Roberto Bomtempo (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Felippe Toloi

O carioca Roberto Bomtempo sempre esteve transitando entre a televisão, o teatro e o cinema. Nos últimos 20 anos, foi premiado diversas vezes em festivais nacionais, como o de Brasília, e internacionais, como o Festival de Cinema Brasileiro de Miami.

Bomtempo atuou em importantes novelas e minisséries na TV: A Casa das Sete Mulheres, Terra Nostra, O Quinto dos Infernos e A História de Ana Raio e Zé Trovão, entre outras. No teatro, participou de peças como Capitães de Areia, A Aurora da Minha Vida, Um Bonde Chamado Desejo, Raul Fora da Lei e O Santo Parto. Já a carreira do ator de 43 anos nas telonas pode ser vista em A Maldição do Sanpaku (1991), Lamarca (1994), Quem Matou Pixote? (1996), Guerra de Canudos (1997), Mauá e o Imperador (1999), Tolerância (2000) e Dois Perdidos Numa Noite Suja (2003).

Depois Daquele Baile marca a estréia de Bomtempo na direção cinematográfica com o pé direito. O filme conta a história de dois velhos amigos (Lima Duarte e Marcos Caruso) que, ao se reencontrarem, acabam disputando o coração da mesma mulher (Irene Ravache). Confira abaixo a conversa exclusiva, feita durante a pré-estréia do filme em São Paulo:

Existiu algum motivo especial para a ambientação de Depois Daquele Baile ter sido realizada em Belo Horizonte?

Tiveram sim, dois motivos. Primeiro, porque eu queria contar a história desses mineiros. Acho que Belo Horizonte é muito pouco conhecida. Todo mundo conhece o mineiro, em qualquer lugar que você vai tem um. Mas, Belo Horizonte em si, é muito pouco conhecida e é a cidade mais característica de lá, a maior. Então, queria mostra a história desse povo e desse lugar. A peça original homônima é escrita por um autor mineiro (Rogério Falabella) e também se passa em Belo Horizonte. E, em segundo, que pra mim seria o maior motivo, é que minha família é de Belo Horizonte, cresci e vivi na cidade durante um tempo. Foi uma forma também de resgatar minha infância, minha adolescência.

A gente sabe que fazer cinema aqui no Brasil é difícil, principalmente pela falta de recursos e patrocinadores. Sendo assim, acha que o filme superou sua expectativa, você conseguiu realizar tudo da maneira que gostaria?

Eu acho sim, sempre digo que tive muita sorte. Porque eu comecei o projeto e ele não parou em nenhum instante. Tem um ano e meio que terminei o filme e ele felizmente já está sendo lançado. Realmente é um tempo rápido. Tive muita sorte.

Como estreante na direção, você teve alguma dificuldade durante o projeto? Qual foi seu maior desafio?

Acho que o maior desafio veio logo no início, com o lance de convencer os atores a fazerem o filme. Mas, na hora que eles toparam e vieram para as filmagens, sem vaidade, acreditando no projeto que tinha proposto a eles, aí o barco andou, contou muito essa vontade do elenco acreditar no roteiro.

Depois Daquele Baile é um filme bastante sutil, genuíno, diferente do que o novo cinema brasileiro vem apresentando. Você acredita que ainda é possível cativar o grande público com esse tipo de história?

Sim. Eu passei por alguns festivais, o filme ganhou inclusive o prêmio de Melhor Filme em Tiradentes, e sinto que as pessoas estão precisando de afeto, de delicadeza, falar sobre amizade. Tenho me surpreendido com a galera jovem que tem se ligado muito em Depois Daquele Baile. Sempre achei que era um filme para pessoas na faixa dos 40 anos, mas estou vendo como os jovens também estão se emocionando. É difícil você ver jovens assistir a um filme assim com essa sutileza e acabar se comovendo. Que não leva para esses caminhos de sexo, nem de drogas, nem de violência, que fuja desses clichês.

O que vem lhe agradando no cinema nacional atualmente? O que você vem acompanhando e destacaria?

Gosto muito de Beto Brant. Vejo sempre os filmes dele, assisti esses dias a Crime Delicado e adorei. Gosto de Lírio Ferreira, curti Baile Perfumado e agora Árido Movie, que também é muito bom. O filme do Cláudio Assis, Amarelo Manga, também é muito interessante. Walter Salles e Fernando Meirelles, acho dois dos grandes diretores e dois grandes produtores também, alcançaram um patamar de nível internacional. Acho que essa turma do cinema é muito boa e interessante, de um amadurecimento enorme dos realizadores, que está ficando definitivamente profissional.

Depois desse filme bem-sucedido, você já está com algum outro projeto encaminhado pela frente?

Tenho dois projetos. Um, pequeno, que se chama A Terra é Azul, um longa-metragem sobre a história de um aluno e um professor, bastante antagônico. E um filme grande, mais produzido, chamado Sonho Que Não Envelhece, baseado no livro do Márcio Borges, que conta a história do Clube da Esquina, mostrando aquela boemia de toda galera de Belo Horizonte.

Vai seguir mantendo as raízes mineiras em seus trabalhos então?

Exatamente (risos).