007: Falamos sobre as fases de James Bond no cinema

Entenda a importância de cada ator para o personagem criado por Ian Fleming

27/10/2015 10h05

"Bond... James Bond". Essa é uma frase que ouvimos há mais de 50 anos no cinema. No entanto, a primeira vez que ela foi dita foi no livro Cassino Royale, de 1957, escrito por Ian Fleming, que apresentou ao mundo o agente do Serviço Secreto Britânico.

Enquanto nos livros encontramos uma versão fria e sombria de 007, os seis atores que interpretaram o personagem no cinema ajudaram a transformar o agente em um mito da espionagem, adicionando elementos importantes à sua característica, como a arrogância, o humor, a agressividade e até a sede de vingança. Confira o que cada um trouxe para Bond:

Sean Connery (1962/ 1967 e 1971)

Para muitos esse é o melhor ator que interpretou o personagem até hoje. A razão? Trouxe em seus filmes a mescla perfeita e inconfundível de arrogância, sofisticação e humor.

Quando assumiu o papel pela primeira vez, em 1962, tinha 32 anos. O escocês assinou contrato de seis anos com os produtores Albert Broccoli e Harry Saltzman. Na época, Ian Fleming não aprovou a sua escolha, querendo que Richard Burton, James Stewart, David Niven ou James Mason vivessem Bond.

James Bond

 

Já nos seus dois primeiros filmes (007 Contra O Satânico Dr. No e Moscou Contra 007), Connery o convenceu do contrário, provando ser a melhor escolha para o sucesso da série no cinema. Infelizmente, Fleming morreu antes de 007 Contra Goldfinger ser lançado, ou seja, não viu sua maior criação virar ícone.

Sem dúvida, é esse filme que fez, não só Sean Connery, mas James Bond se tornar o fenômeno que conhecemos hoje, além de transformá-lo em um dos maiores heróis da história do cinema. Em uma trama ousada para a época, Connery esbanjou carisma e charme, elementos que se tornaram marca registrada do espião.

Quando largou o papel em 1967, após Com 007 Só Se Vive Duas Vezes, o ator deixou um legado importante, tanto é que voltou para viver o personagem em 1971, em 007 - Os Diamantes São Eternos.

George Lazenby (1969)

A missão do australiano era complicadíssima. Se podemos classificar a passagem do substituto de Connery em uma palavra, ela seria controversa.

Alguns adoram sua atuação em 007 A Serviço Secreto De Sua Majestade, pois trouxe um espírito aventureiro maior ao personagem (há cenas em que ele se pendura em um cabo de teleférico e esquia para fugir dos bandidos). Se analisarmos friamente, o longa como um todo realmente está longe de ser o pior da franquia, principalmente por envolver um dos melhores livros de Ian Fleming e uma boa trama de espionagem.

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No entanto, o seu ponto mais fraco é justamente o seu protagonista e é por isso que muitos fãs ignoram Lazenby. Para esses amantes, ele humanizou demais o espião, que é conhecido pela frieza, impiedade e estreita relação com as mulheres. Vale lembrar que é nesse filme que Bond se casa com Tracy (Diana Rigg) e depois fica viúvo enquanto viaja para a lua de mel. O fato é que o ator rompeu o seu contrato depois de seu difícil relacionamento com a produção e receber várias críticas negativas da mídia especialista.

Roger Moore (1973/ 1985)

Também teve a difícil missão de substituir Sean Connery, que havia voltado depois do fracasso de George Lazenby. Para piorar a situação, o inglês precisava provar que a franquia podia viver sem o colega escocês, que até então era visto como o único capaz de viver Bond no cinema.

Conseguiu! E mais: Moore agradou tanto que fez sete filmes, sendo um dos atores que mais viveu o personagem na telona (Connery também fez sete se contarmos 007 - Nunca Mais Outra Vez, longa que não faz parte da franquia oficial).

James Bond

 

Logo na sua estreia, em Com 007 Viva E Deixe Morrer, já agradou muitos fãs ao recuperar a força do personagem e trazer um lado mais humorístico ao espião, algo que também tornou uma das principais características do personagem.

O seu auge no papel foi em 1977, quando lançou 007 - O Espião Que Me Amava. Depois de uma produção difícil, o longa se tornou um dos melhores da franquia. Além de cenários grandiosos e uma trama envolvente, o filme também apresentou Jaws (Richard Kiel), vilão famoso por ter dentes de aço e que se tornou um dos mais icônicos da série.

