Paulo Betti (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

O rosto de Paulo Betti é conhecido do grande público. Popular por conta de memoráveis papéis em novelas, também encarnou o divertido detetive Ed Mort, criado por Luis Fernando Veríssimo e Miguel Paiva, no filme homônimo de 1996. Também foi protagonista de Mauá - O Imperador e o Rei (1999), além de ter participado de uma série de produções recentes, como Zuzu Angel, Tapete Vermelho e Querido Estranho. Em 2003, no entanto, Betti encarou um novo desafio: dirigir um filme. Ao lado do diretor de arte e cenógrafo Clovis Bueno, dirigiu o longa-metragem Cafundó, que marca sua estréia nesta área cinematográfica. Sobre esta nova experiência, Betti conversou por e-mail com o Cineclick. Confira:

Você já é consagrado como ator. O que fez com que você chegasse à conclusão que esta seria uma boa oportunidade para estrear na direção?
Eu conheço essa história desde criança. Sempre quis contá-la. Chegou um momento que se tornou inevitável. Pensei fazer em teatro em 1977, mas acabou saindo no cinema.

Como você conheceu a história do João de Camargo?
Eu tinha uns cinco anos e ia visitar meu avô na roça. Ele era um imigrante italiano que trabalhava para um fazendeiro negro (situação não muito usual). Aprendi a enxergar os negros de forma especial, como se tivesse óculos para vê-los numa posição superior, pois observava o dono das terras e ele vivia numa casa grande, tinha automóvel, enquanto meu avô era o lavrador da terra. No caminho da roça, havia a igreja em homenagem a Nhô João, que é o personagem principal do filme.

Grande parte do elenco é composta por artistas locais. Como aconteceu a seleção para o elenco e por que a opção de formar um elenco com esses artistas?
O filme tem muitos bons papéis pequenos. Achamos que seria legal dar chance aos atores sorocabanos e do Paraná. Eles são excelentes.

Quais foram as maiores dificuldades durante as filmagens de Cafundó?
Temíamos a chuva, pois quase todas as cenas eram externas. Não havia opção,
ou o tempo ajudava ou não conseguiríamos fazer o filme. No fim, o tempo ajudou.

Você e Clovis estréiam na direção em Cafundó. Você acha que essa inexperiência foi essencial para o resultado final? Vindos de áreas diferentes, vocês pretendem realizar outras experiências na área de direção de cinema?
Eu já havia trabalhado com o Clovis numa peça de teatro que eu dirigi, O Amigo da Onça, no qual ele fez o cenário. E também em diversos filmes nos quais eu fui ator e ele diretor de arte. Nossa parceria deu certo. Quem sabe não a repetimos no futuro?