Marcos Paulo (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Felippe Toloi

Considerado um dos grandes atores e diretores da televisão brasileira, o paulistano Marcos Paulo nasceu no dia 1º de março de 1951. Fez parte de marcos históricos da telenovela global como Gabriela, Roque Santeiro, entre outras. Sob o posto de diretor, Marcos Paulo esteve no comando do renascimento da série Carga Pesada. No cinema, participou de Mais Que a Terra (1990) e Apolônio Brasil, Campeão da Alegria (2003), mesmo ano que retornou à frente das câmeras com Diário de Um Novo Mundo, a pedido do amigo e diretor Paulo Nascimento, para interpretar Capitão Eleutério. O Cineclick aproveitou a coletiva do filme em São Paulo - que estréia durante o Festival de Gramado 2005 - para ter uma conversa rápida com o ator.

Cineclick - Você esteve dez anos sem atuar. Fale um pouco dessa volta, por que você quis esse retorno?
Marcos - Na época do filme, eu estava mesmo dez anos sem atuar, fiquei somente dirigindo. Mas, após o filme, cheguei a fazer uma novela inteira (Começar de Novo). As filmagens de Diário de Um Novo Mundo foram feitas em 2003. Mas foi muito bom, porque retomei meu lado ator que estava um pouco esquecido. É uma coisa estranha. De repente, você recebe um convite e planeja voltar. É engraçado, algo absolutamente instintivo.

Cineclick - Com esse retorno em Diário de Um Novo Mundo você pretende seguir atuando? Tem algum plano para roteiro ou direção em cinema?
Marcos - No momento, tenho um projeto novo de direção na TV Globo, agora em cinema eu não tenho nenhum projeto confirmado, mas adoraria, eu gosto muito de atuar em cinema.

Cineclick - Sua amizade com o Paulo Nascimento (diretor do filme) já existe há vários anos. Conte sobre sua experiência profissional e da sua relação com ele.
Marcos - O Paulo faz parte de uma geração gaúcha muito boa, que brotou alguns anos atrás. É uma pessoa muito competente, muito capaz. Eu conheço o Paulo já faz uns oito, nove anos, quando já fazia parte desse grupo, desse núcleo muito forte que produz uma dramaturgia no Brasil bem interessante.

Cineclick - Você concorda que as melhores revelações no cinema brasileiro tem vindo do Sul?
Marcos - Eu acho que existe um pessoal com um potencial muito grande por lá, mas isso não só no Sul. E isso não limita só a diretores e produtores, mas também a atores, que é o caso de Daniela Escobar. O Sul tem exportado muita gente boa para trabalhar aqui no Sudeste.

Cineclick - Obviamente, o sonho de qualquer diretor e ator é ver seu trabalho realizado e competindo nos principais prêmios. Qual a sua expectativa quanto ao Festival de Gramado?
Marcos - É uma produção muito bem-feita, com certeza. As expectativas são as maiores e melhores possíveis. Claro, quando você vê um filme seu concorrendo em um festival, quer que ele ganhe tudo (risos). Agora, a concorrência é forte, a disputa vai ser boa.

Cineclick - Você tem conhecimento dos outros trabalhos que estarão competindo com Diário de Um Novo Mundo no festival?
Marcos - Eu não tenho muito, mesmo por que o Paulo é que está mais ligado nisso. Sei apenas do novo trabalho do Paulo Betti (Cafundó), que será um concorrente muito forte também.

Cineclick - A que você atribui este grande crescimento do cinema nacional nos dez últimos anos? Esse fenômeno tem acontecido somente no aspecto tecnológico ou também no aspecto de interpretação?
Marcos - Se você olhar a grade cinematográfica brasileira, a quantidade de filmes nacionais que estão em cartaz é muito maior que há dez anos. Eu acho que o fato de você produzir em maior quantidade te obriga a ter bons profissionais em todas as áreas, estimulando o crescimento do cinema brasileiro. Isso eu acho fantástico.

Cineclick - Por curiosidade, eu gostaria que citasse algum filme favorito ou um diretor que você admira.
Marcos - Olha, existe um filme que já vi quatro, cinco vezes, e não esqueço, chamado Meu Tio da América (filme francês de 1980, dirigido por Alain Resnais). É um filme que eu admiro demais.