Marco Ricca (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

Marco Antonio Ricca, mais conhecido como Marco Ricca, tem uma carreira destacada na TV e o teatro, área na qual atua também como produtor. De uns anos para cá, com a chamada "retomada" do cinema brasileiro, também tem conseguido papéis de destaque no cinema. Um dos mais marcantes foi como o co-protagonista de O Invasor (2001), que marcou seu primeiro trabalho no qual foi dirigido por Beto Brant, experiência repetida em Crime Delicado. O longa-metragem tem um gosto especial para Ricca: trata-se da primeira vez que o galã atua, também, como co-produtor e roteirista. A idéia de adaptar Um Crime Delicado, livro escrito por Sérgio Sant’Ana, surgiu de Ricca, como ele conta, por telefone, em entrevista exclusiva. Confira.

Como foi a experiência de trabalhar como produtor?
Essa foi a primeira vez que me associo à Drama Filmes e faço a co-produção de um filme, apesar de estar habituado a isso no teatro. Crime Delicado é um projeto que eu mentalizei e chamei o Beto Brant para dirigir. Esta é a primeira vez que produzo e não será a última, com certeza.

Por que a escolha de Beto Brant para dirigir Crime Delicado?
Eu adoro o Beto, ele é meu parceiro e não tinha uma pessoa melhor para dirigir este filme. A visão dele sobre esta obra genial me interessa muito. Além disso, trata-se de um universo no qual milito, o teatro. O Beto é muito bom em verticalizar histórias e era isso que eu procurava para Crime Delicado.

Como você descobriu o romance que deu origem a Crime Delicado?
Li há muitos anos e desde então sempre pensei em fazer esta adaptação. É uma história subjetiva demais, eu teria de desvendá-la. Nisso o Beto contribuiu muito. É literatura, fala de artes, engloba tudo que nos interessa.

Você já pensou em adaptar esta história para o teatro?
Não, sempre para o cinema. Ela é cheia de referências imagéticas que só podem ser traduzidas pelo cinema.

Algo que me intrigou em Crime Delicado foi o uso da fotografia em preto-e-branco em algumas cenas. Por que essa escolha?
Foi para intrigar mesmo. Nem queremos explicar o motivo porque o bacana é fazer com que o espectador interprete e, falando sobre a escolha, acabamos perdendo isso.

Como você tem sentido a reação do público em relação ao filme?
É surpreendente. As pessoas se emocionam muito. É uma obra intelectual, mas a essência é sensorial. E tenho percebido que as pessoas saem tocadas do cinema.

Você já tem algum projeto encaminhado para produzir?
Sim. Com o sucesso de Crime Delicado, também ganho credibilidade para produzir mais projetos meus, a captação de recursos é menos difícil. Sem perder o foco, claro, na interpretação.

Leia, também, entrevista com Beto Brant sobre Crime Delicado.