Jean-François Richet

06/07/2009 16h50

Por Heitor Augusto

Jacques Mesrine é um contraditório ícone na França e um completo desconhecido fora daquele país. Um gângster cuja vida tem diversos elementos dignos de um eletrizante filme de ação. Esta foi uma das razões pelas quais o diretor Jean-François Richet e o ator Vincent Cassel se uniram para realizar Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte, em cartaz no Brasil.

Na entrevista exclusiva ao Cineclick, Richet revela alguns detalhes do filme. “Sem Cassel, eu largaria o projeto”, afirmou à nossa reportagem em São Paulo. O diretor também explica do peso da figura de Mesrine na França de hoje, a escolha de fazer um filme em duas partes, as cenas de ação e a opção em contar a história em forma de thriller. Confira a seguir e também não deixe de conferir o bate-papo com Vincent Cassel:

Qual a razão para fazer um filme sobre Jacques Mesrine?

Ele era o inimigo público nº 1 dos anos 1970 e ainda é um ícone nos bairros pobres, a personalidade preferida dos franceses, apesar de ser um marginal. Eu nasci nesses bairros em que ele era cultuado. Mesrine provocava continuamente o Estado, o que agradava os franceses. O que mais me encantou foi filmar o homem, mais do que a lenda.

Mas qual o peso dele hoje? Os jovens conhecem sua história? O que sabem sobre ele?

Os jovens o conhecem, e o filme também ajudou a relembrar sua imagem. Sempre falavam dele, mas sem conhecer minúcias de sua trajetória. Só que, ainda hoje, ele é o símbolo da rebelião na França. Foi um escândalo quando o governo resolveu executá-lo na rua [morto com 19 tiros], episódio que está na segunda parte do filme, Inimigo Público Nº 1 – Parte 2 [que ainda não tem data de estreia]. Na primeira parte, eu mostro a construção da personalidade, ao passo que no segundo ele já é o inimigo declarado.

Há uma grande diferença entre Jacques Mesrine e os outros gângsters. No final da vida, ele transformou sua luta em pública, politizada. Ele quis ser parte integrante das Brigadas Vermelhas, quis intervir no problema da palestina...

Mas a que se deve essa mudança para a ação política?

A prisão, o encarceramento. Lá, durante os anos 70, teve contato com pessoas de extrema esquerda.

Você realmente pensou esse filme em duas partes a serem exibidas separadamente ou foi fruto do processo de roteiro?

Desde o início previ as duas partes, uma não seria suficiente. Mesrine participou de muitos atos heróicos. Portanto, tinha obrigação de filmar todas essas passagens. Se eu tivesse feito, teria de eliminar o aspecto familiar, a construção psicológica.

Por que Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte é um thriller? Este é o único gênero possível para a história?

Porque a vida dele já é um thriller! O primeiro filme é de estratégia e intimidade, ao passo que o segundo já é uma guerra urbana, totalmente diferente. Tiros em Paris, fugas policiais, ação.

E Vincent Cassel como Mesrine? Por que ele?

Sem ele, não faria filme...

Por que?

Ele é o único ator na França quarentão que tem credibilidade na ação e também na sensibilidade. A personalidade de Mesrine é muito instintiva e animal, perfil parecido de Cassel. Se ele tivesse falado que não faria o filme, eu teria saído do projeto.

Quais tipos de pesquisa você fez para contar acontecimentos verdadeiros da vida de Mesrine?

O fio condutor, desde o início, era a psicologia do personagem. Tinha muita coisa a explorar, mas prevalece no filme o que me permitiu entender a sua mudança psicológica. Investigar como um marginal comum vira uma lenda urbana.