007: Entenda a Cronologia da Franquia de James Bond

Contamos um pouco sobre a sequência que existe por trás da série

05/11/2015 16h29

Além dos carros potentes e gadgets divertidos, uma das coisas mais inusitadas de James Bond é o fato de ele ser um personagem atemporal, ou seja, se encaixa em qualquer período e ainda permanece atual para a sua época. Se não fosse por isso, sua franquia não estaria viva até hoje e não possuiria 24 filmes, contando com 007 Contra Spectre.

No entanto, esse aspecto também confunde várias pessoas, afinal a maioria dos filmes não segue a mesma ordem cronológica dos livros de Ian Fleming, criador do personagem, e a mudança de atores ao longo dos anos também complica as coisas. Se você quer entender melhor como funciona o tempo na série, o Cineclick te ajuda a entender.

Os Livros originais

Se levarmos em conta o que Ian Fleming escreveu, temos uma linha do tempo clara e definida, pois as histórias estão ligadas umas às outras. Assim como a maioria dos longas oficiais, elas contextualizam a Guerra Fria, período de tensão entre Estados Unidos e União Soviética.

Ian Fleming

O primeiro romance lançado foi Cassino Royale, em 1953. Essa é, de fato, a primeira história de 007, pois fala sobre a primeira missão do agente e como ele adquiriu sua licença para matar. Na trama, Bond precisa vencer o russo Le Chiffre em um jogo de Bacará (no filme de 2006 o jogo usado é o pôquer) para forçar os mestres soviéticos a aposentá-lo. A história foi adaptada já com Daniel Craig à frente da franquia e serviu como reboot.

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O interessante é que, conforme você vai lendo os romances, é perceptível o amadurecimento do personagem central a cada missão e algumas ligações com histórias anteriores. Em Moscou Contra 007 (também conhecido como Da Rússia Com Amor), de 1957, por exemplo, há uma passagem em que M pergunta para o seu funcionário sobre Tiffany Case, protagonista feminina de Os Diamantes São Eternos, que foi escrito um ano antes.

Outra prova que os livros se complementam é que 007 Contra o Satânico Dr. No, de 1958, é uma continuação de Moscou Contra 007, já que a história acompanha Bond na Jamaica investigando o desaparecimento de um agente do MI6 depois de se recuperar do envenenamento de Rosa Klebb, vilã do romance anterior.

No Cinema

Como os produtores Albert Broccoli e Harry Saltzman, grandes responsáveis por iniciar a franquia cinematográfica que conhecemos hoje, não possuíam os direitos autorais de todas as obras de Ian Fleming, eles infelizmente não puderam seguir a cronologia original. Tendo que "improvisar" e trabalhar com o que tinham, a dupla fez com que a linha do tempo do personagem fosse mostrada de maneira bem sutil.

Apesar da maioria das histórias se passarem em épocas diferentes, é possível perceber indiretamente uma linha do tempo contínua. Na adaptação de 007 Contra O Satânico Dr. No (1962), primeiro longa oficial do espião, Bond já é apresentado como alguém experiente de campo, ou seja, não interfere na trama de Cassino Royale, criada em 53.

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Além disso, podemos detectar uma sequência lógica na luta de Bond contra os inimigos da Spectre. Ao longo dos filmes, principalmente os estrelados por Sean Connery e George Lazenby, vemos um crescimento constante do domínio da organização terrorista, o que mostra uma linearidade nos acontecimentos.

Spectre 

Em 007 Contra A Chantagem Atômica (1965), quarto filme da série, encontramos o vilão Blofeld ao lado de dezenas de criminosos e uma ameaça bem maior em relação aos longas anteriores.

A relação entre 007 e Blofeld é outro ponto que dá dicas de que há uma continuação dos fatos. Em Os Diamantes São Eternos (1971), apesar de não o mencionar, vemos um 007 furioso, claramente atrás vingança contra o vilão pela morte da esposa, Tracy, que acontece no longa anterior: 007 A Serviço Secreto De Sua Majestade (1969).

De Roger Moore a Pierce Brosnam

Já os filmes estrelados por Roger Moore não interferem em nada com os longas estrelados por Connery e Lazenby, ou seja, possuem sua própria continuidade, mas sempre mostram 007 já como um agente experiente.

O principal elo da Era Moore com os primeiros filmes é visto no começo de 007 - Somente Para Seus Olhos (1981), quando Bond aparece no cemitério levando flores para o túmulo da esposa e, em seguida, mata seu antigo rival, Blofeld, jogando-o em uma chaminé de um helicóptero.

Quando Timothy Dalton assumiu o papel em 1987, a franquia seguiu a mesma estratégia adotada na estreia de Moore, em 1973, ou seja, trouxe algo novo, mas não modificou o que já havia sido construído, diferente da Era Craig.

O que sai um pouco  dessa linha de raciocínio (mas não muito) foram os filmes com Pierce Brosnam, principalmente por não terem explicado com profundidade a transição de comando do MI6, apresentando M de maneira diferente dos longas originais. Entretanto, isso é facilmente explicado com o fato de, também, ambientar os filmes numa era pós-união soviética - 007 Contra Goldeneye mostra exatamente o declínio desse regime.