Timothy Dalton (1987/ 1989)

Talvez seja o ator que tenha pego o desafio no momento mais complicado da franquia, afinal, o galês assumiu o personagem no final da Guerra Fria (conflito que serviu de base para maioria dos longas), período em que a espionagem estava em baixa no cinema.

Na época, tinha gente que acreditava que, com o fim do conflito entre Estados Unidos e União Soviética, não havia espaço para James Bond. Ainda bem que eles estavam errados.

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Mesmo não agradando a todos, Timothy Dalton teve bons momentos ao trazer uma versão mais fiel ao agente secreto abordado nos livros de Ian Fleming. Nos dois filmes em que protagonizou, principalmente em 007 - Permissão Para Matar (1989), vemos um Bond sombrio, vingativo e totalmente frio na hora de realizar suas missões.

Descrente que não aconteceriam mais filmes do agente depois de 1989, Dalton se envolveu em outros projetos. Quando foi anunciada a produção de 007 Contra Goldeneye, já na década de 1990, ele preferiu não voltar para o papel.

Pierce Brosnan (1995/ 2002)

Os seis anos de intervalo entre o último longa de Dalton e o primeiro de Pierce Brosnan foi o mais longo da franquia. Até que o 16º filme de James Bond estreasse, muitos fãs desconfiaram que o personagem poderia não voltar para o cinema e se perguntaram como o personagem sobreviveria sem a Guerra Fria, sua principal base. A resposta veio logo em Goldeneye.

Se a estreia de Brosnan na franquia não se tornou um dos melhores filmes do personagem, ele é até hoje um dos mais importantes da franquia, pois colocou 007 em um contexto diferente e trouxe uma nova geração de fãs, que até então estava órfã de um herói no mundo da espionagem. Lembram do jogo para Nintendo 64 baseado no filme? Pois é, isso também ajudou, mas a verdade é que o ator irlandês mostrou que era a melhor opção para o papel na década de 1990.

James Bond

 

É verdade que os filmes desse novo período não são uma unanimidade entre os fãs até hoje, principalmente Um Novo Dia Para Morrer. No entanto, Pierce Brosnan como James Bond é. Assim como Sean Connery e Roger Moore, ele ganhou o respeito dos fãs ao longo dos sete anos em que interpretou o personagem, provando que Bond estava bem vivo para o mundo mais moderno.

Talvez o melhor exemplo disso seja 007 - O Amanhã Nunca Morre, que traz uma história interessante, e provoca debates sobre a manipulação da informação. Ali, já foi possível detectar que o mundo ganhava uma nova potência econômica e armamentista: a China, ou seja, estava apresentado um novo universo para ser explorado nos próximos longas.

Depois do seu quarto filme, Brosnan ainda demonstrava condições para seguir adiante, mas depois das críticas negativas de Um Novo Dia Para Morrer, a franquia precisou mudar de rumo e correr atrás de um Bond totalmente diferente, que até então nunca tinha visto no cinema.

Daniel Craig (2006/ atual)

E foi isso o que Daniel Craig fez. Mesmo com a desconfiança de muita gente no começo, ele abraçou a causa e trouxe um agente ainda iniciante, que sangrava e não tinha medo de sujar as mãos na hora de enfrentar os inimigos.

Assim como Dalton, o inglês se apegou ao Bond dos livros de Ian Fleming e trouxe um personagem mais sombrio e realista. Depois de estrear em grande estilo em 007 Cassino Royale, Craig se consagrou em 007 - Operação Skyfall, em 2012.

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Mesmo tendo anunciado anteriormente que tem contrato para mais um filme, o futuro de Craig na franquia depois de 007 Contra Spectre parece estar incerto. De qualquer forma, os fãs torcem para que ele continue, afinal, é ao lado de Sean Connery um dos melhores Bonds de todos os tempos. Para saber mais detalhes sobre os filmes de Craig, temos um texto especial falando dos 10 anos do ator como 007.

Com estreia no Brasil prevista para 5 de novembro, o 24º longa acompanha Bond que é colocado no caminho de uma organização sinistra e misteriosa após receber uma mensagem enigmática. Enquanto M (Ralph Fiennes) enfrenta forças políticas para manter o MI6 ativo, o espião procura saber mais sobre o seu novo inimigo.

Confira os trailers de 007 Contra Spectre:

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