Rodrigo Santoro diz que 300 abriu portas em Hollywood

Ator volta ao papel de Xerxes em A Ascensão do Império, continuação do sucesso de 2007

23/02/2014 20h50

Por Roberto Guerra

300: A Ascensão do Império

300: A Ascensão do Império: sequência mostra a origem do personagem Xerxes

Quando 300: A Ascensão do Império estiver estreando no Brasil, em sete de março, Rodrigo Santoro ainda estará no deserto do Atacama participando das filmagens de Os 33, produção sobre os trabalhadores que ficaram presos em uma mina no Chile em 2010. Ao longo do ano, o ator marca presença nas telas nacionais e estrangeiras em filmes como Rio 2, Jane Got a Gun - faroeste em que divide a cena com Natalie Portman -, e Focus, comédia com Will Smith. A carreira internacional de Santoro deslancha aos poucos e muito se deve ao sucesso de 300, como ele mesmo confirma nesta entrevista concedida ao Cineclick no Rio de Janeiro. Em A Ascensão do Império, o ator volta ao papel de Xerxes, desta vez com mais destaque na trama.

Fazer Xerxes pela primeira vez exigiu de você toda uma preparação física especial. Teve de passar por tudo de novo para poder voltar ao personagem?
Sim. Eu tinha feito Heleno e tinha baixado muito de peso. O filme levou dois, três anos para receber o sinal verde. Quando a sequência foi confirmada eu estava ainda mais magro, 12 quilos abaixo de meu peso normal. Daí, tive quatro meses para me preparar. Levei um mês e meio só para voltar a meu peso normal. Depois teve toda a parte de malhação. Eu e parte do elenco éramos treinados por um mariner linha dura lá na Bulgária [país onde a continuação foi rodada]. Três horas de ralação por dia mais a dieta rigorosa. O negócio não era moleza não, cara. Já começava o dia na academia. Foram três semanas bem pesadas antes das filmagens.

O que te atraiu nesta continuação?
Revisitar o personagem foi a primeira coisa que me chamou a atenção porque nunca havia feito isso. E o Xerxes é um personagem muito específico. É um personagem que exige muita coisa. Além da preparação física, são horas e horas de maquiagem para caracterizá-lo. Quando conversei com Zack Snyder [diretor de 300 e produtor da sequência], o roteiro não estava pronto ainda. Mas ele disse que a ideia era a gente explicar um pouquinho aquele personagem, tentar humanizá-lo. Foi isso que achei interessante, mostrar a origem de Xerxes, o que levou ele a torna-se o Deus Rei.

300: A Ascensão do Império

Rodrigo Santoro em cena de A Ascensão do Império: "Desta vez estava mais preparado"

300 – A Ascenção do Império, assim como seu antecessor, usa muitos recursos digitais. Foi mais fácil dessa vez lidar com essa tecnologia?
E fui fazer o filme pensando: "Pô, passaram-se seis anos, a tecnologia avançou, o chroma key, o fundo azul, acho que as coisas serão mais fáceis agora. Não vou mais ter de contracenar com uma fita crepe". E realmente eu não falei mais com a fita crepe, desta vez conversei com uma bolinha de tênis [risos]. Uma bolinha de tênis que ficava se movendo na ponta de um bastão. Eu falei: 'Jura, de novo?!' Mesmo nas cenas de diálogo com outro personagem real, tinha de falar com a bolinha. E isso tudo tem a ver com o fato de Xerxes ser um gigante. Eu não sou alongado digitalmente, quem contracena comigo é que é diminuído. É um trabalho muito técnico mesmo. No primeiro é que eu fui pego de surpresa. Foi uma loucura. Dessa vez eu já estava de certa forma mais preparado para isso. Mas teve coisas que avançaram. No primeiro filme a maquiagem levava seis horas para ficar pronta. Desta vez o trabalho estava mais aprimorado, as técnicas evoluíram e levava quatro horas para estar pronto.

300 abriu portas em Hollywood para você? As coisas ficaram mais fáceis em sua carreira internacional?
Sem dúvida alguma foi um divisor de águas. As oportunidades começara a surgir. Isso é muito claro. Eu não esperava. Aliás, ninguém que participou do projeto esperava, que o filme fosse ser o sucesso que foi. Sabíamos que era um projeto interessante, com uma linguagem diferente. O filme beneficiou a todos que participaram. E em Holywood um sucesso tem um peso, significa alguma coisa. E nesse sentido se você faz parte desse sucesso.