A escolha de Judi Dench para o papel de M foi uma ótima novidade, afinal virou um dos pontos fortes da franquia no século 21. No entanto, apesar de Bond falar sutilmente do antecessor da nova comandante em 007 Contra Goldeneye, nunca fica claro o que aconteceu realmente com o antigo chefe do Serviço Secreto, o que criou um pequeno conflito na lógica criada na década de 1960. Mesmo assim, é possível ver certa coerência, pelo menos, entre os longas com Brosnam.

Nova era com Daniel Craig

Foi uma luta de muitos anos mas Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, produtores da franquia que assumiram depois da morte de Albert Broccoli, conseguiram adquirir os direitos de Cassino Royale. Por causa disso, a dupla resolveu começar tudo de novo. Por mais que os outros livros de Ian Fleming não fossem ser readaptados (ainda bem), os longas com Daniel Craig passaram a seguir com mais clareza uma cronologia linear, o que deixou a franquia mais interessante e bem menos confusa.

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007 Cassino Royale, de 2006, mostra o início de Bond e os longas Quantum Of Solace, Operação Skyfall e 007 Contra Spectre mantém o universo criado em 2006 com a nova versão da estreia de James Bond. Existem referências importantes aos filmes antigos e existe uma tentativa de ligar a outras histórias, mas é fato que a franquia foi recomeçada e passa a ter sua própria cronologia.

James Bond

Por exemplo, em Quantum Of Solace, Bond busca vingança ao correr atrás dos verdadeiros responsáveis pela morte de seu grande amor, Vesper Lynd (Eva Green). Quanto em Contra Spectre, é possível enxergar a continuação dos acontecimentos, principalmente nos fatos que envolvem a troca de comando do Serviço Secreto (sai Judi Dench e entra Ralph Fiennes). Além disso, há fatos que estão relacionados ao passado de Bond, também citado no filme de 2012.

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Mesmo esses novos filmes sendo repetitivos algumas vezes, eles ajudam a entender toda a jornada e a personalidade de James Bond. Por mais que eles aconteçam em um contexto diferente de Dr. No, por exemplo, os novos longas também explicam com mais detalhes alguns elementos importantes da série, como a relação de 007 com a secretária Moneypenny, com quem adora flertar, por exemplo.

Além disso, 007 Contra Spectre desperta a curiosidade de como o próximo filme da franquia vai seguir essa linha adotada em 2006, já que  conclui pontos importantes. No entanto, alguns caminhos devem ser aproveitados e a estratégia poderia continuar a mesma. Tomara!

Se você continua com dúvida, segue abaixo a sequência de lançamento dos livros de Ian Fleming e uma cronologia dos filmes oficiais de James Bond, levando em consideração a evolução do personagem principal e alguns acontecimentos:

Livros
007 Casino Royale (1953)
007 Viva e Deixe Morrer (1954)
007 Contra o Foguete da Morte (1955)
007 Os Diamantes São Eternos (1956)
Moscou Contra 007/ Da Rússia Com Amor (1957)
007 Contra o Satânico Dr. No (1958)
007 Contra Goldfinger (1959)
007 Somente Para Os Seus Olhos (1960)
007 Contra A Chantagem Atômica (1961)
007 O Espião Que Me Amava (1962)
007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (1963)
007 Só Se Vive Duas Vezes(1964)
007 Contra o Homem da Pistola de Ouro (1965)
007 Contra Octupussy e 007 Marcado Para a Morte (1966)

Se os filmes fossem colocados em ordem cronológica pela evolução de Bond:

- 007 Cassino Royale (2006) - Por mostrar o agente ainda em uma de suas primeiras missões
- 007 Quantum Of Solace (2008) - Por acompanhar os eventos do filme anterior
- 007 Contra o Satânico Dr. No (1962) - Por mostrar 007 já experiente
- Moscou Contra 007 (1963)
- 007 Contra Goldfinger (1964)
- 007 Contra A Chantagem Atômica (1965)
- 007 – Operação Skyfall (2012)
- 007 Contra Spectre (2015) - Poderia ser considerado início de nova linha do tempo (Bond conhece Blofeld)
- Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967) - Continuação da linha do tempo clássica (Bond conhece Blofeld)
- 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)
- 007 – Os Diamantes São Eternos (1971)
- Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973)
- 007 Contra O Homem da Pistola de Ouro (1974)
- 007 – O Espião Que Me Amava (1977)
- 007 Contra o Foguete da Morte (1979)
- 007 – Somente Para Os Seus Olhos (1981)
- 007 - Contra Octopussy (1983)
- 007 - Na Mira dos Assassinos (1985)
- 007 - Marcado Para A Morte (1987)
- 007 – Permissão Para Matar (1989)
- 007 - Contra Goldeneye (1995) - Trata da queda da União Sovíetica no filme
- 007 - O Amanhã Nunca Morre (1997)
- 007 - O Mundo Não É O Bastante (1999)
- 007 – Um Novo Dia Para Morrer (2002)

É claro que essa cronologia não deve ser levada a ferro e a fogo, mas é uma tentativa de mostrar a evolução do personagem incluindo todos os filmes. Aproveite e veja trailer de 007 Contra Spectre:

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