CCXP: "Cosplay é símbolo da cultura pop e pode quebrar barreiras"

Saiba um pouco mais sobre Cosplay, expressão artística símbolo da cultura pop

06/12/2015 15h06

Por Daniel Reininger

A atriz Evangeline Lilly (Homem-formiga) disse que São Paulo perde para San Diego em apenas um aspecto: Número de cosplays. Para ela, o evento norte-americano conta com mais pessoas fantasiadas, porém, se em quantidade ainda ficamos atrás da SDCC, o mesmo não pode ser dito sobre a qualidade das produções de artistas que criam e reproduzem personagens em feiras e eventos como a CCXP. Para entender um pouco melhor essa expressão artística símbolo da Cultura Pop, conversamos com a coplayer Karen Cechin, que veio do Rio Grande do Sul especialmente para a Comic-Con Experience.

+ Veja os melhores cosplays da CCXP 2015

Com 28 anos, Karen é médica e faz cosplay há sete anos. Ela nos explica um pouco mais desse hobby, que é sua grande paixão. "É uma forma de me expressar e mostrar o quanto gosto do personagem que estou interpretando. A diferença do cosplay para uma fantasia simples é que nos tornarmos aquele personagem por um determinado tempo em todos os aspectos, fisicamente, psicologicamente, reproduzimos movimentos e trejeitos, tanto para fotos quanto para apresentações. Quero passar para as outras pessoas o quanto amo aquele personagem e como isso me faz bem", disse Karen.

Hobby

Sobre o hobby, explica: "É algo muito saudável, que estimula criatividade e a comunicação, algo totalmente conectado à cultura pop. Ao invés do jovem sair para beber, ele vem para o evento, curte a feira, vê ou faz cosplay e é por isso que gosto tanto disso". E completa: "Reproduzo personagens dos quais gosto, independente de origem, seja de jogos antigos, filmes recentes, precisa ter algo que eu me identifique. Se curti a personagem, entro de cabeça", disse.

Cosplayer Karen na CCXP 2015 como Starfire versão Key West

Ela faz suas próprias fantasias, o que ocupa boa parte de seu tempo livre. Karen explica que é um trabalho desafiador, mas totalmente possível de aprender sozinho. "Primeiro é preciso escolher e aprender a usar os materiais". EVA é um dos mais usados, afinal é fácil de trabalhar e leve. No começo, talhava até chegar ao ponto que eu queria, sempre procurava tutoriais para saber mais e, com a experiência, passei a usar materiais mais complexos que ficam com melhor acabamento.

"A fantasia precisa ser bonita, prática, flexível e conseguir tudo isso faz parte da evolução nessa forma de arte", disse Karen, que ainda explica que a maior dificuldade no Brasil é conseguir materiais, normalmente importados, a preços acessíveis. "Olha quanta fantasia linda existe no Brasil, é preciso valorizar, é muito mais fácil para os estrangeiros, afinal eles ganham em dólar, mas mesmo assim, temos muita gente boa por aqui e precisamos respeitar mesmo as fantasias mais simples", explica.

Preconceito

Ela também comentou sobre a importância dessa forma de arte para quebrar tabus. "Quando você faz cosplay, você se expõe, mas o mundo nerd como um todo está quebrando as barreiras do ridículo e do bullying, afinal as pessoas se unem pelas coisas que gostam e os cosplayers têm parte importante nisso. Nos expomos para levar essa cultura além e quando somos levados a sério é algo importante", disse.

Karen

"As pessoas do meu trabalho sabem que faço cosplay, mas eu não misturo as coisas e prefiro respeitar o espaço de cada um. Se alguém gosta do que faço, pode procurar minha página e saber mais, se não gosta ou não entende, não insisto. A questão é que muitas pessoas não enxergam aquilo como algo artístico e às vezes ouvimos comentários nada agradáveis, especialmente se a roupa tem alguma abertura mais sensual, então a aceitação é algo que acontece aos poucos. Não posso exigir que ninguém entenda meu hobby", explica.

Dificuldades

Problema real de cosplayers no mundo todo, Karen explica um pouco como enxerga algumas situações embaraçosas que precisam enfrentar. "Assédio é algo que acontece, infelizmente, mas eu procuro não ficar brava, até por nunca ter acontecido nada sério comigo até hoje, apenas um ou outro comentário. É meu noivo que fica mais nervoso quando percebe algo. Só que, muitas vezes, tudo se resolve com uma conversa, tento apontar para a pessoa que a intenção não é chamar a atenção ou ofender ou sensualizar, é interpretar um personagem e o respeito de quem está do outro lado é importante", explica.

Hobby e Mercado

Karen diz que cada vez mais existe espaço para o Cosplayer ganhar dinheiro com seu hobby, seja com a venda de peças, competições ou até mesmo fazendo eventos pagos. "Quando uma empresa associa sua marca a um personagem, ela ganha força e é aí que o cosplayer entra", disse.

Para fechar, ela explica como essa forma de arte influenciou sua vida e dá uma dica para quem quer começar no hobby. "Cosplay mudou muita coisa na minha vida: passei a ter mais paciência, me tornei ainda mais perfeccionista, me organizo melhor quando preciso pensar em algo por etapas e agora procuro sempre achar a melhor maneira de fazer as coisas na minha vida. Além de ajudar na minha vida social, tenho muitos amigos que conheci pelo Cosplay e entrar nesse mundo e estar nesse mundo me faz muito bem."

"Para quem quer começar agora a dica é pesquise muito, veja tutoriais, entenda o que quer fazer e não tenha medo de arriscar", finaliza. Visite a página de Karen.

A Comic-Con Experience acontece de 3 a 6 de dezembro de 2015 no São Paulo Expo, zona sul da Capital Paulista. Veja o que rola por lá

Veja a produção completa de Karen no sábado na CCXP, que estava como Starfire versão Key West:

Cosplayer Karen na CCXP 2015 como Starfire versão Key West

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