Michael Katleman

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

A internet é um veículo cada vez mais eficaz não somente para a busca de informações ou comunicação, mas também para divulgação de filmes. Na impossibilidade de deslocar jornalistas ou o diretor Michael Katleman para que ele falasse pessoalmente sobre sua estréia na direção de um longa-metragem, Primitivo - que chega dia 26 de setembro nas locadoras brasileiros -, foi organizada uma coletiva de imprensa on-line com o cineasta.

"Há um lado bom e um ruim nisso", comentou o diretor durante o "evento" virtual. "O bom é que podemos atingir a todos globalmente e de forma simultânea; o ruim é que existe a perda da interação pessoal durante a entrevista". Diretamente da cidade californiana de Burbank (EUA), Katleman respondeu às perguntas de jornalistas convidados no mundo todo sobre, inclusive do Cineclick. Selecionamos os melhores momentos desse bate-papo. Confira:

Quais foram seus maiores desafios ao filmar seu primeiro longa-metragem (o diretor tem larga experiência na direção de séries e produções feitas para a TV)?
Honestamente, não encararia como um desafio, mais como uma oportunidade. Gostei de trabalhar num projeto que tivesse começo, meio e fim, diferentemente de séries televisivas, nas quais é preciso se preocupar com as longas histórias anteriores vividas pelos personagens.

Gustave (o crocodilo assassino do longa) ainda está vivo? Quantas vítimas ele acumula até hoje? Ele é tão grande quanto vemos no filme?
De acordo com a lenda, Gustave ainda está vivo. Dizem que ele tem mais de seis metros e já tirou mais de 300 vidas.

Por que você escolheu este tipo de história para seu primeiro longa?
Pareceu ser uma área divertida a ser trabalhada. Quando li o roteiro, a idéia de lidar com um assassino escondido pareceu intrigante. Quanto mais pensava nisso e pensava em formas diferentes de fazer com que este crocodilo matasse pessoas, mais era absorvido pela idéia.

Primitivo foi filmado na África. Você e sua equipe experimentaram experiências diferentes ou estranhas por conta da diferença cultural?
Poderia dizer que as experiências mais únicas foram relacionadas à natureza e aos animais que encontramos. Certamente, a cultura é diferente e foi maravilhoso vivê-la.

Por que você decidiu adicionar uma trama política à história de Gustave?
A história se passa no nordeste da África e é muito difícil ignorar a política quando você está filmando lá. A inclusão desse pano de fundo também nos deu mais possibilidades de explorar a ação no filme, independente do crocodilo gigante.

Como você conheceu a lenda deste crocodilo gigante?
A primeira vez que conheci a história foi ao assistir um documentário chamado The Killer Croc. Primitivo é levemente baseado nesse documentário, sobre um grupo de repórteres que resolvem capturar Gustave e colocá-lo em outro lugar que fosse mais seguro, onde pudesse seguir vivo, mas sem matar pessoas.

E eles conseguiram realizar o plano no documentário?
No documentário, Gustave nunca foi capturado. Há várias imagens dele olhando para a gaiola e os repórteres, mas, no final, a gaiola afunda e Gustave escapa.

Quanto há de real e fictício no filme?
A verdade é a seguinte: Gustave ainda está solto, vivendo em Burundi. Uma equipe realmente tentou capturá-lo, mas falhou. E só.

Você mudou a direção da história enquanto escrevia o roteiro ou sempre pensou que gostaria de falar sobre as atrocidades na guerra civil em alguns países africanos?
O roteiro sempre teve esse elemento e era ele que eu mais gostava. Pensei ser uma boa idéia misturar um drama político à história de um predador que vive na água. A intenção era fazer com que o grupo não tivesse nenhuma escapatória: na água, a ameaça seria o crocodilo; na terra, eles poderiam ser ameaçados pela viol6encia da guerra.

Hoje, há vários filmes com criaturas assassinas. Por que você colocou suas mãos nesse tipo de filme?
É um gênero que sempre me intrigou. Estaria mentido se dissesse que não foi divertido criar nosso próprio monstro - seus movimentos, o visual e como ele ataca. É divertido brincar com o lado psicológico, o medo do espectador, de uma forma bem doentia. Fiquei excitado ao criar formas diferentes que o monstro pudesse aterrorizar e dilacerar suas vítimas.

Enquanto filmava Primitivo, você pensava nos materiais que poderia usar nos extras do DVD?
Sim. Uma câmera sempre estava ligada somente filmando o que acontecia nos bastidores da filmagem. Mas o filme passou a consumir tanto nosso tempo e energia que tivemos de colocar de lado esse projeto na maioria do tempo. Acredito que, se continuássemos com ele, seria mais excitante do que o filme em si.

Você teve dificuldade ao fazer cenas noturnas? Você teve de voltar à África para filmar cenas extras ou filmou fora do continente?
As cenas filmadas à noite sempre são mais difíceis, mas elas ficam melhores neste tipo de filme. O longa foi totalmente rodado na África do Sul. Em alguns momentos, tive muita vontade de voltar ao continente africano para filmar novamente as cenas necessárias, mas não tivemos dinheiro suficiente para isso.

Alguma outra produção sobre animais assassinos, como Tubarão, serviu de inspiração para este filme?
Tubarão foi uma enorme inspiração, sou um grande fã desse filme. Na verdade, até assistir ao documentário sobre como Tubarão foi feito já foi inspirador o suficiente pra mim. Também sou fã de filmes B japoneses com monstros, como com baratas e formigas gigantes; acho que qualquer coisa gigante é legal.

Após esta experiência na África, como você acha que as pessoas locais poderiam ser ajudadas?
Os problemas na África são mais graves do que este filme mostra. Há Aids, uma movimentação política, pobreza, racismo... Espero que um dia possamos encontrar as respostas para estes problemas; qualquer coisa que as pessoas possam fazer para ajudar são um passo para a direção certa.

Foram difíceis as cenas filmadas na água? Você chegou a pensar nos perigos que ela poderia oferecer, como animais predadores ou doenças?
Filmar na água sempre é extremamente difícil. Sempre tivemos amostras testadas antes de qualquer cena para ter certeza que o local não estava infestado de parasitas. Percorremos muitos quilômetros para achar trechos de rios garantidamente sem crocodilos. Infelizmente, havia cobras, mas todos ficaram ligados para não serem picados. As complexas cenas noturnas em água foram filmadas num tanque montado em Capetown e elas provaram ser mais perigosas. Numa seqüência, parte do telhado caiu na cabeça do cameraman e o jogou para dentro do tanque. Ele quase morreu!

(veja mais lançamentos em DVD)