fazemos parte. Falamos do crescimento que tivemos como indivíduos, como atores e também como esses personagens. Tem sido uma viagem e somos muito sortudos por fazer parte dela. Sempre me lembro da primeira vez que nos encontramos... foi na casa de Kenneth Branagh, em Londres. Ele tinha nos levado lá para uma leitura do roteiro do primeiro Thor, mas acho que não há ninguém do elenco destes filmes que não reconhece e aprecia esta jornada e não se belisca para ter certeza de que essa oportunidade maravilhosa é mesmo real.

Loki em Vingadores: Guerra Infinita



Como você vê o fato de ter aperfeiçoado tanto esse personagem ao longo dos filmes?

CHRIS HEMSWORTH: Amo o fato de que todos tivemos a oportunidade de fazer algo diferente, colocar nossas ideias na mesa e vê-las tomando forma. E ter a oportunidade de interpretar um personagem novamente, avançar nisso e trazer algo único para ele a cada vez é um desafio real. Mas se você consegue fazer isso, é algo bastante criativo e satisfatório.


Como foi o encontro com os Guardiões da Galáxia?

CHRIS HEMSWORTH: Os Guardiões basicamente estão voando pelo espaço seguindo um pedido de socorro e encontram Thor. Começa com uma confusão interessante e, em seguida, certa fascinação mútua. Mas a tensão vai aumentando entre todos, porque ninguém sabe quem é quem ou o que estão fazendo ali. Foi muito divertido fazer parte desse grupo, porque muitos de nós entramos neste longa como grandes fãs dos filmes uns dos outros.

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Estar lá entre os Guardiões foi um momento incrível para mim. Me senti um fanboy. Fiquei também bastante nervoso, porque me senti estranhamente desconfortável e tive que entender como me encaixar naquele quebra-cabeças. No final, foi ótimo. Fomos capazes de improvisar um pouco e brincar no set. As cenas em que estamos juntos aproveitaram as qualidades únicas de todos os personagens e ter alguém novo naquela dinâmica ajudou tudo a ficar ainda melhor.


Mas vocês ensaiaram essa cena inicial? Ela é simplesmente perfeita...

CHRIS HEMSWORTH: Não houve ensaio. Nós aparecemos, apertamos as mãos, nos apresentamos e começamos a filmar. Precisava ser assim porque seria assim para os personagens também. Então, se eles podem se conhecer dessa forma, seria um grande benefício para a veracidade da cena que os atores também pudessem agir assim. E há muito menos disputa de egos em um cenário como esse do que você imagina. Sério! (Risos).


Em sua opinião, o que diferencia Thanos dos vilões típicos da Marvel?

CHRIS HEMSWORTH: Thanos acredita que superpopulamos o universo e por isso estamos prestes a destruí-lo. Então ele assumiu a responsabilidade de reduzir nossos números para que haja comida e espaço suficientes para todos. Atualmente, os recursos não dão conta da população e ele tem uma abordagem bastante brutal e igualitária de como resolver esse problema.

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Certamente há um tema comum entre muitos vilões dessa magnitude, com ideias megalomaníacas de salvar a todos por meio do genocídio. O que eu não tinha visto ainda é esse poder e motivação em um único indivíduo. E não é apenas a inteligência de Thanos que faz dele um ser formidável, mas também sua força e resistência. Nenhum dos Vingadores e nem ninguém do MCU já encontrou alguém assim antes. Quando li o roteiro, eu corri para o fim para descobrir como diabos iríamos vencer esse cara onipotente.

Thor nas mãos de Thanos

 

Com quem você estava mais empolgado de contracenar pela primeira vez?

CHRIS HEMSWORTH: Os Guardiões, com certeza. Porque eu não conhecia nenhum deles pessoalmente e nunca trabalhei com eles. Além disso, eu estava realmente interessado em ver como nossos personagens iriam interagir. Thor acaba partindo em uma jornada apenas com Rocket e Groot e a dinâmica desse arco foi muito divertida para mim.


Como foi trabalhar com Josh Brolin?

CHRIS HEMSWORTH: Josh tem um grande senso de humor e é muito descontraído. Ele tem uma atitude de não problematizar as coisas, simplesmente fazê-las e por isso não tolera bobeiras. Há uma honestidade nele como ser humano e uma franqueza que chega a ser revigorante quando combinada com seu grande humor. Então, vê-lo trabalhar foi um grande prazer e sinto que aprendi muito com a abordagem dele.


E como foi voltar a trabalhar com Robert Downey Jr.? Ele sempre tomou uma posição de liderança nesses filmes?

CHRIS HEMSWORTH: Robert sempre tomou à frente como um verdadeiro líder e campeão. Sempre houve um grande incentivo dele, um retorno tão grande e constante sobre o que estamos fazendo. Ele está sempre observando, sempre assistindo, não perde o ritmo. Ele é sempre a primeira pessoa a dizer que algo funciona ou que algo foi fantástico. Como um jovem ator, quando entrei nesta franquia, ouvir isso de Robert era como ter um selo de aprovação e ser admitido num clube bem restrito. Mesmo agora, seis, sete anos depois, ele ainda tem essa mesma atitude. É um verdadeiro testemunho de sua humildade, atitude e seu amor por essa franquia e todos esses personagens.

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E para encerrar, como Thor se vira sem o Mjölnir? Ainda mais diante de tanta catástrofe em sua vida.

CHRIS HEMSWORTH: Thor perdeu tudo a esta altura. Ele não tem nem mesmo sua arma preferida mais, que é a coisa que ele acredita representar seu poder e defini-lo como guerreiro. Tudo e todos que eram importantes em sua vida foram destruídos. Então ele tem uma atitude bastante fatalista e dá tudo o que resta para salvar o universo. Isso parece um pouco suicida, mas ele não vê outra opção. Então isso traz à tona algo diferente.

Vingadores: Guerra Infinita já está em cartaz. Veja o trailer: