Linda de Morrer: Glória Pires e diretora falam sobre ditadura da beleza e família

Bate papo com protagonista e diretora da comédia

19/08/2015 18h41

Por Iara Vasconcelos

Não há dúvidas de que o brasileiro adora uma comédia. O gênero, que é sempre destaque nas bilheterias, tem sido o responsável por deixar viva a produção artística nacional. Os três filmes mais rentáveis de 2015 eram comédias, e mais, todos protagonizados por mulheres. Um deles era S.O.S Mulheres Ao Mar 2, da diretora Cris D'amato que após narrar as aventuras malucas do trio de amigas, volta as telonas ao lado de grandes nomes como Glória Pires e Suzana Vieira em Linda De Morrer.

"A cultura de comédia está se estabilizando agora no Brasil, apesar de sempre ter um papel significativo no panorama do cinema nacional. Os Estados Unidos fazem mais comédia que a gente, então temos que chamar a atenção desse público de alguma forma", afirma Chris, que aposta no roteiro para escolher um novo projeto para dirigir: "não tenho predileção com um tipo específico de filme, meu negócio é com as histórias. Minha primeira experiência foi com um filme mais 'psicológico'. Sou chata com roteiro, quero o melhor tanto para mim quanto para o elenco com quem trabalho. Seja a comédia de qualquer país, o roteiro é a mola propulsora para agradar o público".

Fanática por histórias interessantes, ela assume ser fã do cinema argentino e das comédias com o ator Ricardo Darín, como Um Conto Chinês, Um Namorado Para Minha Esposa e Relatos Selvagens, um de seus filmes favoritos do ano passado.

No enredo de Linda De Morrer, Paula é uma mulher obcecada com o mundo da beleza. Perfeccionista, ela cria a fórmula definitiva para o fim da celulite, o terror da maioria das mulheres. Apelidado de Milagra, o remédio possui efeitos colaterais até então desconhecidos que acabam por causar sua morte. A partir daí, o espírito da empresária fica pairando pela Terra, podendo ser visto apenas pelo médiu Daniel (Emilio Dantas). É através do rapaz que ela pretende desmascarar o sócio pilantra, alertar as consumidoras do Milagra e se redimir com a filha Alice (Antonia Morais), com quem tinha constantes desentendimentos.

D'amato acredita que o fato de ser mulher e estar em constante contato com o universo feminino, contribui para seu entrosamento com a história: " Toda mulher sabe o que é viver na ditadura da beleza, falo sempre daquilo que conheço, me identifico. Mas minha intenção não era criar uma moral para o filme. A vaidade é uma consequência que leva o encontro de mãe e filha. Um lembrete. Não é uma moral".

A veterana Glória Pires também já se sentiu vítima da patrulha da aparência feminina: "Como figura pública eu estou bastante exposta a isso. Mas eu acho que não são só as famosas que sofrem com o padrão e muitas vezes há uma exposição muito grande das pessoas nas redes sociais. As pessoas acabam virando reféns dessa ditadura. Como cada um lida com isso é muito pessoal".

Apesar de ser uma comédia, Linda de Morrer tem um grande foco nas relações humanas, sejam elas de amizade e confiança, como entre Paula e Daniel, ou entre pais e filhos. Devido a carreira agitada, a mulher acaba negligenciado seu relacionamento com a única filha. Pires acredita que é tudo uma questão de equilíbrio: "A gente que trabalha no entretenimento, que tem uma carreira sólida, queremos ser reconhecidas, bem sucedidas, é nosso ideal de vida. Acho que a chave é saber lidar com essas demandas, sem deixar a família para trás. Todas as mães têm essa questão de se sentir culpada".

Dessa vez, Glorinha não precisou lidar tão fortemente com esse dilema, já que atuou ao lado da filha Antonia Morais na dramédia. Antonia segue os passos da irmã Cléo e juntas são o orgulho da mãe famosa: "É muito prazeroso para mim ver elas nesse caminho, eu nunca agi de uma forma que induzisse elas a escolherem isso, foi algo natural. Está no sangue da família".

Linda De Morrer chega aos cinemas no próximo dia 20.

Assista ao trailer: