Entrevista: Tessa Thompson revela detalhes do set de Creed II

A atriz contou ao Cineclick sobre a amizade com Michael B.Jordan e a entrada de Steven Caple Jr. na direção

04/02/2019 15h10

Por Thamires Viana

Creed II, filme estrelado por Michael B. JordanSylvester Stallone e Tessa Thompson, já está em cartaz nos cinemas. O longa é a continuação da saga Rocky e também do sucesso de 2015, Creed: Nascido Para Lutar, aclamado pela crítica e que arrecadou mais de 170 milhões de dólares nas bilheterias mundiais.

Em entrevista ao Cineclick, Tessa revelou detalhes das gravações do longa e contou que sua relação com Mike, apelido carinhoso da atriz para o colega de elenco Michael B. Jordan, é uma grande amizade que se estende para fora do set.

Além disso, ela nos contou como foi trabalhar com Steven Caple Jr., que assumiu a direção do filme no lugar de Ryan Coogler, e sobre suas expectativas para a recepção do grande público à sequência.

CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA:

CINECLICK: Como a relação entre Bianca, sua personagem, e Adonis (Michael B. Jordan) evoluiu desde que os vimos no Creed: Nascido Para Lutar (2015)?

Tessa Thompson: No primeiro filme, Bianca e Adonis tinham suas próprias esperanças, sonhos, aspirações e coisas para lidar. Eles tentaram se ajudar mutuamente ao longo de suas jornadas, mas entenderam as limitações dos relacionamentos e a necessidade de permitir que os indivíduos fizessem o seu próprio caminho. Eles continuam a atingir esse equilíbrio em Creed II. Eu acho que essa é uma das coisas mais excitantes sobre a relação deles e se torna um amor pelo qual eu realmente torço. O relacionamento evoluiu ao longo dos anos. Nós encontramos Bianca e Adonis vivendo juntos e eles se comprometem oficialmente em estar na vida um do outro. Eu diria que eles estão passando suas vidas juntos de uma maneira real e intensa, enquanto continuam a viver como pessoas individuais. Isso é muito emocionante para mim.

CINECLICK: Como foi se reunir com Michael B. Jordan mais uma vez?

Tessa Thompson: Mike e eu nos tornamos muito próximos e continuamos assim. Nós conversamos sobre tudo, principalmente sobre nossos pensamentos, sentimentos e nossas carreiras. Então, em Creed II nós escolhemos seguir de onde paramos no primeiro filme. Mas muita coisa aconteceu para nós. Cada um de nós fez alguns trabalhos entre os filmes do Creed. Acho que nós dois crescemos de uma forma e estamos começando a nos fazer perguntas maiores: 'o que queremos que nosso legado seja?', 'Como queremos realmente viver nossas vidas?', 'O que queremos que nossas contribuições sejam para nós mesmos, para nossa família, para nossos amigos, para nosso trabalho e para o mundo?' Fomos capazes de trazer um pouco desse pensamento para nossos personagens neste filme.

Cena de Creed 2 - Tessa Thompson e Michael B. Jordan

CINECLICK: Vocês têm um novo diretor em Creed II - Steven Caple Jr. Como foi trabalhar com ele?

Tessa Thompson: Eu não consigo pensar em uma pessoa mais perfeita do que Steven para dirigir este filme. Quando soubemos que o diretor do Creed: Nascido Para Lutar, Ryan Coogler, não voltaria para o segundo devido a seus compromissos com Pantera Negra, fiquei meio trepidante porque nos tornamos tão próximos de Ryan... Éramos como uma família. Nós construímos esses personagens com tanta intensidade e intimidade que parecia estranho estar fazendo a segunda parte com outra pessoa. Mas ele e Steven têm semelhanças tão loucas, já que ambos frequentaram a USC [University of Southern California], Creed: Nascido Para Lutar foi o segundo filme de Ryan, e este é o segundo filme de Steven, ambos ainda estão com seus amores de infância, então eles realmente entendem relacionamentos de longo prazo, amor e esse tipo de intimidade. Eles também têm uma conexão real para contar histórias, honestamente, e eles são cineastas sensíveis e super colaborativos e detalhistas. No primeiro filme, Ryan poderia contar tudo sobre Bianca - sua vida, aniversário, de onde ela é, basicamente, tudo sobre ela. Steven pegou exatamente onde Ryan parou em termos de querer aprofundar os personagens e nenhum detalhe era pequeno demais. Tudo tem um sentido quando você trabalha com esse tipo de sensibilidade e atenção aos detalhes. Parecia que estávamos em casa novamente com Steven.

CINECLICK: Como foi estar de volta na Filadélfia, a casa da franquia Rocky?

Tessa Thompson: Foi como voltar para casa também. Eu amo a Filadélfia e me sinto sortuda por ter vivido lá ao fazer esses filmes. Nós tivemos a mesma equipe do Creed e eu aproveitei essa energia familiar no set. Eu tenho locais favoritos para ir, como bares, restaurantes e shopping. Eu estava ansiosa para voltar! 

CINECLICK: A música é uma grande parte da vida de Bianca e, claro, da sua. Você pode falar sobre o papel que a música desempenha neste filme e sobre suas contribuições?

Tessa Thompson: Para muitas pessoas, inclusive eu, a música é uma coisa tão pessoal. Você faz música, talvez com seus amigos, em seu apartamento, e depois quer divulgá-la para o mundo. Mas primeiro você tem que navegar por influências externas, como gravadoras, colocar seu trabalho na internet ou criar uma imagem - e ainda torná-la autêntica para você. Isso é algo que eu queria trazer para o Creed II. Meu pai é músico, então eu queria muito ter a música de Bianca logo no primeiro filme. Tivemos artistas como Donald Glover, Moses Sumney e Sam Dew se apresentando ou contribuindo de alguma forma, mas eu escrevi muito. Para este filme, foi essencial para mim que a Bianca continuasse a fazer música e que seu som tivesse realmente evoluído e pudesse atingir um público mais amplo com uma plataforma maior. Foi incrível ver como eles trabalham escrevendo uma música do zero. Eu realmente confiei naqueles escritores para me liderar, e eu realizei alguns de seus trabalhos, o que foi muito empolgante e certamente algo que qualquer músico promissor gostaria de fazer. Estou empolgada com a música que fizemos.

cena de Creed 2

CINECLICK: Como foi a experiência de ver Michael e Florian Munteanu, que interpreta Viktor Drago, no ringue?

Tessa Thompson: Fiquei impressionada com a dedicação que Mike e Florian tiveram com essas cenas. No primeiro filme, Mike foi o único não-boxeador trabalhando nas cenas de luta, e ele se mostrou capaz de trazer o físico e os movimentos de um boxeador trabalhando ao lado de profissionais. Desta vez, eu também fiquei impressionada com o compromisso de Florian com o treinamento. Ele é boxeador, então ele sabe o que está fazendo e treinou por meses antes de começarmos a filmar. O nível de dedicação que Florian e Mike deram realmente valeu a pena. Eles estão fantásticos no filme. Florian e Mike ficaram tão perto e observá-los era como vê-los dançar juntos. A irmandade e camaradagem no set foram maravilhosas!

CINECLICK: Este filme tem alguns grandes temas, como honrar o legado da sua família, possuir o seu destino e convocar a sua força interior para ser um campeão, alguns dos quais têm sido os pilares da franquia Rocky. Você é fã desses filmes?

Tessa Thompson: Eu sou! Quando consegui o papel de Bianca, fui fundo e assisti a todos os filmes do Rocky. Durante a turnê de imprensa do Creed, e nos anos seguintes, tive conversas maravilhosas com tantos fãs da franquia. Conheci jovens que assistiram ao Creed e, em seguida, assistiram a todos os Rockys originais e agora têm um relacionamento com esses filmes. Eu sei o quanto significa ter Ivan Drago e seu filho Viktor nessa história. Eu acho que o que o nosso filme faz tão brilhantemente é humanizar essa família, o que você não vê frequentemente com antagonistas. Isso adiciona uma dimensão interessante porque você entende o que as lutas vão custar e o que elas significam para eles. Cria uma dinâmica complexa e emocionante.

CINECLICK: O que você gostaria que o público sentisse ao ver o Creed II nos cinemas?

Tessa Thompson: O coração desta franquia é que é sobre a família e onde você a encontra. Tanto este quanto o primeiro filme nos mostra que a família é mais que sangue, são as relações que você faz. Essa é uma ideia poderosa, especialmente em um momento em que as coisas são tão difíceis. Precisamos lembrar como é importante ser bom para as pessoas ao nosso redor, que há pessoas boas que entram em sua vida e que conseguem mudá-la. Isso é algo que este filme realmente fala. É uma chance de se reunir em um cinema e se amarrar à ideia do que significa ter família e como somos sortudos quando a encontramos.