Samuel L. Jackson

25/05/2009 17h40

Por Roberto Guerra

No Brasil para divulgar o filme Violação de Conduta, exibido nesta quarta-feira no Festival do Rio, o ator Samuel L Jackson falou ao Cineclick sobre a produção, na qual volta a dividir a cena com John Travolta, e suas impressões do País.

Você acha que está havendo uma maior abertura para os atores negros nos EUA?
Na verdade, não. Hollywood sempre foi uma grande máquina de fazer dinheiro. Se você consegue atrair público para o cinema, não importa se é negro, amarelo ou branco, você vai conseguir um trabalho lá.

Como foi voltar a trabalhar com John Travolta?
Nós somos muito amigos. Embora neste filme as cenas que fizemos juntos fossem poucas, nós nos encontrávamos muito no set de filmagem. John é um cara superaberto, uma pessoa fantástica; temos muitos amigos em comum e é sempre uma alegria muito grande trabalhar com ele. Na verdade, a sensação que tenho é que nós nunca paramos de trabalhar juntos, porque a química entre nós é muito boa. Esperamos no futuro conseguir fazer outros filmes juntos. O John é o tipo de cara que quando você vê o nome dele associado a algum projeto, e alguém te convida para fazer o projeto com ele, você imediatamente vai aceitar porque sabe que o nome dele é sinônimo de diversão e profissionalismo.

Qual sua opinião sobre as constantes acusações de que o cinema estimula a violência?
Hollywood sempre fez filmes de violência, desde a origem da indústria cinematográfica a violência esteve presente. Tínhamos filmes com armas, com facas, com espadas, com flechas, com mortes, com tudo. As pessoas assistem, elas gostam desse tipo de entretenimento. Hoje, com a tecnologia, a violência adquiriu dimensões novas. Existem coisas explodindo no espaço, as explosões são feitas de maneira melhor. É como já falei anteriormente: Hollywood é uma máquina de fazer dinheiro e a violência é uma forma também de se ganhar dinheiro. As pessoas vão ao cinema ver coisas que não fazem parte do cotidiano delas; ver gângsteres, heróis, vingadores, ou seja, não é sua vida, mas você se diverte com isso. O cinema é um ambiente confiável, você vai vivenciar inúmeros sentimentos ali, de medo, de raiva, mas acaba saindo da sessão ileso.

O que no projeto de um filme te atrai como ator e o que te leva a ser produtor de um longa?
O que me atrai num filme, basicamente, são os personagens. Primeiro, eu me pergunto se pagaria US$ 12 para assistir ao filme. Depois, se o personagem que vou interpretar representa um desafio ou é uma coisa que já fiz. Como produtor, vou atrás de projetos que os grandes estúdios se recusam a aceitar e, nesses projetos, dou chance a atores iniciantes.

O que está achando do Festival do Rio?
Já faz muito tempo que queria vir ao Rio, fui convidado várias vezes para promover filmes, mas toda vez que eu estava me preparando, acontecia algum compromisso de trabalho e não dava. Acho que o Festival do Rio é uma ocasião muito especial, é a primeira vez que eu realmente consegui vir aqui promover um filme. E é importante que o filme seja compartilhado com gente de todo o tipo. O interessante é que num festival deste tipo você tem grandes produções, pequenas produções, que todos podem assistir, pessoas pobres podem assistir. Eu acho o fato de se exibir filmes na praia excelente. Eu espero que isso inspire outras pessoas a terem uma iniciativa como essa.

Você gosta de representar papéis diversos?
Venho do teatro e acabei indo para o cinema para ter a chance de diversificar meus papéis. Não queria nunca ficar preso à imagem de ser sempre o bandido. Têm pessoas que gostam de certos papéis, que se imortalizam por certos papéis. John Wayne vai ser sempre John Wayne na cabeça das pessoas. Elas vão ao cinema para ver exatamente aquilo. Mas, quando as pessoas vão ao cinema me ver, elas estão interessadas em saber no que eu me transformei dessa vez. Agora, tem gente que se satisfaz fazendo um só tipo de papel. Eu não sou assim, meu agente sabe disso, gosto de papéis diferentes.

Você conhece alguma coisa do cinema brasileiro?
Toda vez que vou a um país procuro conhecer um pouco da cinematografia local. O que eu assisti aqui no Brasil foi a Cidade de Deus. Já pedi que me emprestassem Madame Satã e Pixote. Não tenho problema nenhum em assistir a filmes legendados. Tenho amigos que não gostam. Sei que vocês têm diretores supertalentosos aqui no Brasil e espero que o sucesso de crítica desses diretores acabe se traduzindo também em sucesso de bilheteria em outros lugares.