3D: a artilharia pesada do cinema contra a concorrência

Tecnologia faz crescer o número de produções, de salas e o faturamento com bilheterias; Brasil segue tendência mundial

10/07/2014 15h00

Cinema 3D

3D no Brasil: 50% do público prefere ver filmes no formato

O cinema teve de se reinventar ao longo das últimas décadas para continuar a atrair público para as salas. A indústria já enfrentou a TV, o videocassete e, recentemente, a popularização de equipamentos como home theaters, televisores de alta definição e muitas polegadas, tocadores de DVD, Blu-ray e o crescimento do acesso à banda larga, que permite aos usuários baixar filmes com boa qualidade.

Na guerra atual pelo público, a tecnologia 3D vem sendo a infantaria da indústria no difícil trabalho de convencer o espectador a lagar o conforto de sua equipada sala de estar e ir ao cinema. E passados alguns anos, os números não negam a eficiência da estratégia. As produções no formato e salas com capacidade de exibi-las têm aumentado a cada ano. Em 2014, por exemplo, são 41 filmes em terceira dimensão entrando em cartaz nos cinemas do país.

"O interesse do brasileiro em cinema 3D é acima da média. Mais de 50% do público prefere assistir a títulos em 3D do que os convencionais. Nos EUA, o numero é bem menor, cerca de 30%. O público brasileiro parece mesmo apreciar a tecnologia", revela Sean Spencer, diretor para América Latina da RealD, empresa que equipa as maiores redes de cinema do país, como Cinemark, Cinépolis e UCI.

Gráfico 3D

Fonte: Filme B

O 3D DIGITAL

A tecnologia, como se sabe, não é nova. Existe há muito tempo e teve sua primeira "era de ouro" em meados dos anos 1950. A diferença é que os sistemas digitais proporcionaram uma melhoria significativa na qualidade do 3D, que não usa mais as cores para filtrar as imagens em cada olho, mas um processo chamado polarização. Com isso a sensação de estar vendo uma imagem tridimensional é mais real, além de diminuir consideravelmente o desconforto e cansaço, um dos motivos do declínio da tecnologia em sua primeira fase.

CRESCIMENTO

Entre 2006 até 2013, os filmes 3D faturaram cerca de US$ 6 bilhões em todo o mundo. A maior bilheteria de abertura deste ano nos Estados Unidos, Transformers 4: A Era da Extinção, que fez US$ 100 milhões no fim de semana de estreia, alcançou esse número graças a exibição no formato. O segundo lugar, Capitão América: O Soldado Invernal (US$ 95 milhões), idem.

Segundo dados da Motion Picture Association of America, o continente sul-americano aumentou seu faturamento em bilheteria de US$ 1, 4 bilhão em 2007 para cerca de 2,8 bilhões em 2012, um crescimento de 100%. No Brasil, no mesmo período, o salto foi de US$ 366 milhões para US$ 839 milhões. E o 3D teve participação substancial na alta. Não à toa as salas brasileiras aceleram a migração para a nova tecnologia.

3D Público

Fonte: Filme B

Adhemar Oliveira, que administra os 23 complexos das redes Espaço Itaú de Cinema e Cine Espaço, é um entusiasta do 3D. Sua cadeia exibidora conta hoje com 25 salas, de um total de 114, equipadas para a projeção em terceira dimensão. Juntas elas são responsáveis por 25% do faturamento da rede. "O 3D fez o cinema retomar o patamar de espetáculo, recolou a gente na briga contra a pirataria e outras formas de exibição", diz o empresário.

Levantamento realizado em 2012 pelo Filme B, que compila os dados de mercado do cinema brasileiro, apontava a existência de 655 salas 3D num universo de 2.529. O aumento em relação a 2011 foi de 39%, superior à média mundial que foi de 25,3% no mesmo período, segundo levantamento do portal Statista.

ENGAJAMENTO

Outra prova de que a nova era do 3D não é modismo passageiro vem do comprometimento de grandes nomes do cinema com a tecnologia. Cineastas consagrados como Ang Lee, vencedor do Oscar de Melhor Diretor em 2012 por As Aventuras de Pi, e Martin Scorcese, diretor de A Invenção de Hugo Cabret, ajudaram a alçar o 3D de simples adendo ao entretenimento para o posto de parte integral do processo narrativo.

"Os cineastas querem cada vez mais fazer filmes em 3D e o público parece querer cada vez mais assistir a esses filmes. O 3D é realmente uma experiência de cinema muito mais envolvente e divertida", avalia Sean Spencer.

Martin Scorsese

Martin Scorsese: 3D como parte integrante do processo narrativo 

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