Trash: Protestos de 2013 incentivaram Wagner Moura e Stephen Daldry

Moura ainda criticou mais uma eleição polarizada entre PSDB e PT

10/10/2014 18h01

Por Daniel Reininger

O diretor Stephen Daldry se impressionou com os protestos de junho de 2013 no Brasil e escolheu o país para adaptar o livro Trash, de Andy Mulligan, grande destaque das estreias da semana no país e filme de encerramento do Festival do Rio deste ano. O cineasta e uma das estrelas nacionais do longa, Wagner Moura, falaram com o Cineclick no Rio de Janeiro.

Com subtítulo de A Esperança vem do Lixo, o longa mistura de temas vistos antes em obras como de Cidade De Deus e Quem Quer Ser Um Milionário?, enquanto acompanha Raphael, Gardo e Rato, três garotos moradores de uma comunidade à beira do lixão que encontram a carteira de José Angelo (Moura). Quando eles decidem investigar o mistério que a rodeia, logo se encontram em uma aventura repleta de pistas e perigos, enquanto são caçados pelo policial Frederico (Selton Mello).

Seguindo a forma narrativa da jornada do herói, o longa conta com elementos lúdicos, não tão comuns ao cinema brasileiro. "É claro que o cinema brasileiro avança para vários tipos de linguagem, filmes de diversos gêneros, como ficção científica, suspense. A novidade aqui é o approach do Stephen, que introduz a estrutura de fábula. Tudo foi feito com muito cuidado, se trabalhou demais o roteiro para trazer essa história para o Brasil, sem aquele hiper-realismo. É muito bacana que tenha um diretor como ele olhando para o Brasil desse jeito", diz Moura.

Daldry reforçou: "Tivemos ajuda dos atores e de Felipe Braga (roteirista brasileiro) para trazer essa história para o Brasil da melhor forma possível. Queríamos que parecesse um filme brasileiro, por isso usamos atores e equipes daqui".

Sobre problemas de filmar no Brasil, Daldry explicou que pôde contar com a experiência da equipe da 02 Filmes, co-produtora do longa, e, por isso, os problemas enfrentados foram minimizados. "Não foram tão diferentes do que em qualquer outro país emergente. A equipe foi fantástica, as crianças são excepcionais, todos os envolvidos foram amigáveis e nos ajudaram demais durante todo o processo".

Sobre seu personagem, Moura conta: "José Angelo é o típico herói trágico, tudo que acontece no filme é pelo que esse cara fez. Conhecemos a história dele por flashbacks, mas, aos poucos, percebemos que tudo o que ele fez foi com a intenção de fazer a coisa certa. Quando ele falha na missão, é legal ver as crianças fazerem o certo, darem continuidade a seu trabalho, especialmente quando nem mesmo os adultos estão fazendo o que deveriam".

Wagner ainda aproveitou a entrevista para comentar sobre as eleições que ocorreram no último domingo em todo o país. "Esse filme mostra que a esperança para o Brasil deve vir de todos os lugares, do voto, dos protestos, do lixão. O problema é que todos querem mudanças, mas perdemos a chance em mais uma eleição polarizada entre PSDB e PT. Mas temos que acreditar que existem outras formas de mudar o país, que não sejam apenas o voto ou a política partidária".

Trash - A Esperança Vem Do Lixo já está em cartaz em todo o Brasil. Leia a crítica e veja o trailer:


TRASH - A ESPERANÇA VEM DO LIXO por cineclick