Luciano Cury

25/05/2009 17h40

Por Celso Sabadin

Em 1º de junho de 2007, chegou a um restrito circuito comercial do País o documentário Histórias do Rio Negro, um belo registro de uma das muitas viagens científicas que o Dr. Drauzio Varela empreende pelo Brasil. O filme marca a estréia no longa-metragem do diretor Luciano Cury, que conversou com o crítico do Cineclick. Confira o resultado:

Como nasceu o projeto do filme? Como você tomou conhecimento do fato que o Dr. Varela fazia este tipo de viagem e como tudo isso foi formatado como um longa-metragem?
Tudo começou em 2001, quando fui convidado para acompanhar o Drauzio numa de suas viagens com finalidade científica pelo Rio Negro. Foi a primeira vez que estive neste lugar. O Drauzio disse que gostaria muito de fazer uma viagem de São Gabriel da Cachoeira a Manaus de barco, parando pelas comunidades, conversando com as pessoas. Pensamos em registrar esta viagem e nasceu o projeto deste filme.

É a sua primeira experiência em cinema?
Em longa-metragem, sim. Trabalho com cinema publicitário, já fiz videoclipes e projetos para televisão produzidos em cinema, mas longa-metragem é o meu primeiro. É maravilhoso mergulhar num projeto e em todos os seus detalhes por dois anos, quase três. Aprendi muito neste filme e este saldo é enorme, tanto do ponto de vista técnico quanto pessoal.

Chamam muito a atenção no filme as cores e as texturas que você conseguiu passar. Como foi o trabalho de captação de imagens e direção de fotografia? Suponho que seja difícil operar equipe e equipamento no meio da selva...
Filmamos em Super 16. A direção de fotografia é do Claudio Leone, um grande parceiro de longa data. Trabalhei com uma equipe sensacional; pequena, mas muito competente. Realmente, não é fácil filmar na Amazônia. O calor e a umidade são grandes adversários e tivemos de nos preparar bastante antes das filmagens. Fizemos algumas viagens de pré-produção testando câmeras, negativo, traquitanas para estabilizar a câmera no barco, etc. O equipamento que levamos era praticamente dobrado, pois não podíamos correr o risco de quebrar qualquer coisa e não ter como prosseguir a viagem.

O Dr. Varela se mostra bem à vontade diante das câmeras. Quase um "ator". Foi tranqüilo "dirigi-lo"?
O Dr. Drauzio é uma pessoa inteligente, sensível e muito acessível. Gosta de gente, de ouvir histórias e gosta daquele lugar como ninguém. Ele estava muito à vontade durante a filmagem, que por sinal foi uma viagem linda e divertidíssima. Acho que isto está impresso no filme.

Quais as dificuldades enfrentadas para conseguir a distribuição do filme?
Não acho que tivemos muita dificuldade para conseguir colocar o filme no cinema. Talvez tenha sido sorte, mas mostramos o primeiro corte do filme para poucos distribuidores, talvez três, e o Bruno Wainer, da Downtown Filmes, interessou-se pelo projeto e "embarcou" nele conosco.

Você já tem um próximo projeto para outro longa?
Voltamos para a região da "Cabeça do Cachorro" (divisa do Brasil com a Colômbia e Venezuela) outras vezes depois das filmagens do Histórias do Rio Negro e temos 25 horas de material desta região, que vão virar um outro documentário. Já estou em fase final de montagem. Ainda não sei se vai para o cinema ou direto um DVD. O nome deverá ser O que se passa na Cabeça do Cachorro. Temos intenção ainda de empreender outra viagem neste ano sobre outros temas que queremos abordar neste lugar. Tenho um grande projeto, em andamento, sobre Festas Populares Brasileiras que agora, lançando o Histórias do Rio Negro, vou poder me dedicar mais.