Entrevista exclusiva: Wagner Moura fala de Praia do Futuro

"Tesão e paixão são coisas que eu entendo", diz ator sobre cenas quentes do filme

15/05/2014 18h30

Por Roberto Guerra

Wagner Moura

Foto: Rogério Gomes

Wagner Moura há muito desejava trabalhar com o diretor Karim Aïnouz (de O Céu de Suely e O Abismo Prateado). O resultado da parceria desejada por ambos chega às telas nesta quinta-feira (15). Praia do Futuro conta a história do salva-vidas Donato (Moura) que, ao fracassar no resgate de um afogamento, conhece o alemão Konrad (Clemens Schick). Por conta da paixão que surge entre os dois, o cearense decide enterrar o passado e recomeçar uma nova vida em Berlim. O ator esteve em São Paulo no início do mês para divulgar o longa e conversou com a reportagem do Cineclick sobre os desafios deste novo trabalho.

Seu personagem fala muito pouco e se expressa mais no olhar e nas atitudes. Foi complicado interpretar de forma tão contida?
Isso acontece com todo ator que se desafia. Chega uma hora que você diz: 'Fodeu, não sei fazer isso' (risos). Mas além das dificuldades do personagem estava a vontade de trabalhar com o Karim. Expressar uma ideia sem colocar na boca do personagem é requinte raro e o Karim gosta disso. E isso exige muito do ator. Como é que eu vou dizer se o personagem não está falando? Homem já não é muito de expressar sentimentos, mas esse cara que eu faço, o Donato, é ainda mais calado. A gente vê um pouco dele no olhar, quando ele nada, quando ele trepa com o outro cara. Ele não tem a clareza do que está acontecendo com ele. Se ele não tem eu também não posso ter. Porque ele sai de Fortaleza? Porque ele deixa aquele menino? Ele não sabe. O irmão pergunta a ele e ele não responde. Isso é bonito, bem complexo de fazer, mas bonito.

Como é a metodologia de trabalho do Karim Aïnouz? Seu set é colaborativo? Você estranha quando vai trabalhar com um diretor diferente?
Isso pra mim é bom. Eu fico tentando aprender com cada diretor novo. Acho que o ator, como criador também, tem de ajudar o cara a fazer o filme que ele quer fazer. E aí é tão bom quando você serve bem àquela proposta, se coloca à disposição. Isso é prazeroso pra caramba. Você vai jogando com ele, vai contribuindo. O processo do Karim é totalmente colaborativo, mas, ao mesmo tempo, ele tem rigidez no comando. Ele é um cara que impõe respeito dentro do set pelo artista que é.

Fazer cenas de sexo homossexual representou um desafio extra?
É da natureza do trabalho do ator colocar seu corpo em situações que ele não está acostumado, que não são de seu cotidiano. Tesão e paixão são coisas que eu entendo. Tenho tesão por mulheres e sei o que é isso. Então o trabalho foi de transferência. Claro, não é uma mulher, mas você vai, você sabe o que é abraçar uma pessoa com desejo, com vontade. Querer transar com alguém. São sentimentos que não são alheios a mim.

Os ensaios ajudaram?
Sabe o que seria muito ruim? Se houvesse entre nós algum ruído, resistência, hesitação. Aí ia ser foda! Mas eu e o Clemens nos tornamos amigos antes, saíamos juntos, nos conhecemos. Fomos criando um processo de confiança mútua e depois vieram os ensaios. Então, quando você chega neste estágio, existe um companheirismo entre os atores. Chega na hora de filmar e a gente diz 'Vamos lá, vamos juntos, vamos fazer'. Então você vai lá e faz seu melhor.

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