Flávio R. Tambellini (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

Como surgiu a idéia de transpor o livro de Rubem Fonseca para as telas?
Em primeiro lugar, o Rubem Fonseca é um autor bastante cinematográfico, escreve uma narrativa ágil. Então, eu já tinha lido o livro e gostado muito na época em que ele foi lançado. É um romance policial inovador, cheio de novidades. Até que 15 anos depois reli, achei que dava um bom filme e resolvi entrar nessa empreitada.

O livro tem uma narrativa ágil e complexa. Foi difícil adaptá-lo para as telas?
Foi bastante difícil. Tivemos muito trabalho porque Bufo & Spallanzani é um ótimo livro e é mais difícil adaptar um bom livro do que um livro ruim. Por outro lado, o livro tem muitas histórias, muitas narrativas paralelas. Então, o trabalho teve de ser intenso. A Patrícia Melo começou a trabalhar no roteiro, depois o próprio Rubem Fonseca , aliás, este é o primeiro filme baseado num livro dele no qual ele também assina o roteiro. Depois, trabalhamos os três juntos. Por isso, costumo dizer que uma das poucas vantagens em demorar a captar recursos para um filme é poder trabalhar bem o roteiro (risos). Todo esse trabalho, esse processo de adaptação durou dois anos.

A escolha do elenco foi fundamental para recriar o universo fonsequiano?
Trabalhei com elenco de atores muito bom. O obra do Rubem valoriza muito os personagens e se não tiver atores que transmitam o que são esses personagens o filme se perde. E como cada papel era importante, eu usei grande atores até nos pequenos papéis, porque eles passam credibilidade.

Você esperava que o filme tivesse tanta repercussão em festivais de cinema e com a crítica?
Na verdade, o grande teste vem agora com o público. Por enquanto, o filme está sendo bem recebido por onde passa e isso me deixa muito feliz, porque é o coroamento de um trabalho. Mas o lançamento em circuito nacional é algo mais complexo. O filme já está pronto há dez meses e nós o seguramos o lançamento porque existe toda uma estratégia, muita competição. Agora, chegou a hora de ver qual é a resposta do público.

Qual é sua expectativa?
É tão difícil prever, porque temos que competir com tantos outros filmes fortes: Moulin Rouge, por exemplo, que já está em cartaz, Inteligência Artificial que já vai estrear. É uma batalha dura, mas espero que o filme alcance uma faixa de 200 mil espectadores. Porque também é bom lembrar que Bufo não é cem por cento comercial, de apelo muito popular, é mais fechado; mas ao mesmo tempo tem uma trama com a qual as pessoas se envolvem. Uma coisa que notei é que a produção está tendo uma aceitação muito boa do público jovem. Mas não adianta especular, porque tudo é uma incógnita.

Como você vê o projeto de criação de uma indústria cinematográfica no Brasil e a recente briga de interesses com os representantes do estúdios norte-americanos?
Essa é uma questão complexa. Eu acho que ambos os lados têm de sentar na mesa e negociar, porque ao mesmo tempo que nós precisamos angariar recursos para nossos filmes, temos de conversar com as grandes distribuidoras porque eles também estão produzindo filmes no Brasil, o que é interessante. Existem pontos divergentes e eu tenho certeza que as pessoas, sentando em volta de uma mesa de negociações, vão chegar a um consenso. Não é o enfretamento que vai resolver. Então, temos de negociar, senão vamos chegar a um impasse e o impasse é paralisante.

Qual será seu próximo projeto?
Eu acabei de produzir o filme O Homem do Ano, do José Henrique Fonseca, inspirado no livro da Patrícia Melo, que atualmente está em edição. Como diretor, estou envolvido num projeto que ainda está sendo escrito baseado num romance que ainda não foi publicado chamado Passageiro, de Cesário Melo Franco. Já estou com uma parte dos recursos captada e espero começar a rodar no segundo semestre do ano que vem. Enquanto isso, vou produzir Carandiru, de Hector Babenco.