Sam Worthington (Fúria de Titãs)

18/05/2010 15h27

Por Da Redação

Em Fúria de Titãs, refilmagem do longa de 1981, Sam Worthington é Perseus, um semi-deus que tem de salvar sua família das garras do malvado Hades (Ralph Fiennes). Na entrevista, Worthington fala sobre seu personagem ao lado dos colegas de elenco Alexa Davalos, a Andrômeda, e Mads Mikkelsen, o Draco.

O filme é baseado em elementos da mitologia grega. Vocês tinham familiaridade com essas histórias ou foi a primeira experiência?
Sam Worthington: Não sei nos Estados Unidos, mas na Austrália, onde cresci, conhecemos vários dos mitos, como o do Minotauro. Mas, eu não estudei muita mitologia para fazer Fúria de Titãs. Cara, sou eu em uma armadura ao lado de alguns caras com espadas combatendo monstros. Não há uma moral na história. Então, não mergulhei no velho Perseus porque ele não vestia roupas. Acho que não seria algo atraente para os jovens [risos], mas todos sabemos de sua profundidade.
Alexa Davalos: É, tem uma série de coisas que já sabemos, mas também há diversas variações da mitologia ao longo dos anos. Então, o filme compila uma série de elementos.
Mads Mikkelsen: O divertido disso tudo é que, especialmente com deuses gregos, assim como os deuses romanos e a mitologia nórdica, todos eles têm qualidades humanas. Alguns têm ciúmes, outros ganância, maldade, amor, o que reflete a humanidade. Ou seja, é muito fácil se identificar com esses deuses.

Sam, você tem feito muitos filmes carregados de efeitos especiais. Vindo de uma escola dramática de interpretação, existem desafios para você vencer nesses filmes?
Acho que qualquer tipo de atuação é um prolongamento da imaginação, esse é meu trabalho. Atuar é real em situações fictícias. Acho que em um estúdio verde ou sets de filmagens, você está buscando uma absoluta verdade em uma situação absolutamente imaginária. O bom disso é que aprendi em diversas sessões de Avatar que você não consegue interpretar com nada, é impossível. Além disso, seu corpo age diferente se você está batendo em algo que simplesmente não está na sua frente, os músculos não respondem. Conversei com Louis [Leterrier, diretor de Fúria de Titãs] sobre fazer todos os efeitos especiais ou visuais que estariam no filme e utilizar uma fibra de escorpião. Nós tínhamos, se necessário, figurantes vestidos em roupas verdes apenas para facilitar nosso trabalho.

O que ajudou também foi estar em locações em vez de estúdio. Isso muda muito. Só que descobri que atuar sem nada ao redor ou criar detalhes a partir do vazio algo relativamente. Isso é escola dramática, o mesmo de atuar em uma peça, buscar as nuances. Você coloca feijão em um saco de feijão. Se você colocar apenas dois grãos, não fica legal. Quanto mais detalhes são acrescentados, mais fácil fica.

Alexa, como é interpretar uma personagem de coração puro?
Em relação à Andrômeda, minha personagem, ela é incrivelmente forte e ambiciosa. Conversamos muito sobre como ela se parece com Perseu no quesito lugar até o fim, mesmo que isso signifique sacrificar a vida em função do outro. Há muitas semelhanças aí, essa é a conexão entre os dois. Só que ela está lutando contra suas bases – nobreza e hereditariedade – elementos massivos de sua existência que ela vai contra e instintivamente trilha seu caminho próprio.

Vocês eram fãs do original ou assistiram novamente antes das filmagens?
Mads Mikkelsen: Acho que eu era um dos poucos no set que não tinham assistido, mas um dia vou assistir
Alexa: Eu assisti depois.
Sam: Eu vi antes. Todos têm um carinho pelo original, ou seja, pisávamos num terreno perigoso. Qual era a intenção de Louis com a refilmagem? Obviamente, os efeitos especiais. A animação em stop-motion que o Harryhausen [Ray, principal técnico de Hollywood] foi maravilhoso para a época. Aí, tem também os efeitos visuais, que poderíamos melhorar, como você vê na refilmagem. Porém, há outros elementos relevantes para a sociedade hoje, até o meu sobrinho de nove anos. Ou seja, o filme original foi um ponto de partida, mas não queríamos refilmá-lo da mesma maneira. Nossa ideia era colocar modernidade nele. Esse é o segredo de assistir a filmes com essa proposta.
Mads: Mesmo que eu não tenha assistido, acho difícil comparar ambas as produções. Creio que a intenção com o projeto é um tributo de amor ao primeiro. Louis [Leterrier, diretor] ama Fúria de Titãs e, por isso, decidiu refazê-lo e dar a chance para as novas gerações de assisti-lo.

Que tipo de trabalho você fez para construir seus personagens?
Mads: Ah, é só diversão, né? Sério... é como Star Wars de certa maneira. Você tem o seu Luke Skywalker, o Han Solo, tem também sua princesa Leia. Os outros dois garotos, C-3PO e R2-D2. Sério, assim que o Louis pensou o filme. Falei isso para ele, que estranhou. Eu disse, “Esse é o princípio de qualquer jornada épica”. Eles são os arquétipos com os quais trabalhamos.

Sam, em seus últimos filmes você interpretou personagens que se tornaram heróis. Quais é sua definição de herói?
Duas coisas. Um ato heróico não se define pela luta, na verdade é voltar de algo que te abateu e superar. Assim que eu vejo o herói. Queria construir o Perseus como um adolescente problemático. Ele perde sua família e, na minha leitura, esse é o centro do filme. Ele perde sua família adotiva e Perseus é um adolescente rude. Busquei montá-lo dessa maneira, uma pessoa que não escuta ninguém. No meio disso, ele encontra suas qualidades heróicas e descobre como crescer.

Todos os filmes que faço têm muitas semelhanças em relação à dualidade das pessoas, a individualidade, especialmente no caso de Perseus, um semi-deus. Em O Exterminador do Futuro – A Salvação, metade humano, metade robô; em Avatar, humano e alienígena. Ou seja, se você tem um personagem com conflitos internos e o coloca frente a outros conflitos, surgem duas características: ou herói ou vilão, simples assim.