Paulo Vilhena

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

Nascido em Santos - cidade litorânea paulista -, assim como Chorão, foi convidado pelo próprio vocalista da banda Charlie Brown Jr. para protagonizar O Magnata, cujo roteiro foi escrito por Chorão. O longa-metragem marca a estréia de Vilhena no cinema, após ter seu rosto conhecido por conta de trabalhos na TV e teatro. Paulo Vilhena conversou com a imprensa sobre este trabalho. Confira:

Como você se envolveu com o projeto de O Magnata?
Caí de cabeça neste projeto. O Chorão me ligou para falar do roteiro e não nos conhecíamos ainda. A primeira aproximação foi profissional e no ato, sem ver o roteiro, concordei. Estava com vontade de fazer cinema naquele momento. Já tinha feito mtos filmes de publicidade e gostava de estar no set, com uma produção maior. Vindo do Chorão, sabia que não seria um filme leve, que a abordagem seria contundente. Ele tem visão da linguagem dos jovens atuais. Também procurei conhecer o trabalho do Johnny (Araújo, o diretor) para ter certeza de que realmente queria fazer aquele personagem.

O que você pensou quando entrou em contato com o roteiro?
O Chorão me explicou a história "por cima" quando nos falamos pela primeira vez. O filme seria sobre um cara que tem uma banda, mas a história não seria só isso: o cara seria um "fudido", vindo de uma família desestruturada, um moleque que tem a possibilidade de tudo e se perde no caminho. Depois, tivemos uma reunião, na qual falamos um pouco mais sobre o projeto. O roteiro passou por sete ou oito tratamentos e, quatro anos depois, é este o resultado.

Como você se preparou para o papel?
Por meio de um trabalho de preparação bastante intenso, principalmente físico. Procuramos buscar a exaustão do corpo e da mente para encontrarmos essa transgressão e loucura que tomam conta do personagem. Pode ser uma doença, um excesso... Em determinado ponto, chegamos à conclusão que ele podia tudo, até roubar uma Ferrari. Trabalhamos esse "poder" dele até no sentido financeiro no sentido dele estar bem-protegido pela situação financeira vantajosa. Ele não teve uma família para dizer "tira a mão daí", sabe? Faz parte de sua criação. Não é somente isso, na verdade, é também uma falta de caráter.

Você já fez outros personagens bad boys?
Na verdade não. Não no mesmo nível de O Magnata. Na verdade, me pintaram como bad boy mais na vida pessoal mesmo. Na verdade, todo personagem tem essa máscara inicial que aos poucos vai se abrindo. Ele não é somente maniqueísta, prepotente e arrogante... Sempre existe um ponto de fragilidade.

Este papel não reforçaria a imagem de bad boy que você carregava anteriormente?
Minha conduta na vida pessoal é independente do trabalho. Acho interessante que o público veja a história, o personagem, mas que não relacione o trabalho a minha vida pessoal. Existe uma variedade de papéis em minha carreira que garantem um contraponto.

Como foi interpretar o vocalista de uma banda em O Magnata?
A cena do show foi bem legal de ser feita, foi o momento em que mais me permiti sair dos eixos. Encarnei realmente aquele cara e a situação me deu mais gás ainda para seguir no personagem.

O Chorão te ajudou na questão da postura de palco naquela cena?
Ele deixou minha interpretação muito livre, para que eu realizasse o que desse na telha, claro que sem sair da história. Ele me indicou alguns filmes para assistir, principalmente Sid & Nancy - O Amor Mata. Já estava subentendido como ele imaginava o personagem pela referência.