Jonah Hill (Cyrus)

05/11/2010 19h49

Por Da Redação

Aos poucos, Jonah Hill consolida seu nome entre um dos principais atores das comédias dramáticas do cinema independente norte-americano. Tanto que já trabalhou com seus principais ídolos, como Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos) e Adam Sandler (Tá Rindo Do Quê?).

Nesta entrevista, Jonah Hill conta um pouco sobre sua preparação para Cyrus, no qual contracena com John C. Reilly e Marisa Tomei. Confira:

Como você descreveria Cyrus?
Jonah Hill: Eu acho que ele é manipulador e não é uma pessoa muito fácil de gostar. Cyrus foi muito prejudicado pela forma como ele foi criado. Ele não foi forçado a conhecer o mundo, fazer amigos e formar relacionamentos. Acredito que muitas crianças querem ficar o máximo de tempo possível com seus pais, mas uma hora esses pais devem dizer ‘olha, aqui está o mundo, você tem que vivenciar as coisas, passar por momentos ruins, momentos bons, conhecer pessoas, conseguir se relacionar’.

Mas Molly, a mãe dele, nunca o deixou fazer isso porque eu acho que ela era muito dependente dele, assim como ele acabou ficando muito dependente da mãe por tempo demais. Os elementos da relação dos dois são muito bonitos, já que eles são grandes parceiros e estão sempre juntos, mas esse relacionamento está muito perto de cruzar a linha entre o saudável e o prejudicial. Isso tudo contribuiu para que Cyrus não saísse e conhecesse o grande e assustador mundo real.

Quão interessante e divertido foi atuar como Cyrus, já que ele, como você mesmo disse, não é um personagem exatamente amável?
Jonah: Dizem que você deve realmente gostar ou encontrar um modo de amar cada personagem que faz e esse foi o personagem mais complexo que eu já encontrei em minha curta carreira. Eu tentava, mas não conseguia encontrar um jeito de me simpatizar por ele; eu não seria amigo dele.

A forma que encontrei para entrar neste papel foi tentar compreender os motivos que o levaram a ser do jeito que ele é, até um ponto que percebi ‘esse cara está realmente perturbado por medo de perder a única pessoa que é importante para ele, por isso ele é tão manipulador’. Não era exatamente culpa dele, então eu consegui chegar perto ao tentar compreender seus problemas, embora eu não consiga gostar dele verdadeiramente.

John e Cyrus passam a maior parte do filme em guerra, quem você acha que é mais manipulador?
Jonah: Acredito que o Cyrus é melhor na manipulação (risos), não só porque ele é meu personagem, mas acredito que não seja da natureza de John ser controlador, que tem um coração mais puro e só busca a felicidade. Mas Cyrus é tão manipulador que ele provavelmente perca horas de sono pensando em coisas para fazer com aquele que se atrever a ameaçar a preciosa relação que ele tem com a mãe.

O que você pensa do estilo de filmagem dos irmãos Duplass, cheio de improvisações?
Jonah: Já trabalhei com bastante improvisação. Nos filmes de Judd Apatow nós improvisávamos bastante, faz parte de minha história e de quem eu sou como ator. O fato de eu ter me tornado um escritor ajuda bastante também, já que a improvisação é completamente inútil se não feita em concordância com o personagem ou a narrativa. Então, como escritor, você sabe se conter nas digressões e não levar o roteiro para um lado completamente diferente, em cenas que nunca seriam usadas no filme. Você tem maior consciência sobre este tipo de coisa.

Como se preparar para um papel mais dramático, como este em Cyrus?
Jonah: Ao fazer uma comédia, você está focado em seu personagem, mas também se preocupa em como o filme está indo e quão engraçado ele está ficando. Se você está fazendo um filme como O Pior Trabalho do Mundo e não faz as pessoas darem boas risadas, você está falhando miseravelmente no que está tentando fazer. Em Cyrus, existem situações bem engraçadas, mas também muitas onde se preza a narrativa e um bom trabalho de personagem.

Em uma grande comédia, quando eu vou ler uma cena antes da gravação também penso ‘a segunda parte dessa cena precisa ser mais engraçada, precisamos de mais intensidade aí’. Mas quando você está em uma cena mais dramática, a atenção é voltada para a imersão no personagem. Você faz a mesma coisa na comédia, mas existe essa camada extra de preocupação, deve-se pensar como fazer cada cena da forma mais engraçada possível. Em um drama não existe essa pressão, embora a forma como você absorve o personagem acabe funcionando como outro tipo de pressão.

Quais são suas grandes inspirações no cinema?
Jonah: Geralmente sou mais influenciado por cineastas do que por atores ou atrizes. Eu amo Martin Scorsese, Paul Thomas Anderson, Steven Spielberg, Robert Zemeckis, Judd Apatow, Alexander Payne e os irmãos Coen. Eu também gosto de Wes Anderson e Noah Baumbach.

Agora, sobre minhas inspirações como ator, a primeira pessoa que eu consigo pensar é Bill Murray, porque ele consegue fazer tanto drama como comédia impecavelmente. Outro que consegue juntar essas duas características é o Adam Sandler. Eu também adoro Ben Stiller e Sacha Baron Cohen. O John C. Reilly é um exemplo perfeito de alguém que faz comédia e drama perfeitamente, assim como o Phillip Seymour Hoffman. Eu diria que meus três preferidos são Bill Murray, Adam Sandler e Dustin Hoffman.