Entrevista: Falamos com Sebastian Stan, o Soldado Invernal

Sequência de Capitão América estreia na próxima quinta-feira no Brasil

09/04/2014 16h11

Por Daniel Reininger

Sebastian Stan, intérprete do vilão Soldado Invernal no novo Capitão América, falou com o Cineclick por telefone sobre seu retorno à série e sobre o futuro da Marvel no cinema. Seu personagem praticamente não tem falas e mesmo assim consegue intimidar na tela, além de transparecer a disputa interna do homem antes conhecido como Bucky: melhor amigo de Steve Rogers (Chris Evans), agora transformado no seu maior rival. O oponente reflete bem a principal questão da Fase 2 da Marvel: mudanças. E, ao final do novo filme que estreia nesta quinta-feira (10), as coisas nunca mais serão as mesmas.

O Soldado Invernal é um vilão brutal que enfrenta o Capitão América em igualdade. Como foi vivê-lo?

Foi uma honra e estou muito feliz. Tive a oportunidade de trabalhar com ótimas pessoas e o filme é espetacular. Sobre o personagem, bem, ele é realmente durão, afinal as apostas eram grandes dessa vez e precisávamos de uma grande ameaça ao Capitão América. Conseguimos isso.

Bucky era o melhor amigo e modelo de conduta a ser seguido pelo Capitão, agora é o seu grande rival. Fale um pouco sobre isso.

Foi desafiante física e emocionalmente. Não tenho muitas falas no filme e tentava passar o máximo possível desse conflito pelas expressões, ou falta delas em alguns casos. A expectativa dos fãs era gigantesca para ver esse personagem e eles esperam uma coisa idealizada que você tenta alcançar de alguma forma. Foi difícil. Nunca se sabe se vai funcionar, mas os diretores Anthony e Joe Russo me ajudaram a encontrar o caminho.

Sebastian Stan

Sebastian Stan como Bucky no primeiro Capitão América


Como os diretores ajudaram exatamente?

Anthony e Joe me direcionaram ao mesmo tempo em que me deram liberdade para criá-lo. Os dois são ótimos, sabiam o que queriam, mas também quando deveriam se afastar. Eles souberam lidar com dificuldades como a movimentação do personagem, algo que ninguém sabia como seria antes de começarmos as filmagens. O problema é que o Soldado Invernal exige muito fisicamente, especialmente em lutas, mas possui um braço biônico e uma máscara que podem atrapalhar muito nessa hora.

Então, a roupa - especialmente o braço - foi o maior desafio?

Era muito difícil para me mover. O visual é demais, mas o braço limitava muito. Fizemos diversos testes antes de começar a filmar, mas você nunca sabe como será realmente até chegar ao set, colocar o braço e tentar lutar. No final das contas, o esforço valeu a pena.

O personagem tem muitas cenas fisicamente exigentes. Você chegou a arriscar alguma acrobacia sem dublês? Machucou-se alguma vez?

Não fiz nada tão maluco assim, mas tudo era fisicamente muito cansativo. Eu ficava dolorido após cada dia de filmagem. Quando a adrenalina baixava, deitava na minha cama e sentia meu corpo todo doer. Meu ombro ficou dolorido um bom tempo, mas não cheguei a me machucar seriamente.

"Precisávamos de uma grande ameaça ao Capitão América. Conseguimos isso."

Capitão América: O Soldado Invernal

Você disse em outras entrevistas que não tinha ideia do futuro do personagem quando foi escalado como Bucky, ainda no primeiro filme. Qual foi sua reação quando chegou o aviso de que seria o vilão da sequência?

Fiquei extremamente feliz, claro! Não sabia nada antes da confirmação, embora tivesse esperanças de que isso pudesse acontecer. Mas não tem como saber. Como ator, estou no final da linha criativa e sou o último a saber (risos). Estou feliz que decidiram seguir adiante com essa grande história.

Pensando nas habilidades do seu personagem e também no passado de Bucky, você acha que ele seria capaz de matar o Capitão?

Sim. Quer dizer, ele estava programado para isso. Ele não tem escolha e apenas vê o Capitão América como um alvo de extrema importância que precisa ser eliminado a todo custo. O verdadeiro problema é sua mente, totalmente destruída pela H.I.D.R.A. e isso o deixa instável. Ele acaba se mostrando vulnerável. Do outro lado, temos Steve Rogers, capaz de manter o controle em qualquer situação. No final das contas, não é só questão de força. Nesse ponto eles são equivalentes.

+ Leia a crítica do filme

- Possíveis spoilers a partir desse ponto –

Capitão América: O Soldado Invernal

Não sabemos exatamente o que acontece com Bucky no final deste filme. O que acha que ele vai fazer em seguida?

Isso ainda está em aberto, mas certamente será algo divertido. O personagem enfrenta uma questão difícil agora. Ele vai atrás de descobrir quem é e precisa lidar com as coisas que fez. E isso é difícil. Ficar ciente das atrocidades que cometeu no passado terá um impacto tremendo em Bucky. É uma situação complexa e existem muitas maneiras para continuar essa história, mas é impossível saber se ele vai voltar como vilão, herói ou simplesmente desaparecer.

Quem conhece os quadrinhos, sabe que Bucky vira o Capitão América em um determinado ponto.

Verdade. Mas eles não falam comigo sobre essas coisas. Quem sabe o que pode acontecer no futuro, não é?

E o universo Marvel? Como acha que vai ficar depois das mudanças radicais causadas por esse filme?

A Fase 2 trata sobre mudanças e podemos esperar mais novidades, mas não sei detalhes. E não poderia dizer mesmo se soubesse (risos). Vamos todos ter que esperar para saber o que vai acontecer tanto com o universo Marvel quanto com Bucky. Só sei que a Marvel faz um ótimo trabalho e leva as coisas a extremos como nenhum outro estúdio arrisca fazer. Certamente tudo foi pensado com cuidado para o fechamento do arco em Os Vingadores: A Era De Ultron.