Reynaldo Gianecchini

28/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

O fato de Reynaldo Gianecchini ser um homem bonito é uma unanimidade. Em Divã, ele interpreta um aventureiro que se envolve com uma mulher mais velha, vivida por Lilia Cabral. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência, aliás. Mesmo aparecendo em poucas cenas do longa-metragem, ele desempenha papel fundamental para a trama e foi sobre isso, carreira e o filme em si que o ator conversou com o Cineclick.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar em Divã?
A Lilia (Cabral) que me ligou convidando, já a conhecia a um tempinho. Trabalhamos juntos na primeira novela que fiz (Laços de Família) e desde aquela época (2000) nos falamos com certa frequência. Já marcamos uma reunião com Alvarenga (José Alvarenga Jr., diretor do filme) e tive uma certa resistência no começo do projeto porque estava fazendo três coisas ao mesmo tempo: novela, estreando uma peça dificílima (Doce Deleite, a qual estrela ao lado de Camila Morgado) e estava prestes a começar a rodar Entre Lençóis. Com tudo isso eu não teria nem tempo de dormir! Tinha ainda a resistência de ser o cara bonitinho que beija a mocinha, sabe? A televisão já me coloca demais nesse papel e tento dar uma fugida. O que mudou muito e me fez aceitar foi o fato de trabalhar com a Lilia e o Alvarenga, ele tem um humor maravilhoso, uma pegada boa para comédia e é muito elegante. Perdi completamente a resistência em nome deste roteiro. Acho ele muito redondinho, o filme fala sobre uma coisa que é mais ou menos meu lema: é sobre uma mulher que poderia muito bem estar acomodadíssima, como muita gente faz, que resolve quebrar tudo para dar o primeiro passo e buscar algo a mais, quebrar a cara sabendo que o desconhecido que está por vir pode ser perigoso, mas com coragem. Quando vejo que estou acomodado, percebo que é hora de mudar tudo, me jogar no escuro para dar o passo que nunca dei. Este é um personagem pequeno que não vai mudar minha carreira, nem me oferece como ator grandes oportunidades, mas é importante para contar essa história que também quero contar. É um filme bonitinho. Não tenho essa vaidade, neste caso, mesmo sem ser um personagem tão direcional e minha carreira, ele está em função de uma história que quero contar.

Você já encontrou algum personagem em sua carreira que foi direcional?
Vários. Tudo que tenho feito tem me ajudado muito. Tive muitas oportunidades para trabalhar com diretores e de bons personagens mesmo. Um deles, no sentido de abrir portas e dar uma remexida na carreira por ter me dado outras oportunidades que eu não visualizava, foi o Pascoal de Belíssima, um personagem de comédia da novela de Silvio de Abreu. Esse personagem era o antigalã e foi impressionante a quantidade de convites que recebi depois para fazer comédias, ele me abriu portas para me aventurar nesse universo da comédia. Além disso, ele representou um crescimento enorme pra mim no sentido artístico.

No filme, percebe-se um entrosamento entre os atores. Como era o clima nas filmagens de Divã?
Foram sete dias de filmagem e adorei todos eles. Tinha uma descontração muito boa também pela leveza da história. O drama não é barra pesada, mesmo nele existe a comédia, assim como tem drama na comédia. Nesse filme os elementos são misturados da mesma forma que é na vida em si. Sou capaz de tirar sarro de mim mesmo. O set era ótimo, o Alvarenga é muito seguro e camarada com todo mundo, só sendo seguro é possível manter um set leve. A Lilia também é muito legal, jovem e descontraída. Tínhamos cenas delicadas, envolvendo nudez, e ela fez com a maior tranquilidade, era tudo quase na brincadeira, era gostoso ficar no set.