Bingo: "Hoje sou palhaço", diz Vladimir Brichta em entrevista exclusiva

Filme de Daniel Rezende estreia em 24 de agosto

22/08/2017 18h33

Por Daniel Reininger

Bingo - O Rei Das Manhãs, chega na próxima quinta, 24, aos cinemas para contar a história de um ator que encontra alegria e frustração no papel do palhaço Bingo, sucesso absoluto das manhãs na TV brasileira. A história inspirada em Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo, não teria o mesmo impacto sem a atuação inspirada de Vladimir Brichta, com quem conversamos com exclusividade. Confira:

Indicado por seu amigo Wagner Moura, preferido para viver o protagonista, Vladimir conta como surgiu o convite: "Nos encontramos, eu estava com o Lazinho (Lázaro Ramos) e Wagner disse: 'Tem um filme que não vou poder fazer. É um dos melhores roteiros que já li e um de vocês dois tinha que fazer'. Então quando o Daniel (Rezende) entrou em contato e já sabia que era interessante. Quase não fiz por causa de uma série de TV, mas deu tudo certo", explica.

Tem 3 elementos que o motivaram a fazer o filme: "A relação do personagem com filho e a mãe, a luta pelo sucesso sob o ponto de vista do ator e a história do palhaço triste. É como se perguntar por que Robin Williams se matou. É um cara que faz a alegria das pessoas e tem um lado tão sofrido e desajustado. O palhaço é uma superprojeção da alegria, mas pode se afundar na tristeza e inquietação. Isso me interessa e está no filme de forma rica".

Sobre inspiração, buscou em outro personagem polêmico do cinema: Jordan Belfort. "O Lobo De Wall Street foi um filme referência, pois se passa nos anos 80 e também lida com drogas e poder. Bingo mostra que a fama muda drasticamente a forma como o mundo vê qualquer pessoa. Isso nos afeta e é difícil lidar com essas transformações. No caso de Bingo, ainda tem a ambiguidade de ser famoso e ao mesmo tempo desconhecido".

Bingo

Relação pai e filhos

O filme retrata o distanciamento de Arlindo com o filho e Vladimir relembra que pessoalmente já sofreu com isso, quando teve que lutar na justiça pela guarda da filha. "Briguei pela guarda da minha filha por muito tempo e estive ausente. Isso afetou muito minha vida, fui motivado pelo desejo de estar próximo e ser um pai presente".

Sobre esse distanciamento entre pais e filhos, voltou a lembrar de um momento pessoal. "Me lembro quando um diretor de teatro me encontrou logo após a mãe da minha filha ter falecido. Ele perguntou 'como é que está a sua filha?'. Eu estava fazendo um monte de peças e a Agnes estava passando um tempo com a minha mãe e falei: 'ah, ela está com minha mãe, num sítio, muito legal.', comecei a falar, mas ele me disse: 'Legal pro filho é estar do lado do pai'. Senti um baque e nunca esqueci disso. A questão pai e filho sempre foi muito relevante nas minhas escolhas", explica.

Domingos Montagner

A participação de Domingos Montagner, morto em 2016, no papel do palhaço Aparício se tornou um momento melancólico de Bingo. "A presença dele foi uma forma de ajudar um palhaço mais novo a se encontrar. É um paralelo com a história do filme. Ver o Domingos atuando é tocante", explica.

Domingos e o amigo Fernando Sampaio, com quem criou o grupo circense LaMínima, trabalharam também como consultores da produção: "Tem muito dele no filme e ele ajudou muito. Já o Fernando foi o cara que me preparou para o personagem e me ajudou a desvendar o mistério que é ser um palhaço. Eu tinha pudor de dizer que era um palhaço, venho de um universo acadêmico e respeito muito as pessoas que estudam muito. Eu fazia minhas palhaçadas desde sempre, já me vesti de palhaço e tinha um timing, mas tinha medo de me assumir palhaço, ainda que já pagasse as contas com humor. Hoje sou um palhaço", finaliza Brichta.

Confira o trailer do filme:

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