Malu Mader (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

Malu Mader é uma das atrizes mais conhecidas pelo público brasileiro, especialmente por seu trabalho na TV. Afinal, o auge de sua carreira aconteceu nos anos 90, quando o cinema brasileiro não estava tão ativo quanto hoje. De qualquer forma, Malu vem ganhando espaço também na produção cinematográfica: Brasília 18% marca seu oitavo filme. Bastante simpática, Malu Mader conversou com o Cineclick não somente sobre o filme de Nelson Pereira dos Santos, mas, também, sobre suas pretensões dentro de sua carreira cinematográfica. Confira.

Como você se envolveu com o projeto de Brasília 18%?
No começo de 2005, um amigo meu falou que o Nelson (Pereira dos Santos) queria me mandar o roteiro, o que já me deixou bastante feliz de antemão. Ele mandou e fiquei encantada por ser um filme dele. Mas, antes mesmo de lê-lo, adorei o fato dos personagens terem esses nomes de personagens da literatura brasileira. Quando li o texto, achei bastante apropriado pro momento. Senti que eu podia me expressar por meio do filme do Nelson e cumprindo uma função do ator, que é dar voz àqueles personagens que dizem tanto sobre o Brasil atual. Só que nessa época eu fui operada. Quando acordei da operação, disse para que liberassem o Nelson para escolher outra atriz porque não era o momento para trabalhar. Mas eles foram muito carinhosos, esperaram me recuperar. Lembro-me da primeira cena que eu filmei foi no avião (a última de sua personagem no filme) e eu tava muito feliz por estar voltando ao trabalho. Mas, logo em seguida, tive uma alergia a medicamentos, o que me deixou mais insegura ainda e preocupada por eles. O tempo todo eu perguntava se não era melhor eu desistir. Por isso, fiquei bastante feliz por trabalhar com o Nelson e bastante grata pelo lado humano da coisa toda. O tempo todo fiquei muito em dúvida sobre a personagem, pois, mesmo lendo o roteiro, eu tinha certeza que era muito ambígua. Eu achava que o Nelson dissiparia minhas dúvidas, mas aconteceu o contrário, ele aumentava ainda mais! Ele ficava o tempo todo não me dando respostas, certamente de propósito, o que foi interessante. Muitas dessas pessoas que caem nesses problemas de ética sabem o que estão fazendo. Mas, por essa distorção moral em geral que vivemos no País, a gente ficou com uma dificuldade de interpretação nessa área. A gente age com uma condescendência porque somos humanos e falhos, mas no fundo a gente sabe o que é certo e o que é errado. Isso tudo tem de ser revisto.

Esse projeto existe há bastante tempo. Quando aconteceram as filmagens?
Eu filmei em setembro, outubro de 2005, mas fui uma das últimas a entrar. Esse roteiro existe há bastante tempo, tanto que o episódio que chamou a atenção do Nelson e fez com que ele começasse esse roteiro também me chamou a atenção, mas desde então ele já deve ter mexido bastante no roteiro.

Como você construiu essa personagem tão enigmática?
Então, não teve muito trabalho de construção porque eu mesma já estava na dúvida em relação ao que ela era realmente. Segundo porque eu estava passando por esse problema de saúde, então tava muito frágil, vulnerável, precisando ser direcionada. Então, entreguei-me às indicações de Nelson pereira e fui deixando a onda me levar. Agora tenho alguns julgamentos, após o filme pronto, mas durante achei até que foi positivo, porque eu não estava muito certa do que estava fazendo. Acho que ela também foi sendo levada, mas na política, ela sempre faz as coisas sem questionar, sendo levada mesmo. Imaginar que aquilo envolve algo tão grande é maluco.

Você é uma atriz superconhecida na TV, mas no cinema sua trajetória é curta se comparada à TV.
Sim, é curta se comparado ao que eu gostaria de ter. Fiquei um longo período sem filmar nada, o que é uma tristeza. Não quero me tornar uma rancorosa frustrada, mas é uma grande pena ter ficado tanto tempo sem filmar nada no cinema. Primeiro que tinha uma época que no Brasil se fazia dois filmes por ano, depois as coisas ficaram mais aquecidas de novo. Nessa época nunca coincidia porque eu estava sempre trabalhando em novelas e teatro. Fico muito triste por ter feito tão poucos filmes porque eu realmente gosto de cinema é o que eu mais gosto de assistir. Ambiciono um dia poder me expressar por meio do cinema, escrevendo dirigindo. Apesar de ser uma coisa que eu ambiciono há muito tempo ainda me parece alho longínquo, porque é difícil, né?

Você disse que sempre pensa em projetos de cinema...
Sim, sempre, várias histórias me inspiram para fazer um roteiro, mas quero dirigir um documentário.

Sobre o que será o documentário?
Sobre o Projeto Villa-Lobinhos. É um trabalho que fazemos junto a crianças carentes. Escolhemos os melhores talentos musicais em várias comunidades e esses escolhidos aprendem a fazer música na instituição. É um trabalho muito bacana. Quero escolher alguns personagens e produzir esse documentário.