Miguel Falabella (Redentor)

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

Grande conhecido pelo público como comediante (quem não se lembra do famosíssimo Caco Antibes do programa televisivo Sai de Baixo), Miguel Falabella é muito mais do que um piadista. Escritor de peças consagrado no mundo inteiro, Falabella ainda tem uma respeitável carreira como ator. É essa a faceta que o "louro, alto de olhos azuis" mostra nas telonas em Redentor. Desta vez exercitando sua veia dramática, ele está na pele de um homem sem escrúpulos no primeiro filme dirigido por Carlos Torres. Sobre Redentor e, também, sobre seus outros projetos no cinema, o simpático Falabella bateu um papo com o Cineclick. Confira:

Você tem uma carreira consolidada como ator e autor para TV e teatro. Não tem planos para escrever para cinema?
Sim, claro. No ano que vem quero, inclusive, dirigir meu primeiro filme. A produção ficará a cargo da LC Barreto. Agora, fazer cinema no Brasil é muito complicado, a gente filmou O Redentor há dois anos e só agora estamos lançando. Estou com o roteiro de Polaróides Urbanas há cinco anos, sabe? Se isso fosse a razão da minha vida, seria uma pessoa triste, amarga. Tenho muito medo de estacionar e não ter mais para onde ir, por isso estou sempre cheio de projetos. Porque o Brasil é um País sem memória, manter-se é uma dificuldade.

Por quê?
Estamos sempre precisando de novas caras, novas pessoas, porque é um vazio que não se preenche. Isso só se consertaria com educação, todo mundo deveria ter uma base igual, o que não acontece aqui.

Como foi contracenar em Redentor com Pedro Cardoso, que também é comediante?
Nós viemos de uma mesma escola de comédia, de besteirol, mas nunca tínhamos trabalhado juntos. Ele é um ator muito bom e sempre que se trabalha com um bom profissional não se há problemas. Por outro lado, somos obrigados a trabalhar com pessoas que acham que ser ator é ser desinibido. Mas, quando a gente tem algo a dizer, o público sabe. O público pode ser pobre, mas não é burro. Jamais. Ele sabe identificar quem é de verdade e quem é de mentira; sabe quem é o bonitinho e a gostosa da vez; sabe tudo. Assim caminha a humanidade, e caminhará sempre.

Como você se envolveu com esse filme?
Fui convidado e fiquei muito emocionado. Eu já conhecia o Carlos desde garoto, ficamos juntos em Paris, e ele é um ótimo diretor. Gostei muito do roteiro, achei ele bem escrito, as idéias foram muito claras, bem colocadas. No primeiro dia de filmagem já percebi que o Carlos era realmente o diretor. Não importa a formação do diretor, quando ele fala com o ator, já sabe como o trabalho vai ser. O Carlos é absurdamente seguro, já sabia o filme que queria fazer e, obviamente, soubemos isso de cara. A partir daí somos igual a cachorro: obedecemos às ordens de comando do diretor.

Você deu alguma opinião ao roteiro?
Não, de forma alguma, principalmente porque também sou roteirista.

Você gosta quando os atores, às vezes, mexem no roteiro?
Não, no meu texto não mexem nem nunca fizeram isso. Às vezes os atores mudam uma coisa ou outra pra ficar mais confortável no papel, mas isso é muito complicado. Em televisão isso acontece mais, mas em teatro não.

E sobre o seu projeto de filme para o ano que vem?
É uma adaptação da peça Como Encher Um Biquíni Selvagem, que eu roteirizei e amei. Quando ficou pronto, fui atrás de distribuidoras para conseguir ajuda, pois, como tudo na minha vida, vou e faço. Só que era a época do Chatô e ninguém conseguia captar nada ninguém dava dinheiro para ninguém... Como trabalho como um condenado, nem fiquei insistindo mais. Isso porque um amigo meu traduziu o roteiro para Nova York e recebemos um laudo maravilhoso. Então, se um cara que conhece de cinema gostou do eu roteiro, achei que eu deveria seguir em frente, mas não deu. Agora, quando encontrei Lucy Barreto em um evento, pedi para que ela lesse o roteiro e ela adorou, queria fazer o filme na mesma hora. Dei o nome de Polaróides Urbanas e só estamos esperando.

Você participou do roteiro de A Partilha (cuja peça é de Falabella)?
Não, o filme é mais uma visão de diretor. Minha peça era mais uma canção outonal, sobre mulheres cuja vida já havia escorrido pelos dedos. O filme tem um outro enfoque, são mulheres no seu apogeu.

Você já tem uma equipe definida para Polaróides Urbanadas?
Não, ainda não. Só sei que quero a Cláudia Jimenez (protagonista da peça).

Então você ainda não convidou ninguém?
Não, ainda não. Quero fazer um trabalho de pré-produção antes. Só sei que será uma comédia urbana e acho que esse gênero de filme está faltando no nosso cinema, é um nicho que ainda precisa ser preenchido. Seria uma retomada mais sofisticada das chanchadas, com uma acidez e humor de classe média.