Murilo Rosa solta a voz em Vazio Coração e diz não ter medo de arriscar

Ator interpreta cantor de sucesso que tenta se reaproximar do pai

18/11/2013 20h25

Por Roberto Guerra

Murilo Rosa

Murilo Rosa em cena de Vazio Coração: "Dublar seria um mico"

Foto: Vantoen Pereira Jr.




Murilo Rosa acha que correr riscos é algo natural à carreira de ator. Com 12 filmes no currículo e dois novos projetos em andamento, Rosa volta às telas de todo o Brasil na próxima sexta-feira (22) em Vazio Coração, longa metragem do estreante Alberto Araújo. Na produção, vive um cantor de sucesso que se afastou do pai (Otton Bastos) depois de uma tragédia familiar. Sem temer o desafio, interpretou todas as nove canções do filme e chegou a subir no palco de um show de Bruno & Marrone no interior de Minas Gerais onde cantou para 30 mil pessoas. O resultado foi tão bom que a gravadora Som Livre resolveu lançar um CD com as músicas do longa, todas inéditas. O ator conversou com a reportagem do Cineclick em São Paulo e deu detalhes da aventura musical.

Quando recebeu o convite para fazer Vazio Coração já estava previsto que você iria cantar de verdade ou isso foi decidido durantes as filmagens?
Fui eu quem exigiu cantar. Estava protagonizando uma novela chamada Desejo Proibido e o Otton Bastos estava fazendo a novela também. Já tinha feito um filme com o Otton, o Orquestra de Meninos, e ficamos amigos. Ele comentou que iria a fazer um filme com um diretor de Goiânia e disse que tinha um personagem que tinha tudo a ver comigo. Então o Alberto Araújo me ligou e começamos a conversar. Li o roteiro e disse que iria fazer, mas queria cantar de verdade e não ser dublado. Este foi meu risco no filme.

Você topou a empreitada com a cara e a coragem ou já tinha alguma experiência com música?
Eu sabia que tinha uma voz afinada, mas nunca havia trabalhado com isso. Nunca sequer fiz aula de canto. Mas este era o desafio. Dublar ou usar qualquer tipo de truque seria um mico, uma coisa muita chata. Quando encontrei com a equipe pela primeira vez para cantar foi uma coisa muito natural. Foi tão natural que no dia seguinte a gente estava no estúdio gravando as músicas para eu ter uma referência. Fiz um trabalho como interprete, de ator, não de cantor, no sentido de ir atrás do sentimento, da emoção da música. E acho que isso funciona na tela. Eu não dou um show nem faço nenhum malabarismo vocal. Jamais poderia participar do The Voice [risos], mas posso interpretar um cantor e acho que para isso é preciso cantar de verdade.

Você interpreta um cantor de músicas românticas populares em Vazio Coração. Gosta desse tipo de música?
Eu sou totalmente eclético, gosto de muita coisa. Curto Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan e ao mesmo tempo Coldplay, Victor e Léo, Legião Urbana e Paula Fernandes. Carla Bruni é uma delícia cantando. Gosto também da Norah Jones, do Roberto Carlos. É mais fácil dizer o que não gosto.

Vazio Coração, assim como outros filmes que fez em sua carreira, tem fácil diálogo com o público. Por que acha que nem sempre essas produções conseguem bons resultados de bilheteria?
Acho que isso vem de uma inexperiência do mercado brasileiro, de como lidar com esse tipo de produção. Quando é comédia é todo mundo na comédia, quando é cangaço é todo mundo no cangaço, quando é favela é todo mundo na favela. É importante para o público ter diversidade. Aparecida – O Milagre não foi bem de bilheteria, fez 400, 500 mil espectadores. Mas já passou na Sessão da Tarde três vezes é foi um sucesso de audiência. O próprio Orquestra de Meninos, que é um filme lindo, teve um circuito ainda mais fechado. Eu acho lindo o que está acontecendo agora com as comédias. Inclusive vou fazer duas em breve. Mas o cinema pra mim é uma escolha de ideias. Ter êxito no cinema não necessariamente tem a ver com bilheteria. O importante é saber que eu tive um porquê de fazer aquele filme. Vazio Coração é um filme de censura livre, que fala para toda a família, não tem um roteiro complexo cheio de tramas paralelas. Pode ser que vá muito bem no cinema, pode ser que muita gente deixe para ver em DVD em casa, ou na TV a cabo, computador. O importante é que o filme está vivo.

Você já escolheu fazer um filme e depois não gostou do resultado final?
Sim, claro, isso acontece. Acontece também de eu querer muito fazer e não ser escolhido. Aqui no Brasil ainda tem uma coisa de que tudo gera um medo. Tem de se pensar demais para fazer. Isso às vezes é chato; você ter essa obrigação com o acerto. O bacana do ator é o risco. Quando você só quer acertar não se arrisca nem entra na zona de desconforto. E é exatamente ali que você cria mais, aprende mais. Em Vazio Coração há uma cena em que canto para 30 mil pessoas. Isso é um risco, vamos ver no que vai dar. Isso faz parte do processo, não se pode temer.