Gladiador: Saiba porque o épico de Ridley Scott é revolucionário

O clássico com Russell Crowe completa 20 anos em 2020

02/07/2020 19h35

Por Alexandre Dias

Há 20 anos, Ridley Scott marcava o seu nome mais uma vez na história do cinema com Gladiador. O longa fez muito mais do que oferecer ao público um filme de qualidade e ser bem-sucedido no geral. Hoje, mais do que nunca, essa história continua viva na trajetória da Sétima Arte como uma das principais do gênero épico. 

A recepção de crítica e público não deixa de ser um indicativo disso. A produção faturou mais de US$ 460 milhões no mundo todo e levou as seguintes estatuetas no Oscar de 2001: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Mixagem de Som, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Figurino.

Após tantos anos, percebe-se ainda mais a atemporalidade do projeto. Um dos motivos são os rumores de uma sequência. Segundo o produtor Douglas Wick em entrevista ao Uproxx, "há mais de 50 % de chances" de uma continuação acontecer (via Screen Rant). 

No entanto, Gladiador por si só trouxe elementos técnicos do cinema - já existentes - que combinados o tornaram único. Dessa forma, vamos elencar alguns fatores que provam que o filme de Ridley Scott foi revolucionário:  

Época

Teoricamente, o longa é inspirado na história real do Império Romano. Porém, assim como Coração Valente em 1995, a história de Maximus (Russell Crowe) distorce totalmente o que realmente teria acontecido. E da mesma maneira que o William Wallace de Mel Gibson, essa decisão foi um acerto em cheio. 

A trama narra a jornada do general romano que é traído após a morte do Imperador Marcus Aurelius (Richard Harris) e colocado na arena de gladiadores. Ele trilha um caminho de vingança ao ganhar fama como o "Espanhol" do jogo sangrento.

Cena de Gladiador

A superação de Maximus em sua trajetória com diversas situações grandiosas ocorrendo em paralelo, sejam discussões políticas ou batalhas estrondosas, são itens muito agradáveis à Academia e ao público. Foi uma opção de narrativa mais garantida a engrandecer o caráter cinematográfica da obra. 

Batalhas

A década de 60 foi dourada para o cinema épico. Grandes produções como Lawrence da Arábia e Spartacus eram filmadas com milhares de figurantes e dentro de uma agenda extensa e apropriada para a gravação de longas desse porte. Não à toa, ambos possuem mais de três horas de duração. 

Mesmo nos anos 2000, projetos assim eram economicamente inviáveis, afinal, o resultado teria que ser muito positivo nos lucros, risco que os estúdios não gostam de correr. Por isso, Gladiador e Coração Valente se tornaram pontos fora da curva na época em que foram lançados; havia uma certa sensação nostálgica pela retomada dos épicos e êxtase pela "atualização" dos mesmos, o que, salvo algumas exceções, não voltou a se repetir posteriormente.

As batalhas do filme são provas irrefutáveis desta magnitude. Logo no início há um confronto de exércitos espetacular, um verdadeiro exemplo da ótima junção de computação gráfica e efeitos práticos. Nas arenas de gladiadores, mesmo que com dois homens lutando, essa grandiosidade técnica permanece em vigor. 

Melodrama

Há alguns aspectos técnicos de Gladiador muito exagerados propositalmente. É o caso da trilha sonora dramática de Lisa Gerrard e Hans Zimmer e a fotografia que caminha entre extremos de John Mathieson. O resultado, como era de se esperar, é um longa completamente melodramático. 

Essa manipulação de emoções característica do melodrama, em muitos casos, soa artifical ao espectador, justamente por ser uma tentativa de controle dos realizadores. Contudo, toda essa intensidade ficou condizente com o roteiro de David Franzoni, John Logan e William Nicholson por se tratar de um épico. 

Cena de Gladiador

Scott terminou por tirar proveito de suas influências shakesperianas em situações extremamente teatrais, como podemos observar nas interações iniciais entre Maximus, Marcus Aurelius e Commodus (Joaquin Phoenix). O resto do trabalho de qualidade ficou por conta dos atores.

Personagens

Russell Crowe é um ator consagrado por vários papéis, mas Maximus foi o personagem da sua vida. O general romano exigia um intérprete com carisma e que pudesse transmitir as suas emoções com facilidade. Dadas essas circunstâncias, a opção por Crowe não poderia ter sido melhor. 

O longa começa com Maximus como o preferido do Imperador de Roma e um líder militar querido pelos seus companheiros, além de ser um homem amado por sua família. O ator consegue atribuir toda a honra e fascínio de uma personalidade como essa. Isso sem mencionar nas suas falas mais diretas que trazem emoções profundas, a exemplo dos seus diálogos com a irmã de Commodus, Lucilla (Connie Nielsen).

E por falar em Commodus, Joaquin Phoenix brilhou como um vilão muito antes de Coringa. Ele dá vida a um antagonista cruel e irresponsável, porém preenchido de uma mágoa familiar, fato que retira o maniqueísmo do filme. 

Ridley Scott

O diretor fez a sua trindade máxima com Gladiador, que também conta com Alien, O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner - O Caçador De Androides (1982). Esses dois últimos exemplos são ficções científicas e, apesar de Scott ter transitado por vários gêneros antes do longa de Maximus, foi nele em que a sua competência técnica e narrativa se estabeleceu completamente.

Sem coincidências, depois ele ficou mais acomodado em longas épicos, como foram os casos de Cruzada e Êxodo: Deuses E Reis. Nenhum desses alcançou o êxito de Gladiador, prova de que o longa em questão é único e conseguiu atingir uma expectativa técnica muito alta, que o torna mais do que uma história de vingança localizada no Império Romano. 

 

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