Artigo: Kylo Ren está longe de ser Darth Vader e isso é algo bom; veja análise

Falamos do antagonista de Star Wars com muitos spoilers

21/12/2015 18h00 (Atualizado em 14/12/2017 18h26)

Por Daniel Reininger

Star Wars: O Despertar Da Força não é só mais um filme, é parte de algo muito maior, com uma história grandiosa, fator que coloca ainda mais responsabilidade sobre a produção. Numa situação dessas, os eventos do passado têm papel importante na vida real e também na ficção e, por isso, aparecem constantemente na trama do novo filme. Essa relação do novo e antigo pode ser vista, principalmente, em Kylo Ren e fica ainda mais clara em Star Wars: Os Últimos Jedi.

Aqui vamos falar do vilão Kylo Ren contando spoilers em um texto para quem já viu o novo filme ou para quem não se importa em saber detalhes da trama. Então, se você não quer saber nada mais, é melhor parar por aqui e ver nossa entrevista com Harrison Ford.

Você foi avisado dos spoilers adiante:

Kylo Ren, muito bem interpretado por Adam Driver, é um vilão como nenhum outro na saga e isso tem incomodado muitos fãs. Com sua capa e máscara, ele é a figura imponente da Primeira Ordem, uma organização militar fascista remanescente do antigo Império Galáctico, que tenta reviver as glórias do passado. E Kylo Ren é o reflexo máximo disso, ao tentar seguir os passos de Darth Vader. Só que a pose de durão acaba no momento que conhecemos o personagem por trás da mascara, o assombrado filho de Han Solo e Leia Organa (irmã de Luke Skywalker), Ben. E essa duplicidade é o que faz de Ren alguém tão interessante.

Star Wars - O Despertar da Força

O jovem preferiu deixar seus pais de lado e escolher como modelo de vida a versão sombria de seu avô - o próprio Lord Vader. Ren rejeita seu passado, assume o título dos misteriosos Cavaleiros de Ren e se inspira em Vader em tudo, desde a capa e máscara com distorção de voz, até na atitude diante das tropas.

Só que como tudo com Ren, esse é um ato que ele se esforça para manter. Vader usava máscara porque precisava, Kylo usa porque é intimidante. Em público, ele é impiedoso e brutal, agraciado por um incrível poder do Lado Sombrio da Força, ao ponto de ser capaz de parar um blaster no ar. Entretanto, alguém bem diferente emerge em privado: um jovem imaturo, petulante, raivoso e inseguro, cuja obsessão por Darth Vader chega a ser doentia. No segundo filme, sua obsessão passa a ser a jovem Rey, que deixou uma cicatriz em seu rosto, e ele procura uma conexão com a garota a todo custo.

Nunca tivemos a oportunidade de ver um vilão em desenvolvimento dessa forma na saga. Anakin Skywalker já era um grande Jedi quando caiu para o lado sombrio e se tornou Darth Vader, por exemplo, então ver um rapaz nessa situação é muito interessante. Ele se tornar o líder da Primeira Ordem é algo mais do que justo.

Claro, muitos fãs queriam uma cópia exata de Darth Vader, apenas com visual diferente – afinal, Vader é o auge do vilão estiloso e cruel. Ou seja, qualquer outro antagonista que não agir como ele é um potencial fracote – e isso se aplica fora e dentro do filme e, na trama, Ren sabe que pode ser considerado uma farsa - e ele detesta isso. O próprio Snoke joga isso na cara do personagem em Star Wars: Os Últimos Jedi.

Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança

Por mais que tentasse imitar a presença de Lord Vader, Ren é desequilibrado e infantil, veja como se comporta quando um lacaio da Primeira Ordem aparece com más notícias: Ren destrói uma sala inteira com seu sabre de luz. Enquanto Vader é estiloso, calmo e eficiente, Ren é emocional, impulsivo e desiludido. Vader nunca deixa transparecer seus conflitos internos, mas Ren parece ter dúvidas a todo o momento.

O sabre de luz construído por Ren nos dá uma visão aprofundada sobre o seu estado de espírito conturbado. O formato é intimidador, mas a lamina é instável - É a arma de um personagem com o poder, mas sem treinamento adequado ou controle.

Tanto que Kylo Ren não parecia preocupado em dominar a galáxia, o que ele mais queria é seguir os passos de seu avô e agradar seu mestre (o Supremo Líder Snoke). O personagem se encaixa bem com o tema principal de O Despertar da Força, que trata de uma nova geração reagindo aos acontecimentos da geração anterior. Tanto que ele precisa matar o próprio pai para se afirmar, abrir mão do passado e abraçar o lado sombrio de vez.

Só que matar o pai, desapontar seu mestre e apanhar de Rey mudam a mentalidade do personagem, que passa sim querer a eliminar o passado e dominar a galáxia do seu jeito. De preferência ao lado da protagonista.

General Hux, muito bem interpretado por Domhnall Gleeson, é o líder carismático e cruel que mantém a Primeira Ordem na linha. No segundo filme, o personagem perde espaço para Ren poder crescer e isso é bom. Enquanto era justo dizer que Hux era sim o verdadeiro vilão do Episódio VII, algo que todos esperavam ver no personagem de Adam Driver em 2015, é também justo dizer que no segundo filme Ben Solo se desenvolve de maneira ainda mais interessante e se torna não só um baita personagem, como também um grande vilão.

Será que veremos Ben Solo de volta ao lado da luz até o fim da trilogia? Ou ele caíra de vez ao lado sombrio e se tornará um verdadeiro mestre Sith? A segunda opção parece fazer mais sentido após ele matar seu mestre e assumir o poder em Star Wars: Os Últimos Jedi. Entretanto, essa possível redenção (talvez tão tardia quanto a de Vader) seria algo realmente interessante de ver.

Sem falar que aquele momento em que ele luta ao lado de Rey no filme de 2017 é simplesmente incrível. Quem não quer ver essa cena se repetir? Agora é esperar para ver o que vai acontecer com Kylo Ren no comando da Primeira Ordem no Episódio IX.

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