Star Wars: "Nunca fiquei tão nervosa", diz Daisy Ridley, a Rey, em entrevista exclusiva

Rey está rapidamente se tornando uma das personagens favoritas de velhos e novos fãs

23/12/2015 11h45

Por Daniel Reininger

Rey está rapidamente se tornando uma das personagens favoritas de velhos e novos fãs de Star Wars. A protagonista de  O Despertar Da Força, interpretada por Daisy Ridley, encantou com sua força e determinação, além de grandes cenas de luta e outros momentos que podem ser considerados spoilers se comentarmos. Para saber um pouco mais sobre essa importante personagem e sua intérprete, falamos com a atriz inglesa, que faz sua estreia em longas com esse filme – uma grande responsabilidade.

Daisy tem apenas 23 anos e nasceu e cresceu em Westminster, Londres, como a mais nova de cinco irmãs. O pai é fotógrafo e a mãe trabalha num banco, no entanto, o amor pela sétima arte está na família: seu tio-avô é Arnold Ridley, ator conhecido pelo seu papel na série de TV britânica Dad's Army (1968-1977). Daisy frequentou a escola de atuação Tring Park, onde se formou com 18 anos. Antes de viver Rey, Daisy fez pequenas participações em séries e curtas-metragens apenas. Confira a entrevista:


Daisy, nos fale um pouco sobre a Rey.

Rey começa em seu próprio mundo e parte nessa aventura maluca quando conhece Finn e BB-8. Ela passa a estabelecer relações que nunca teve antes, como amizade, por exemplo. Seu figurino é lindo e quando eu o visto me sinto super durona. Tudo, até o cabelo com os três coques, deve parecer como se Rey tivesse feito sozinha, afinal essa é a vida dela. Como eu, ela também procura seu lugar no mundo.

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E como conseguiu o papel?

A primeira vez que ouvi falar sobre o filme estava com três amigos e na mesma hora enviei um e-mail para meu agente. Acabei conseguindo um teste. Nunca havia ficado tão nervosa na vida. Sabia que o papel era importante, mas não sabia o tamanho real da Rey. Quando li o roteiro percebi onde estava metida. Quando fiquei sabendo que consegui o papel lembro de chutar uma garrafa no chão enquanto esperava pra entrar no teatro. Mas a ficha não caiu de fato durante meses. Apenas agora começo a me dar conta de como isso é grande. Estou no início de minha vida e da minha carreira. É incrível.

Daisy Ridley em Star Wars: O Despertar da Força


Como foi pra você essa época em que você queria contar para o mundo que seria a protagonista de Star Wars, mas não podia?

O intervalo entre saber e poder contar foi bastante estranho. Pensava que era como se eu estivesse grávida e não poderia contar para ninguém antes dos três meses. Originalmente o período de espera era de um mês, mas esse tempo foi se estendendo. Foi muito difícil no meu aniversário. Estava com meus amigos e não podia falar nada. À medida que o tempo foi passando foi ficando mais fácil. Minha mãe, meu pai e minha irmã sabiam, então pelo menos podia conversar com eles.


Qual é o momento mais especial da saga para você?

Adoro uma cena de O Império Contra-Ataca. Yoda diz para Luke que ele precisa entrar na caverna escura e Luke pergunta: "O que tem lá dentro"? E Yoda responde, "Apenas o que levar com você". Isso une todas as coisas; a ideia de que esperamos que tudo o que possuímos dentro de nós acabe nos trazendo coisas boas. Luke, mesmo no final, tinha esperança de trazer à tona o que havia de melhor em seu pai e sua esperança se confirmou. Acho Luke Skywalker (Mark Hamill) um grande personagem.

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Você treinou duro, como foi esse processo?

Comecei o treinamento algumas semanas depois de ser escalada. Começamos pelo boxe. O treinamento com a equipe também foi bem intenso e divertido. No dia da cena da luta, eu estava petrificada. Foi a primeira cena de ação que fiz. Depois me senti bem. Senti que o treinamento havia sido feito por um bom motivo. Já no treinamento você sente como se estivesse levando o seu corpo ao limite. Daí você entra no set e vai além. É um sentimento incrível. Fiquei muito satisfeita comigo mesma. Temos essa personagem feminina que é incrivelmente forte e ter uma personagem assim é ótimo. Eu nunca tinha escalado antes; nunca havia feito treinamento de luta antes. Sinto que segurei a onda e esse sentimento é ótimo.

Daisy Ridley


Fale para nós de sua experiência em Abu Dhabi, onde as cenas de Jakku foram feitas.

Abu Dhabi foi muito bacana. Eles levaram John e eu na mesquita e no palácio, que são encantadores. Tivemos dois dias para nos acostumar ao calor também. Estava tão quente que dava literalmente para sentir a areia queimando através dos sapatos. Mas, uma vez que você aceita o calor, fica tudo bem. Você sabe que isso não vai mudar, então não adianta lutar contra. Mas todos estavam sendo muito bem cuidados. Quando fizemos as cenas de corrida, o mais difícil era enfrentar o misto de areia fofa e dura. Era brutal para as pernas. Na noite anterior ao último dia de filmagem, a corrida ficou mais fácil, mas meus pulmões estavam no limite. Ficou cada vez mais quente.

E minha primeira cena foi com BB-8, algo bem complicado porque ainda não tinha trabalhado com uma pessoa na tela, muito menos um pequeno androide. Então foi difícil, mas as coisas ficaram mais fáceis com o tempo. Perto do final de Abu Dhabi, olhei para trás e pensei que tinha melhorado muito desde o início. Olho para trás agora e queria poder refazer os primeiros dias. O ambiente sempre foi ótimo.

