Lilia Cabral (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

Sem atuar em cinema desde 2001, quando estrelou A Partilha, Lilia Cabral tem emplacado nos últimos anos alguns memoráveis personagens nas novelas, como a vilã de Páginas da Vida. Levando às telonas a Mercedes que interpretou na peça Divã por três anos, a atriz prepara-se para encarar o desafio de protagonizar Divã, adaptação da peça teatral a qual estrela e co-assina o roteiro. Enquanto era maquiada para uma sessão de fotos em São Paulo, Lilia conversou com o Cineclick sobre este novo desafio em sua carreira.

Você chegou a cogitar a transformar a Divã, a peça, em cinema antes mesmo do José Alvarenga Jr. procurá-la com esta proposta?
Na verdade, cheguei a cogitar sim, logo no começo, quando montei o projeto. Achava até que poderia ser um programa de televisão, cheguei a mostrar isso. Quando o patrocínio para a peça saiu, fui estimulada a desenvolver esse projeto no teatro mesmo, que é a área que domino mais e esqueci a história. Quando o Alvarenga me convidou, fiquei contente porque, como tinha passado pela minha cabeça, vi que não estava errada lá no começo.

Como foi travado o diálogo entre vocês na medida em que ele foi apresentando ideias para a adaptação de uma peça que você encenou por três anos?
Adorava as ideias dele, eram geniais sempre! É impressionante a criatividade dele. Já havia trabalhado com ele em várias outras oportunidades pequenas, como em Os Normais, A Diarista... Então, era uma vontade já antiga de trabalharmos juntos.

Como foi o processo de adaptação para você, que já estava tão ligada e apegada à peça?
Desapeguei totalmente. Via a forma generosa como o Alvarenga encarou este projeto, então jamais questionei suas escolhas por que acreditava. Algumas coisas que eram discutidas não eram abraçadas por mim por conta do meu ponto de vista como mulher, mas eles acabavam concordando. Ou vice-versa. Minhas opiniões foram mais como mulher do que como protagonista da peça na qual o filme é baseado.

Você chegou a interferir na escolha do elenco?
Não, eu só vibrei muito a cada nome que era confirmado. Primeiro que conheço essas pessoas pessoalmente, o Zé (José Mayer), então...

O José Alvarenga Jr. disse que foi uma luta conseguir Alexandra Richter no elenco deste filme. Como foi a luta?
Foi uma luta mesmo. Mas lutei junto, né? Ela fazia muito bem a personagem no teatro. Então por que não tê-la no filme?

Divã fala muito sobre tabus ao focar uma mulher mais velha e suas questões relacionadas ao sexo. Foi mais complicado desenvolver essa história no cinema em comparação ao teatro?
É mais complicado porque no cinema é mais sério. Na TV você trabalha com seriedade, mas ao fim da cena você já esquece. Então, não se pode falar besteira no cinema, por exemplo. Essa seriedade existe. Não digo que é mais difícil, mas me sinto mais compromissada.

Seu último filme foi em 2001 (A Partilha). Por que você demorou tanto tempo para voltar ao cinema?
Não sei. Não tive tantas oportunidades e, quando recebia convites, estava trabalhando com outras coisas. Também recebi outros convites que não gostei. Quero fazer cinema, mas não é por isso que vou sair fazendo qualquer coisa. Dos roteiros que chegaram nas minhas mãos, nenhum me empolgou.

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