O Hobbit: Leia entrevista exclusiva com Richard Armitage, o Thorin

Ator inglês fala sobre o seu papel como líder da expedição dos anões

12/12/2013 17h12

Por Daniel Reininger

Richard Armitage está no centro de uma das trilogias cinematográficas mais importantes da década: O Hobbit. No papel do líder da companhia dos anões, o ator inglês, mais conhecido por séries de TV antes de aparecer em Capitão América: O Primeiro Vingador, diz que teve dificuldades para viver o personagem duro, porém, generoso, que precisa encarar wargs, goblins, orcs e facções que querem impedir seu avanço.

Em entrevista exclusiva ao CINECLICK, Armitage, que está no Brasil para participar da Comic-Con Experience, maior evento de cultura pop do Brasil, falou sobre as mudanças de Thorin, Escudo de Carvalho ao longo da trilogia, revelou detalhes das filmagens e de sua vida após a fama. A Desolação De Smaug chega nesta sexta-feira (13) e nada melhor do que saber o que esperar diretamente com o líder da expedição.

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Acompanhe o bate-papo:

É inegável a mudança de Thorin do primeiro para o segundo filme, como foi essa evolução do personagem?

Uma das coisas que acho interessante sobre Thorin é que, quando Gandalf está presente, ele tem que se submeter à autoridade do mago. Thorin sempre entendeu isso. Em A Desolação De Smaug, quando Gandalf está ausente, o anão realmente pode mostrar que está no controle. Mas, infelizmente, eles enfrentam dificuldades ainda maiores.

Ficar preso no reino dos elfos é possivelmente o ponto mais baixo da missão. Eles perdem todos os seus pertences, suas armas e toda a esperança. Isso é fundamental para o desenvolvimento dos personagens no segundo filme. Acho que esse é o momento em que Thorin percebe que Bilbo não é apenas mais um homem na missão. Mas sim, um valioso recurso na recuperação da Pedra Arken. É nesse arco de passagem que encontramos Thorin, o qual é mais uma mancha em seu índice de sucesso, que já não é tão bom assim.

Neste filme, Thorin finalmente vê a Montanha Solitária, sua terra natal perdida, pela primeira vez em anos. Qual o efeito disso sobre ele?

É muito interessante porque é uma relação de atração e relutância, a qual eu sabia que seria desafiante desde o início. A missão é a única coisa que o faz seguir adiante. O mapa e a chave são catalisadores que o impulsionam, a promessa de seu reino, de seu trono, além da promessa de recuperar toda a riqueza de seu povo, que são pontos bem pessoais. Por outro lado, o terror que o espera dentro da montanha é tão repulsivo que o afasta, ao mesmo tempo em que o atraí para o local. É um momento muito complicado e emocional para todos os anões, inclusive Thorin.

Você disse que quando começou a interpretar esse papel, Peter Jackson o ajudou a encontrar o líder em si mesmo. Como essa questão se desenrolou conforme você continuou nessa jornada?

Bem, acho que a dificuldade foi, em parte, descobrir como amar esse personagem, já que Thorin não era alguém por quem estava apaixonado inicialmente. Muitas vezes discordei dele, mas, ao mesmo tempo, tento defendê-lo. Creio que aprendi a amá-lo devido à sua lealdade para com seus homens e o fato de que ele lutaria até a morte por cada um deles.

O momento em que, finalmente, chegam à Montanha Solitária, e ele olha para os rostos de seus companheiros anões é incrível. Encontrei outro motivo para amar Thorin naquele momento, em que ele adota uma postura de humildade diante de toda aquela experiência. Ao invés de ter seu ego inflado pela conquista, ele apenas diz: ''Nós fizemos isso juntos'. Então, essa também foi a minha jornada através do filme.

Você e o resto do elenco voltaram para rodar algumas cenas na Nova Zelândia. Qual foi a sensação de colocar as velhas botas e reencontrar os amigos?

Foi maravilhoso, de verdade. Um dia antes de começarmos a filmar, passei pelo local e foi como se nunca tivéssemos ficado afastados. Tinha me preparado. Eu sabia para o que estava retornando, mas demorou um dia ou dois para reencontrar o personagem. Eu estava com um pé dentro e um pé fora por, provavelmente, um dia de filmagem, até que eu o encontrei novamente.

Mas creio que todos voltaram com um sentimento de realização pelo que fizemos no primeiro filme. Para esse retorno queríamos detalhar ainda mais os personagens, definindo melhor a história e afiando a lâmina para o segundo filme.

Como foi voltar a trabalhar com Peter Jackson?

Foi diferente. Acho que o sentimento de confiança entre nós aumentou.  Sempre esteve lá, mas acho que fica muito mais evidente quando você volta a trabalhar com alguém. Alcançamos os resultados muito mais rapidamente, já que eu entendia exatamente o que ele queria, sem que ele precisasse dizer nada.

E, às vezes, as coisas te pegam de surpresa. Eu ia embora depois de filmar uma cena e imaginava como ela ficaria. Quando voltava de manhã, a primeira coisa que Peter fazia era me contar exatamente o que eu tinha imaginado. Eu dizia coisas como, "Nossa! Realmente estamos pensando da mesma forma." Isso foi uma coisa brilhante. E, certamente, nas duas últimas semanas de filmagens, Peter e eu trabalhamos praticamente sozinhos. Nós dois fomos levados ao limite e superamos a última semana juntos. Posso dizer é que foi uma relação baseada na confiança.

Alguns personagens aparecem pela primeira vez no segundo filme, como Legolas, Tauriel, Thranduil e Beorn. Como foi trabalhar com Orlando Bloom, Evangeline Lilly, Lee Pace e Mikael Persbrandt? - cuidado, possíveis spoilers.

Infelizmente, só não tive oportunidade de trabalhar diretamente com Evangeline, apesar de estarmos na mesma cena e termos trocado olhares. Realmente gostei de trabalhar com Mikael, e o mesmo vale para Lee e Orlando.

Participei de uma grande cena com Lee, que foi muito gratificante, porque, como disse antes, é uma oportunidade de ouvir a voz dos anões reclamando o que é seu de direito e não existem tantas oportunidades para isso. Com Orlando também houve uma grande cena em que ele toma a espada Orcrist de Thorin e o acusa de roubo, por ser uma lâmina élfica.

Desde o lançamento de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, sua vida mudou de alguma forma? As pessoas vêm até você para falar sobre Thorin?

As pessoas não chegam a reconhecê-lo. Mas tive uma grande experiência. Estávamos fazendo o lançamento do DVD na Austrália e participei de uma sessão de perguntas e respostas em um cinema e a recepção do público foi ótima. Eu realmente senti o entusiasmo das pessoas em relação ao filme e especialmente ao personagem.

Uma das perguntas principais foi: "Quem é o amor da vida de Thorin?", que é uma coisa sobre a qual eu não havia pensado. As pessoas realmente investem na história e no futuro desses personagens. É algo que estimula você a fazer ainda mais perguntas quando está se preparando para um papel. Então voltei para filmar com tudo isso em minha mente. Eu pensava "essas são as questões que o público quer saber, então preciso ser a voz dessas pessoas".