Selton Mello (Exclusivo: O Cheiro do Ralo)

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

Que Selton Mello é um dos melhores atores de sua geração, não há muitas dúvidas. Nascido em Minas Gerais em 1972, trilhou caminhos envolvendo teatro e TV no começo de sua carreira e estreou no cinema em 1990, aos 18 anos, na comédia juvenil Uma Escola Atrapalhada. Nesses 17 anos que separam sua estréia no cinema e o momento atual, muita coisa mudou.

Além de ser consagrado pelo talento dramático, Selton investe agora nos papéis de produtor e diretor. Garotas do ABC foi seu primeiro longa-metragem como produtor; hoje, Mello assina a direção do programa de entrevistas Tarja Preta, o qual apresenta semanalmente no Canal Brasil. O Cheiro do Ralo traz sua assinatura não somente nos créditos de produção, mas também marca uma de suas melhores atuações. Confira a entrevista que o Cineclick fez com o ator por e-mail:

O que no livro de Lourenço Mutarelli despertou em você essa vontade de protagonizar O Cheiro do Ralo? Como você conheceu a obra?
Gostei muito desse personagem meio escroto, muito irônico, mas que no fundo é infeliz pra caramba. Acho que ele tem nuances muito bacanas de trabalhar. Eu li o livro do Mutarelli de uma vez só e me apaixonei. Quando soube que o Heitor ia filmá-lo, liguei pra ele na hora me oferecendo pro papel.

Você encontrou algo em sua personalidade que o ajudasse a compor Lourenço? O quê?
Eu também sou louco e um pouco neurótico como o Lourenço. Também acho que o trabalho vem sempre em primeiro lugar pra mim.

Qual foi o tipo de preparação que você teve para interpretar Lourenço?
Minha preparação foi mergulhar no livro, me esforçar pra entender a cabeça desse cara.

Na vitrine de personagens que passam pela vida de Lourenço, qual é o seu favorito? Por quê?
A bunda, claro. É a grande paixão do Lourenço e já revela todo esse lado grotesco dele, se apaixonar por um pedaço de carne e não por uma mulher inteira.

Por que O Cheiro do Ralo é um divisor de águas em sua carreira, como você diz no material de divulgação do filme?
Primeiro porque esse é o meu primeiro personagem realmente adulto, um homem com todas as suas contradições. E segundo porque é um filme realmente independente, feito em esquema de guerrilha, com idéias muito ousadas. Quero continuar fazendo esse tipo de cinema.

Ter atuado também como produtor do filme influenciou em seu envolvimento como ator? Como?
Com certeza. Todo mundo no set estava trabalhando com paixão, sem garantia de receber nenhuma grana. Isso fez com que todo mundo se empolgasse e se comprometesse com cada etapa do filme.

O orçamento de O Cheiro do Ralo foi drasticamente diminuído. Como você trabalhou com isso, como produtor?
A gente concentrou toda a filmagem em um galpão na Móoca, o que economizou muito em externas e outras despesas. E o legal é que isso deixou ainda mais forte o espírito do filme.

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