Vai Que Cola – O Filme: “Pensei em não decepcionar os fãs”, afirma diretor

Conversamos com César Rodrigues, responsável pela direção do longa e da série

05/10/2015 18h22

Por Pedro Tritto

Em cartaz no Brasil desde o dia 1º de outubro, Vai Que Cola - O Filme adapta para o cinema o programa homônimo exibido pelo canal fechado Multishow, que acompanha o cotidiano dos moradores do Méier, bairro que se encontra no subúrbio do Rio de Janeiro.

Quem já conhece a série, além de rever Valdomiro (Paulo Gustavo), Ferdinando (Marcus Majella), Dona Jô (Catarina Abdalla) e Wilson (Fernando Caruso), vai reencontrar a direção de César Rodrigues (Uma Professora Muito Maluquinha), que também comanda os episódios do programa.

A equipe do Cineclick conversou com o cineasta e durante o papo ele revelou suas influências para criar o filme e garantiu que o longa é envolvente o suficiente para agradar ao mesmo tempo os fãs do seriado e as pessoas que não estão familiarizadas com o programa. Confira:

O fato de dirigir a série e conhecer bem os personagens foi importante na hora de comandar o filme?

Sim. Eu nasci com esses personagens e com esse elenco. Para se ter ideia, eu participei do começo do projeto e formatei o programa para a televisão. Desde o início, criei esse entendimento das características dos personagens e do humor que é usado nas histórias de cada episódio. Sem dúvida, conhecer bem esse universo foi muito importante.

+ Leia a nossa crítica de Vai Que Cola: O Filme


Como foi trabalhar com o desafio de agradar o público que já assiste ao programa e, ao mesmo tempo, chamar a atenção de quem não conhece a série?

Primeiramente, pensei em não decepcionar quem já curte. Procurei manter a integridade das coisas que as pessoas gostam na série original. Quem gosta do Vai Que Cola é muito apaixonado, ou seja, se identifica e se diverte demais com os personagens. Depois, procurei encontrar uma maneira de agradar quem não conhece. Para isso, definimos uma história clara, bem definida e com começo, meio e fim. Acho que esse filme tem humor, alegria e é envolvente o suficiente para cativar quem é fã e quem não está tão familiarizado com a série.

Vai Que Cola

 


No longa, podemos ver o que acontece fora da Pensão da Dona Jô, enquanto na série a história se passa somente nesse cenário. Como foi trabalhar com essa questão?

Pensamos o tempo inteiro em como seria a alegoria do filme. Dentro da pensão tudo é um exagero. Isso, inclusive, é uma marca do Vai Que Cola. O Leblon, por exemplo, é colocado de uma forma muito mais fantástica do que é na verdade, enquanto o Méier é classificado como um lugar muito mais imperfeito do que realmente é. Minha ideia foi fazer com que os personagens principais, que são bem desenhados e construídos, parecessem naturais dentro desses dois ambientes.

+ Descontração domina encontro de atores com imprensa em São Paulo


Um dos momentos mais marcantes do filme é quando os moradores da Pensão da Dona Jô chegam ao Leblon de uma maneira bem extravagante. Quais foram suas influências para fazer essa cena?

Eu queria mostrar uma chegada bem alegórica e carnavalesca, então Priscilla, A Rainha Do Deserto foi uma influência nesse sentido. Quando vão para o Leblon, os personagens se fazem chegar e se fazem notar, por isso as coisas tinham que ser exageradas, grandiosas e ter aquela perspectiva que fizesse a diferença.

Vai Que Cola

 


Há momentos no filme em que o Valdomiro (Paulo Gustavo) interage com o público e tira sarro do próprio programa. Isso foi planejado ou surgiu naturalmente?

Durante a produção discutimos qual seria a metalinguagem do filme. Eu tenho isso muito claro na série. A gente rompe com a quarta parede e se comunica o tempo inteiro com o público. Quando começamos a conversar sobre o longa, vimos que não dava para forçar essa metalinguagem com todos os personagens, então decidimos focar no Valdomiro, que é o narrador da história. Nem todos os comentários que ele faz são exatamente os que estão no roteiro, mas os lugares onde eles acontecem já estavam pré-estabelecidos.

Em Vai Que Cola: O Filme, Valdomiro se muda para uma pensão no Méier depois de ser vítima de um golpe que roubou todo o seu dinheiro. Para sobreviver, ele passa a vender as quentinhas da Dona Jô pelo bairro carioca.

A situação começa a mudar para Valdo quando Andrade (Márcio Kieling), seu ex-sócio, o chama para morar novamente no Leblon, bairro nobre do Rio. Mesmo empolgado com a ideia de voltar para o seu antigo apartamento de luxo, o rapaz fica contrariado quando descobre que terá que levar junto os outros moradores da pensão, que não têm lugar para ficar enquanto o local passa por reformas.

O longa já está em cartaz no Brasil. Enquanto não vai ao cinema, assista ao trailer de Vai Que Cola: O Filme: