CANNES 2011: Quatro filmes brasileiros competem por prêmios no festival francês

Conheço os quatro filmes que estarão no festival de Cannes, que começa nesta quinta (11/5) com longa de Woddy Allen

11/05/2011 08h22




























Apesar de não competir pela Palma de Ouro com Almodóvar, irmãos Dardenne ou Terry Mallick, o Brasil vai levar quatro filmes que buscam por prêmios em mostras paralelas do Festival de Cannes, que começa nesta quarta-feira (11/5) com a exibição de Meia Noite em Paris, de Woody Allen.

Neste ano, será mantida a média de participação brasileira dos últimos dez anos em Cannes. Realizadores nacionais estarão presentes na mostra Um Certo Olhar (que destaca filmes com perfil mais ousado), Quinzena dos Realizadores (assumidamente destinada a quem faz filmes), Semana da Crítica (que abarca diretores estreantes ou no segundo filme) e Cinefondation (com filmes universitários).

Karim Aïnouz, diretor na estrada há mais de 20 anos e responsável por Madame Satã e Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, vai apresentar O Abismo Prateado na Quinzena dos Realizadores. “Este é um filme inspirado numa música do Chico Buarque [Olhos nos Olhos]”, contou o cineasta ao Cineclick após o anúncio da seleção.


Em O Abismo Prateado, Alessandra Negrini interpreta esposa abandonada pelo marido

Já a mostra Um Certo Olhar vai receber Trabalhar Cansa, longa de estreia de Juliana Rojas e Marco Dutra. Diretores que já passaram por Cannes com os curtas Um Ramo e O Lençol Branco, a dupla costuma realizar filmes num clima insólito que flertam com o terror. Espera-se também que, após a passagem pela Riviera francesa, o longa-metragem pouse no Festival de Paulínia em julho.

Integrando a turma dos jovens, o mineiro Ricardo Alves Júnior vai levar à Semana da Crítica o média-metragem Permanências. “Acho que [o filme foi selecionado por causa do] minimalismo. Uma poética construída com poucos elementos. Um filme que traz para o cinema a importância do primeiro plano”, definiu o cineasta ao diário O Tempo. Alves Júnior já havia realizado o curta Convite para Jantar com o Camarada Stalin.

Encerrando a participação brasileira no 64º Festival de Cannes, Duelo Antes da Noite, de Alice Furtado, busca o prêmio na Cinefondation. O curta-metragem mostra uma mulher e um homem que caminho lado a lado até o momento em que a trajetória de ambos será alterada permanentemente.


Cinema, Aspirinas e Urubus, exibido em Cannes em 2005, apresentou o talento da direção de Marcelo Gomes

Histórico da década

Nos últimos dez anos, o Brasil levou 39 filmes para as diversas mostras do Festival de Cannes. Em 2008, Sandra Corveloni faturou a Palma de Ouro de Melhor Atriz por Linha de Passe. No mesmo ano, o curta-metragem Muro ganhou o prêmio Novo Olhar da Quinzena dos Realizadores, entregue ao diretor Tião. Já em 2002, o curta-metragem Um Sol Alaranjado foi eleito o Melhor Filme da Cinefondation.

Entre 2001 e 2011, foram marcantes também as exibições de A Festa da Menina Morta, em 2008, além das projeções no ano de 2005, quando Cinema, Aspirinas e Urubus, Cidade Baixa, O Lençol Branco, Da Janela do Meu Quarto e Vinil Verde competiram. Em 2002, também presenciou-se o fenômeno Cidade de Deus.

Desde 1946, quando ocorreu a primeira edição do Festival de Cannes, filmes brasileiros foram premiados dez vezes. Destaque para o Melhor Filme de Aventura em 1953, O Cangaceiro, Palma de Ouro para O Pagador de Promessas, e Melhor Direção, concedido a Glauber Rocha pelo trabalho em O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.


A Pele que Habito, um dos favoritos, marca o retorno da parceria de Almodóvar com Antonio Banderas

Principal competição internacional

Mais importante festival cinematográfico do mundo, Cannes tem indicado uma aproximação, nos últimos cinco anos, do cinema norte-americano, especialmente nas projeções fora de competição ou especiais. Em 2011, Woody Allen, com Meia Noite em Paris, vai abrir Cannes prometendo lançar um novo olhar da capital francesa.

Na competição pela Palma de Ouro, não faltam nomes conhecidos dos cinéfilos. Pedro Almodóvar (Abraços Partidos) traz A Pele que Habito; os irmãos Dardenne (O Silêncio de Lorna) apresentam Le Gamin Au Veló; Terrence Mallick (O Novo Mundo) volta a dirigir com A Árvore da Vida; Lars Von Trier (Anticristo) compete com Melancholia.

Menos badalados, mas não menos talentosos, estão o turco Nuri Bilge Ceylan (3 Macacos) com Uma Vez na Anatólia; Paolo Sorrentino (Il Divo) com This Must Be The Place; Nani Moretti (O Crocodilo), com Habemus Papam.

Na paralela Um Certo Olhar, nomes consolidados – como o de Gus Van Sant, a competir com Inquietos – dividem espaço com cineastas em ascendência – caso de Nadine Labaki, diretora de ET Maintenant On Va Ou?.

Um dos destaques políticos da edição deste ano é a projeção de dois longas vindos do Irã, realizados quase clandestinamente por cineastas fortemente reprimidos por Mahmoud Ahmadinejad: Bé Omid é Didar, de Mohammad Rasoulof, que conta a história de uma jovem advogada em busca de um visto para deixar Teerã.

Ao seu lado, In Film Nist, de Jafar Panahí, realizador iraniano que se encontra preso sob acusação de subversão. O filme é um diário de Panahí na espera de um julgamento.

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