Filme que condena aborto estreia dia 15 de novembro no Brasil

Conversamos com o diretor de Blood Money – Aborto Legalizado, que não faz concessões à prática que classifica como assassinato

05/11/2013 19h28

Por Roberto Guerra

David K. Kyle

David K. Kyle:  "O que tem de ser feito é dar opções a essas mulheres e não criminalizá-las"

Foto: Aguinaldo Pedro/Oficina da Imagem

O tema é espinhoso e costuma deixar exaltados ambos os lados da contenda. Quando a palavra aborto é pronunciada invariavelmente convoca-se o interlocutor a se posicionar deste ou daquele lado da trincheira. A polarização da discussão (a favor ou contra) não ajuda muito e o melhor mesmo é informar-se o máximo possível sobre o assunto antes de se pronunciar.

Blood Money – Aborto Legalizado chega aos cinemas brasileiros no dia 15 de novembro expondo o ponto de vista de quem se posiciona contra a prática. A produção norte-americana é dirigida por David K. Kyle, um ex-militar anglicano de 48 anos, pai de quatro filhos e morador de Maryland, no Nordeste dos EUA.

O diretor está no Brasil para divulgar o lançamento do documentário e conversou com a reportagem do Cineclick na manhã desta terça-feira (5) em São Paulo. Kyle não fez concessões em Blood Money nem se propôs a transformar seu filme numa matéria jornalística disposta a ouvir o "outro lado". A produção ataca frontalmente a prática do aborto e a trata como assassinato de inocentes.

"Não porque os pró-aborto tiveram 40 anos de espaço na mídia americana para defender seus pontos de vista. A imprensa nos Estados Unidos é favorável a eles e não falta espaço para defenderem suas ideias. Qualquer manifestação que realizam tem ampla cobertura da mídia. Já os pró-vida não têm esse espaço", justifica Kyle.

Reunindo depoimentos de mulheres arrependidas, médicos, padres e da ex-proprietária de uma clínica que se culpa pelas vidas incipientes que ceifou, Blood Money confronta com veemência a Suprema Corte estadunidense por ter legalizado o aborto no país, algo que classifica como pior que a conivência com a escravidão e equipara a um genocídio autorizado. Não à toa o filme se chamaria O Holocausto Americano.

"Esse seria o título, mas quando comecei a filmar percebi que a questão do dinheiro era muito forte, que havia uma indústria lucrativa por trás das clínicas de aborto. Esse lado ligado ao dinheiro ficou tão evidente que resolvi mudar o título do longa", conta Kyle. A tradução de blood money para o português é dinheiro de sangue.

O diretor diz ainda que dar voz a religiosos foi inevitável, mas que seu filme se pautou por fatos científicos e não convicções religiosas. "Minha motivação foi contar a verdade sobre o aborto. É um filme sobre a vida, a viabilidade da vida. Mas o fato é que nos Estados Unidos quem lidera esse movimento contra aborto é a igreja católica, por isso eles ganharam espaço no filme".

Inteirado sobre a legislação brasileira sobre o tema, e mesmo sendo convictamente contra o aborto, Kyle não aprova a criminalização do ato. "Não porque a mulher é uma vítima. [...] Os EUA têm três mil centros de crise para atenderem a essas mulheres que estão precisando de ajuda, orientação. Em contrapartida são 700 clínicas de aborto. O que tem de ser feito é dar opções a essas mulheres e não criminalizá-las. Elas precisam de compaixão, suporte e amor".

Blood Money – Aborto Legalizado estreia dia 15 de novembro nas principais praças do país. Para quem é contra, a favor ou não tem opinião formada, o filme, mesmo que defendendo apenas um dos pontos de vista do embate, se faz necessário à discussão de um tema importante que costumeiramente é jogado para debaixo do tapete aqui no Brasil.