Com zumbis e intrigas, Kingdom é uma das melhores séries atuais

Série coreana está disponível na Netflix

27/04/2020 15h00

Por Daniel Reininger

Kingdom é a segunda série sul-coreana original do serviço de streaming. Escrita por Kim Eun-Hee e dirigida por Kim Seong-Hun, traz 12 episódios divididos em duas temporadas, muita ação, intrigas e zumbis. Se você ainda não conhece, não perca mais tempo, afinal essa é uma das melhores produções atualmente disponíveis. É perfeita para uma maratona.

A trama é ambientada na época da Dinastia Joseon (1392-1897) e acompanha o príncipe herdeiro da Coreia em uma missão para investigar uma misteriosa praga que pode ter matado o seu pai, o Rei. A verdade ameaça os poderosos que se aproveitam da situação e tudo se complica quando a tal doença se mostra uma infestação de zumbis.

A série é ótima e merece ser vista por muitos os motivos:

Zumbis

A temática zumbi tem sido extremamente explorada, mas Kingdom aborta os mortos-vivos de novas formas e tenta trazer algo novo. Na verdade, o mais próximo do que vemos nesse filme são os zumbis de Invasão Zumbi, filme sul-coreano de 2016, mas aqui os zumbis são apenas parte do problema.

A ameaça surge de forma inesperada e a cura é um dos objetivos dos protagonistas. O diferente é que os zumbis só agem em determinados momentos do dia e são velozes e capazes até de resolver problemas simples para alcançar sua comida. A construção do horror acontece gradualmente, conforme os cidadãos vão percebendo como os zumbis atuam, e a cada escurecer de tarde a tensão toma a tela.

Visual impressionante

A série é linda e o design de produção dá muita atenção aos detalhes dos cenários, assim como os figurinos. A fotografia é atenciosa e tende a se tornar cinzenta e enevoada quando o mortos-vivos estão presente e coloridos ao mostrar a riqueza dos palácios e templos. A diferença entre a miséria da população e a fartura da nobreza também fica clara nas mudanças de atmosfera e cores.

Ação incrível

As cenas de combate costumam ser horrorizantes e empolgantes ao mesmo tempo, as lutas muito bem coreografadas e situações inteligentes que permitem, muitas vezes, defesas ou fugas desesperadas. As hordas de zumbis garantem a ação mais violenta e desesperada, mas lutas entre os vivos também garantem momentos de drama e lutas ainda mais intensas.

Intrigas

A trama de Kingdom tem forte teor político, com conflitos entre soberanos e uma população à beira do colapso durante a Dinastia Joseon (que durou de 1392 a 1897). Na trama, o rei é assolado por uma estranha doença e seu filho, o príncipe Lee Chang (Joo Ji-Hoon), é acusado de traição pela própria madrasta (a rainha) e seus súditos. Chang é impedido de visitar o próprio pai e decide descobrir a verdade, enquanto, nos bastidores, uma luta por poder toma conta do país.

Questões sociais

A série escancara as desigualdades sociais e lida muito com a questão das diferenças entre riqueza e pobreza. A maioria das cidades são pobres e passam fome e vivem na probreza extrema, enquanto os poderosos gozam de fartura e segurança. São muitas as críticas à desigualdade e como isso afeta a sociedade como um todo.

Personagens marcantes

Em geral, as atuações são ótimas, o que ajuda a criar personagens marcantes. Lee Chang (Main Ju Ji-hoon) é símbolo de herói com sentimentos puros e força, além de carisma, por isso é fácil gostar dele. O príncipe se mostra muito humano, especialmente em suas relações com súditos como Moo Young (Kim Sang-Ho), responsável por ótimas cenas de ação e também pelo alívio cômico ao lado de Beom?pal (Jeon Seok-ho).

Famosa por Sense8, Bae Doona vive Seo-Bi, médica que toma para si encontrar a cura para a doença que assola o país. Ela é forte, inteligente e dá um realismo interessante a uma personagem interessada não só em se salvar, mas também fazer o que é certo.

E os vilões são ótimos. A rainha é uma pessoa horrível, os conselheiros são fracos ou manipuladores e tomam decisões terríveis por conta disso. O grande vilão, pai da rainha, é cruel e não possui um pongo de empatia. Os antagonistas são caricatos, sim, mas também trazem um toque de realismo, ainda mais em sua busca por objetivos claros. Seja como for, são perfeitos para trazer ainda mais drama a uma situação já desesperadora.

Trilha sonora marcante

Toda a parte técnica se destaca, mas a trilha é particularmente boa e efetiva para reforçar as emoções do público. Como um todo, as músicas são lindas, mas a forma como alternam entre emoções é realmente marcante. Sem falar que as músicas são boas ao ponto de valer ouvir mesmo longe da série.

Onde assistir: Netflix

Confira trailer:

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