Maria Clara Spinelli (Exclusivo)

01/10/2009 18h00

Por Angélica Bito

Você pode não conhecer Maria Clara Spinelli, mas certamente ela se tornará conhecida depois de sua estreia no cinema, Quanto Dura o Amor?. No filme dirigido por Roberto Moreira, ela vive uma das protagonistas e é uma das grandes revelações do longa. Nascida e criada em Assis, cidade do interior de São Paulo – a qual ainda não abandonou -, a atriz de fala mansa, delicada e corretíssima conversou com o Cineclick sobre este seu primeiro trabalho no cinema:

Como você chegou a este papel e como foi estrear desta forma no cinema?
Fiz teatro por muitos anos e fiquei sabendo deste filme por meio de uma amiga. Fiz o primeiro teste em setembro de 2007 e um mês depois eles me deram um retorno, depois de ter feito outro teste. Acredito que trabalhar em cinema seja o sonho de qualquer atriz e para mim é uma realização, principalmente por começar com uma equipe que já admirava tanto, o Roberto [Moreira, diretor], os atores, o João Godoy [som], o Marcelo Trotta [diretor de fotografia], o Marcos [direção de arte]... Para mim, foi quase uma universidade de cinema porque teoria nenhuma me daria a experiência que tive realizando este filme. Me sinto privilegiada por participar deste grupo.

Você acabou contribuindo muito para o roteiro, que era completamente diferente quando você o recebeu...
Alguns meses depois dos testes, recebi a primeira versão roteiro e quando li fiquei um pouco assustada porque era muito diferente do que eu havia imaginado.

Deu vontade de desistir do filme nesse momento?
Confesso que fiquei muito assustada e fiquei balançada, era um personagem diferente daquele que havia imaginado pelo que disseram durante o teste. Fiquei tensa, num primeiro momento, mas achei que deveria conversar com o Roberto para saber quem era a Suzana de verdade e fazer com a maior verdade possível. Tive uma longa conversa com o Roberto e descobrimos coisas que poderíamos construir juntos em relação à personagem e ao roteiro. Essa conversa que tivemos foi muito boa porque o Roberto é um grande diretor e muito receptivo, o que foi fundamental para o resultado final. O Roberto tem uma generosidade muito grande e percebeu que queríamos a mesma coisa, nosso objetivo em comum era ter o melhor para o filme. Esse encontro meu com o Roberto foi muito feliz nesse sentido porque nós tínhamos um respeito muito grande um pelo outro, além da confiança. Depois do susto ao ler a primeira versão do roteiro, o Roberto foi recebendo muito bem as coisas que eu sugeria, minhas dúvidas e inquietações até chegar ao resultado final. Fiquei surpreendida com o que o Roberto fez a partir daquele material que tinha. Fiquei muito feliz.

Foi complicado para você abrir mão da sua privacidade, da proteção de sua vida social, pelo filme?
Tive muito medo, pensei muito antes de aceitar o papel. Já havia sido convidada a fazer um filme antes, mas naquela época estava mais voltada à minha vida pessoal, não era o momento. Depois que me resolvi, fiquei mais equilibrada e estabelecida, apareceu esta chance. Pensei muito e minha decisão no seguinte: ser atriz ou não, qual a importância disso para a minha vida? Depois que me estabeleci pessoalmente, outras coisas começaram a pesar. Poucas coisas me dão mais prazer do que atuar. Esse é o momento que me sinto mais viva, é como se sentisse que tenho uma função do mundo através da minha arte, quando estou no teatro, por exemplo. Pensei: não posso abrir mão disso por medo. Tive muito medo, ainda tenho porque é tudo muito novo, mas pensei de uma maneira muito objetiva. Ser atriz para mim é muito importante? Certamente sim. Analisei o convite a partir disso. Outra coisa fundamental era a qualidade do trabalho, a dignidade como o Roberto e a Geórgia Costa Araújo [produtora] me trataram o tempo todo. Então, não aceitei o papel só porque quero ser atriz, mas também porque o projeto era do Roberto e da Geórgia, pessoas de confiança, para quem podia entregar algo tão íntimo. Porque foi muita coisa minha. A Suzana não sou eu, é uma personagem, mas assim como a Danni Carlos deu a música dela para a personagem, eu também doei uma parte de mim. Talvez chame mais atenção porque é uma questão menos comum, mas o pedaço de todo mundo está ali. Fiz isso com muito prazer e consciência. É algo que assusta sim, me assustava muito no começo pensar em como as pessoas receberiam o filme, mas as primeiras experiências que tive com a imprensa e o público até agora foram maravilhosas e surpreendentes. As pessoas sabem dividir as coisas e tomo muito cuidado para que continue assim, que elas continuem vendo que aquilo é uma obra artística, é uma personagem, um trabalho que fiz como atriz do qual me orgulho muito.

Como foi a repercussão até agora?
Fui para todos os festivais que o filme passou até agora. O lançamento oficial foi em Assis, na minha cidade, no último fim de semana (de 25 a 27 de setembro). Foi um sucesso absoluto, quase três mil pessoas já viram o filme em Assis nesse primeiro fim de semana. Estava com muito medo porque, além de tudo é minha cidade, ainda moro lá, é a cidade que me viu crescer, viu meus primeiros trabalhos, minha mãe estava presente. Foi uma recepção muito calorosa, muito feliz, as pessoas se emocionaram, receberam bem o filme, assim como em todos os festivais. Pelo que leio pelos comentários das pessoas que já viram, o público é tocado pelo filme, é isso que mais queremos. Estamos muito felizes com isso, queremos mostrar a humanidade dos personagens. Todo mundo é parecido quando sente dor e esta é uma frase que definiria bem o filme. Todos os personagens são muito humanos e o Roberto trata isso de uma maneira tão linda, delicada, e o público consegue perceber isso, ele é tocado pela humanidade dos personagens.

Você tem outros projetos para cinema?
Tem alguns convites para cinema e teatro, mas ainda estão em fase de capitação, sem prazo para serem finalizados. Mas tem muitos convites pintando por aí, por enquanto nada definido, mas espero que em breve a gente tenha mais novidades.

Também conversamos com a atriz Sílvia Lourenço e com o diretor do longa, Roberto Moreira.