Coisa Mais Linda: Força feminina e legado de Marielle emocionam em evento

Série estreia em 22 de março e deve nos ajudar a refletir sobre o presente

14/03/2019 11h53

Por Daniel Reininger

Em um evento realizado pela Netflix na última quarta-feira (13), a série Coisa Mais Linda teve um forte tom político e social durante sua coletiva de imprensa que contou com a presença de Maria Casadevall, Pathy Dejesus, Fernanda VasconcellosMel Lisboa, Ícaro Silva e Leandro Lima. Os diretores Caito Ortiz e Julia Rezende e o produtor Beto Gauss também estiveram no palco.

"Somos quatro mulheres protagonistas contando essa história. Nesse momento do mundo, né? Então, ser mulher, estar viva e poder contar essa história é realmente algo coisa que faz a diferença", disse Casadevall.

A história segue Maria Luiza (Casadevall), jovem rica paulistana que se muda para o Rio de Janeiro para abrir um restaurante com seu marido. Ao chegar lá, descobre que ele a abandonou e fugiu com todo o dinheiro, mas ela não desiste e parte em busca de um novo sonho embalado pela Bossa Nova.

Luta

Pathy emocionou os presentes no evento ao comentar como a mulher costuma ser retratada nas telas: "Ser forte também está na delicadeza, na sutileza, no choro... É um perigo você chegar num ponto de inventar uma super-heroína para passar por cima das dores dessa mulher. Eu acho que são essas dores que nos fazem mais forte", contou.

Na série, ela interpreta Adélia, mulher que desafia os estereótipos e papeis femininos nos anos 60, época em que a série é ambientada. "É uma mulher negra da comunidade e uma mãe que batalha para colocar comida na mesa. Lembrei muito da minha avó e fui resgatar a história dos meus antepassados para construir isso", disse.

Pathy ainda reforçou a luta pelo espaço das mulheres negras. "Muito da nossa história foi apagado e foi um choque me deparar com essa situação de não ter quase nenhum poder de fala com essa personagem. Quando era mais nova, meu pai me dizia 'você é mulher e negra' e demorei para entender o significado disso", relembrou.

Emocionada, a atriz ainda lembrou da importância da figura de Marielle Franco, vereadora e socióloga assassinada em 2018. "Ela foi uma mulher negra, empoderada, defensora dos direitos humanos... dá uma esperança, né? Depois de tudo que descobri sobre minha bisavó, sobre minha avó... Essa mulher tem o poder de fala, defende as pessoas... E aí vão lá e calam essa voz", lamentou. 

Um ano após a morte da ativista, Pathy lembrou que vozes femininas na sociedade são vistas como ameaças: "Como mulheres, progredimos muito. E esse progresso incomoda muita gente", pontuou. "Estamos evoluindo, caminhando, mas eu acho que essa caminhada é muito longa. E também acho que Coisa Mais Linda nesse momento se propõe a ser um ponto de partida e de reflexão relevante dentro desse contexto", disse Casadevall. "Nós, mulheres, crescemos vendo histórias contadas pela perspectiva dos homens. E não deixou de ser humano mesmo assim. A gente não deixou de se identificar com essas histórias", completou ela.

Coisa Mais Linda é uma série de época, mas que nos ajuda a refletir sobre o presente, como apontou Mel Lisboa. "Uma série de época causa um certo conforto no espectador. Dessa posição confortável ele acaba refletindo e percebendo que muitas coisas acontecem até hoje".

Música

Fernanda Vasconcellos ainda teve tempo para comentar sobre a importância da música na série. "Bossa nova é um movimento cultural que está buscando uma identidade, assim como esses personagens também. Eles estão buscando a sua identidade dentro de uma coisa que já tá meio que estruturada, rompendo um pouco dessa estrutura social", explica.

Coisa Mais Linda chega à Netflix no dia 22 de março.

Veja o trailer:

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