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E como foi a química com John Boyega no set? Vocês parecem bons amigos.

É maravilhoso como nos damos bem. Em Abu Dhabi não tivemos oportunidade de realmente nos conhecer, e esse relacionamento não existiu de fato no início. Mas desde que passamos a construir esse relacionamento nas cenas, ficou bem fácil. Não é difícil encontrar alguém com quem você se dá bem. É química. Com o tempo é como se nós fossemos irmãos. A gente se dá muito bem mesmo. Nós dois somos incrivelmente bobos.
 

Como você se sentiu no set com o elenco original e na primeira vez que subiu na Millennium Falcon?

A primeira vez que vi Harrison Ford, sentamos juntos para tomar um café. Ele falou sobre sua experiência em tudo isso, não só sobre o Han Solo, mas toda a saga Star Wars. Depois jantamos juntos, o que foi ótimo.

Quando entramos na Millenium Falcon, o estranho é que nós éramos muitos e de repente sobraram bem poucas pessoas. É um set tão icônico e o J.J. queria realmente que fosse perfeito, estava bem claro o que estávamos tentando criar. É tão grande. Tinha momentos que pensava animada: "estou voando na Millennium Falcon"!

Daisy Ridley em Star Wars



E como foi conviver com Chewie? E BB-8?

É bastante engraçado ver o Chewie de perto. Ele tem um bigodinho que é mais claro do que seu rosto. E ele é tão grande! E o BB-8 será amado por todos. Ele é tão pequeno, tão menor que o R2-D2. Foi o primeiro personagem com o qual fiz uma cena e eu estava nervosa porque ele não é um ser humano. BB-8 é brilhante. Ele é incrível.


Fale pra nós sobre como foi trabalhar com J.J. Abrams.

J.J. é incrível. Nunca estive de fato em um set de filmagem antes e todos o adoram. Ele é muito gentil, generoso e foi ótimo no início porque eu estava muito nervosa. Ele é muito paciente, o que foi muito importante para mim, afinal eu passei muito tempo dizendo: 'eu não consigo fazer isso'. Ele se certificava de que todos no set estavam se sentido bem. Todos eram merecedores de receber um cumprimento e um obrigado. Em alguns momentos ele pegava o microfone apenas para dizer a todos que o trabalho que estavam realizando era incrível, e de fato era. Em um filme de proporções tão grandes as relações pessoais podem se perder. Mas, por ele ser quem ele é, essas relações não se perderam. Todos se sentiam elogiados. Todos se sentiam amados. Todos se sentiam estimados. Isso é tão importante. Ele criou esse mundo incrível e no mundo real ele é esse homem incrível também.


O que é Star Wars para você?

Essa coisa da família traduz tudo. Mesmo no set, parece que estamos em família. É aquele sentimento de vínculo. Por que a Rey está tentando encontrar seu lugar neste mundo da mesma forma que eu estava tentando encontrar meu lugar no mundo, as semelhanças eram muito bacanas. Eu me senti muito acolhida e bem-vinda, e a impressão era de que as pessoas se importavam comigo, o que se traduz nessa questão da Rey também. De repente ela tem essas pessoas que se importam com ela.

Assim percebi tudo o que esse filme pode ser para as pessoas. Espero que todos amem o filme. Eu sinto como se estivesse na minha família de filmagem. Todos os dias eram divertidos. Não teve um dia sequer que não gostei. Em alguns momentos pensava no quanto as pessoas amam Star Wars e é assustador tentar se adaptar a algo que as pessoas conhecem tão bem e amam tanto. É angustiante pensar o que Rey pode representar para essas pessoas e se elas vão gostar dela ou não.


Qual é sua melhor memória das filmagens?

Não consigo apontar uma memória específica. Todos os dias, indo para o set, sintia como se estivesse lidando com a empolgação de algo novo: criaturas incríveis, sets e pessoas. Não consigo escolher uma parte favorita.

Daisy Ridley em Star Wars: O Despertar da Força


Que mensagem você gostaria de passar às meninas, que agora têm mais uma personagem forte para se espelhar em Star Wars?

Eu diria, sejam fortes e atenciosas, ajam com cuidado e percebam como vocês estão afetando outras pessoas. Aprendam e cresçam e não tenham medo quando aparecerem situações que vocês não têm certeza como encarar, mas que podem mudar as suas vidas. Aproveitem as oportunidades sem pensar muito. Peguem tudo o que puderem e aproveitem cada dia. Aproveitem as pessoas ao seu redor e que lhes dão apoio e nunca se sintam sozinhas porque vocês nunca estão.


O que você quer que o público leve desse filme?

Adoraria que as pessoas se sentissem como nós nos sentimos trabalhando nele. Existe um sentimento tão bom em relação ao filme, ao que estamos fazendo e os personagens que estão sendo criados e formados diante de nossos olhos. Adoraria que o público compreendesse a história de cada um e se conectasse com os novos personagens, e espero que o seu amor pelos personagens antigos retorne ainda maior do que antes. Adoraria que o público deixasse o cinema pensando, fora todas as cenas de ação e de lutas, que é uma história incrível de pessoas encontrando o seu lugar no mundo.

Star Wars: O Despertar Da Força acompanha o conflito entre a opressora Primeira Ordem e a Resistência, 30 anos após o fim do Império em Star Wars: Episódio Vi - O Retorno De Jedi. Quando uma arma devastadora pode desbalancear a guerra, os jovens Finn, Rey e Poe Dameron devem se unir aos veteranos Leia, Han Solo e Chewbacca, para manter a liberdade na galáxia. 

O longa estreou no Brasil na última quinta-feira (17). Leia nossa crítica SEM SPOILERS. Saiba onde assistir.

Veja abaixo o trailer: