Hubert, Casseta e Planeta

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

Como surgiu a idéia de levar o Casseta & Planeta para o cinema?
A idéia demorou bastante tempo para ser desenvolvida porque é muito complicado fazer cinema: você precisa de tempo para levantar recursos, preparar um roteiro... Isso tudo tem um timming diferente da televisão, em que a gente faz as coisas rapidamente. Para o filme, tentamos ter um ritmo mais tranqüilo, discutindo todas as idéias, ensaiando. Por isso, quando o filme foi feito, foi tudo num processo muito legal. Todo mundo participou em cada detalhe. Foi um projeto ótimo, que significa um passo a mais em nossa carreira. Fazer cinema, para nós, foi uma grande curtição e espero que percebam o quanto nos divertimos fazendo esse filme.

O filme é totalmente diferente do Casseta & Planeta que estamos acostumados a ver na TV. Foi muito complicado para vocês fazer isso?
Já queríamos fazer algo especial para o cinema. As piadas têm um tempo diferente em relação às feitas para a televisão, são mais elaboradas. O cinema permite que você brinque com o tempo de forma diferente da TV. Não foi complicado, mas sim um desafio se adaptar a esse tipo de linguagem.

E as inserções de merchandising nas próprias piadas do filme, como foi pensado?
Na verdade a gente não quis colocar os merchandising no filme sem sentido algum. Usamos essas inserções publicitárias como mais um motivo para fazermos piada justamente para que isso não incomode o público. Na verdade, essa foi uma das formas que a gente teve de arrecadar dinheiro.

Você acha que a parceria entre TV e cinema é o canal para emplacar de vez a indústria cinematográfica brasileira?
Pode-se dizer que, antigamente, o cinema nacional praticamente não existia. Sua produção era esparsa. Agora, está se desenvolvendo um mercado, uma indústria. A criação da Globo Filmes está dando um fôlego a mais a vários tipos de produções, não somente àquelas que saem da televisão. Isso sem contar que o público está mais aberto a ver filmes brasileiros. A
brincadeira que existia antigamente, que o cinema nacional era mal feito, não existe mais. Hoje os filmes nacionais são perfeitos (claro que não como os de Hollywood), competitivos. Hoje em dia, só vejo com bons olhos esse tipo de parceria. Fora disso, acho até que não há possibilidade de se desenvolver um cinema no Brasil. Inclusive em se tratando de cinema independente: é preciso ter essa parceria para que o público seja maior. Um dos melhores filmes deste ano, por exemplo, foi O Homem Que Copiava que, apesar de ter feito menos bilheteria que Os Normais - O Filme ou Lisbela e o Prisioneiro, é excelente. Então, é isso que interessa: fazer filmes bons. O Brasil é bom nisso e a gente tem de levar isso adiante.