Star Trek: Picard traz modernidade, mas também nostalgia

Série traz Patrick Stewart de volta 20 anos depois

24/01/2020 15h17

Por Daniel Reininger

Patrick Stewart (Logan) retorna como a lenda da Frota Estelar em Picard, mas esse é um programa muito diferente de Star Trek: A Nova Geração e isso é uma coisa boa. A série começa bem ao mostrar como o personagem principal passou todos esses anos desde que o vimos pela última vez. O ator britânico voltou com tudo ao papel do almirante, mas o ritmo do seriado é um pouco instável às vezes.

O programa começa cerca de duas décadas depois do filme de 2002, Nêmesis, e mostra um Jean-Luc idoso e, após uma tragédia, aposentado de Frota Estelar. Morando na França, Picard tenta viver sua vida, apesar das memórias sombrias do passado, principalmente da morte de seu amigo Data (Brent Spiner), que se sacrificou para salvar o protagonista no último longa da franquia.

Só que Picard volta rapidamente à ativa quando a misteriosa Dahj (Isa Briones) aparece em sua vida desesperada após algo terrível acontecer e ela buscar ajuda do almirante aposentado. Entrar em detalhes sobre a trama e essa personagem é arriscar dar spoilers, então vamos parar por aqui.

Vale assistir e descobrir por si só. Entretanto, vale dizer que o mistério por trás de Dahj parece estar ligado a diversas questões vistas em Nova Geração no passado e pode ser um argumento poderoso se bem trabalhado, garantindo que Star Trek faça o que sempre fez de melhor: tratar das questões do mundo atual. Afinal, o termo "fronteira final" da franquia significa mais do que apenas explorar o espaço sideral, é também uma investigação do ser humano.

Sobre a série em si, ela é bastante focada na Terra por enquanto e os cenários parecem uma mistura do que vimos em Nova Geração com os filmes de J.J. Abrams, embora Paris pareça muito mais com Blade Runner. O mais importante, porém, é que Star Trek: Picard segue a lógica de Discovery e se mostra uma série moderna, com um arco a ser desenvolvido al longo da temporada, grande orçamento e tom mais adulto.

Com isso, também estão garantidas as grandes cenas de ação com muitos elementos típicos da franquia, mesmo que o cenário principal ainda seja a Terra. E o fato de Jean-Luc parecer ter problemas para acompanhar a ação por sua idade é um belo toque de realismo.

O lado ruim de ser uma continuação é a quantidade de informações arremessadas na tela para dar conta de apresentar todos os elementos importantes da série. Quem não conhece tão bem Star Trek, certamente ficará perdido. E isso fica ainda mais incômodo pelo exagero de explicações e diálogos de exposição, muitos deles mal construídos. Sem dúvida é preciso mostrar o que aconteceu nesses 20 anos, mas era possível fazer isso de uma forma mais natural e também menos complicada para os novatos.

De fato, essa não é uma nova versão de A Nova Geração e sim uma continuação determinada a trilhar um novo caminho, mas sem deixar de parecer uma continuação natural daquela época. É certamente uma ótima novidade para o universo de Star Trek, com algo a dizer sobre o nosso mundo. O melhor é que a série não vive da nostalgia desse amado personagem, e sim busca trazer elementos novos suficientes para justificar uma trama com Picard. Sem dúvida, vale assistir.

Star Trek: Picard já está disponível no Amazon Prime Video. Confira o trailer:


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